América Latina, desigual e desnutrida

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10 Novembro 2018

A Argentina é um dos três países da América Latina e do Caribe, juntamente com a Bolívia e a Venezuela, onde, desde 2014, o número de pessoas desnutridas vem crescendo, diz o documento elaborado pelas Nações Unidas.

A reportagem é de Elena Llorente, publicada por Página/12, 09-11-2018. A tradução é de André Langer.

A Argentina é um dos três países da América Latina e Caribe, juntamente com a Bolívia e a Venezuela, onde, desde 2014, o número de pessoas desnutridas vem crescendo, diz o relatório “Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional 2018” divulgado esta semana e elaborado por diversas agências da ONU, incluindo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e o PMA (Programa Mundial de Alimentos). Por “pessoas desnutridas” entende-se aquelas que não têm alimentação suficiente para atender às suas necessidades e levar uma vida saudável.

Segundo o relatório, a fome afeta 39,3 milhões de latino-americanos, 6,1% da população. Mas entre 2015 e 2016 o número de pessoas desnutridas aumentou em 200 mil pessoas e entre 2016 e 2017 em 400 mil pessoas. Entre elas há 5 milhões de crianças que sofrem de desnutrição. Se falarmos de pobreza extrema – que é determinada pelo custo da cesta básica e quem não pode pagar esse custo é considerado pobre extremo –, na América Latina há 62 milhões de pessoas nessa situação.

As desigualdades econômicas “agravam a fome, a desnutrição e a obesidade na América Latina e Caribe”, diz o texto.

Em relação à Argentina, os números publicados indicam que em 2014-2016 1,6 milhão de pessoas (3,6% da população) sofriam de insegurança alimentar no país, ao passo que em 2017 esse número subiu para 1,7 milhão de pessoas (3,8% da população). Também na Bolívia aumentou o número de subnutridos de 2,1 milhões (19,6% da população) para 2,2 milhões (19,8%).

Os casos mais graves na região, no entanto, são considerados o Haiti, com 5 milhões de desnutridos (45,8% da população) e a Venezuela, onde há 3,7 milhões de desnutridos, representando 11,7% da população.

O relatório abordou não apenas a questão tradicional da fome e da desnutrição, mas também problemas como a obesidade, que é uma doença crescente em toda a região, especialmente entre mulheres e crianças. “Todos os anos adicionamos 3,6 milhões de pessoas obesas a esta região”, diz o relatório, esclarecendo que “a fome, a desnutrição, as deficiências de micronutrientes, o sobrepeso e a obesidade afetam as pessoas de baixa renda, as mulheres, os indígenas, os afrodescendentes e as famílias rurais da América Latina e do Caribe”.

A obesidade tornou-se a maior ameaça nutricional para a América Latina e o Caribe. Um de cada quatro adultos é obeso, enquanto o excesso de peso afeta 3,9 milhões de crianças menores de 5 anos de idade.

Mas esses problemas têm, por sua vez, a ver marcadamente com a idade e o sexo, além do nível socioeconômico a que se pertence. “Em dez países da América Latina e do Caribe, 20% das crianças mais pobres sofrem três vezes mais de desnutrição crônica do que os 20% mais ricos”, afirma o relatório. E em relação às diferenças entre os sexos, esclareceu que “8,4% das mulheres vivem em insegurança alimentar severa, em comparação com 6,9% dos homens”. São cerca de 19 milhões de mulheres contra 15 milhões de homens.

Para as mulheres, isso significa que elas são frequentemente afetadas, entre outras coisas, pela anemia (falta de ferro) e por todos os problemas que isso significa para ela e para o bebê, se, além disso, estiverem grávidas. A desnutrição infantil crônica, mas não apenas isso, também é maior entre as populações indígenas e camponesas, diz o documento.

A fome, a subalimentação, a desnutrição, o nanismo e a obesidade não são a única explicação para a falta de dinheiro por parte das famílias. Sem dúvida, a pobreza, as crises econômicas, os conflitos, o desemprego, não ajudam as famílias a manter a renda mínima e a quantidade mínima de alimentos. Mas a isso devemos acrescentar outros fatores, como os desastres naturais que afetam a América Latina, como os furacões, os terremotos e as secas, entre outros. Esses fenômenos alteram a economia, a produção agrícola, a vida das pessoas e são, em parte, a explicação para os milhares de migrantes que atualmente estão caminhando da América Central passando pelo México rumo aos Estados Unidos.

Os problemas políticos internos, as disputas entre os ricos produtores e distribuidores e os governos, como no caso da Venezuela, onde a alimentação é escassa, também interferem na desnutrição ou na má alimentação.

Influenciam também os processos de urbanização nos diferentes países, muitas vezes não suficientemente planejados, que envolvem o deslocamento de pessoas e famílias, que produzem mudanças importantes dentro do grupo familiar, especialmente se ambos os pais trabalham. O tempo excessivamente ocupado dos pais muitas vezes leva a uma má escolha dos alimentos, preferindo alimentos já processados, porque são mais cômodos, às vezes até mais baratos, mas contêm um alto nível de gorduras e agregados ruins para a saúde. E as crianças e adultos, influenciados, por outro lado, pela propaganda de certas marcas que são transmitidas na televisão ou na internet, não aprendem a fazer uma escolha correta dos alimentos e favorecem a obesidade e as doenças.

Segundo o documento, as crianças terão “um estado nutricional ótimo se tiverem acesso a uma alimentação variada e nutritiva, a práticas adequadas de cuidados materno-infantis, a serviços de saúde e a um ambiente saudável que inclua água limpa e boas práticas de higiene”. Por isso, as quatro organizações que prepararam o documento – FAO, OPAS, UNICEF e PMA –, “convocam os países para implementarem políticas públicas de combate à desigualdade e promovam sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis”.

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