Sobrepeso afeta 360 milhões na América Latina

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25 Janeiro 2017

O sobrepeso já afeta 360 milhões de habitantes da América Latina e do Caribe, dos quais 140 milhões são obesos, segundo alerta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPS). “O fenômeno da obesidade é muito preocupante. Ao mesmo tempo, diminuíram as pessoas com fome na região. Por isso, necessitamos reforçar nosso trabalho e ter sistemas alimentares sensíveis à nutrição com base em métodos de produção sustentáveis para reduzir esses números”, destacou Eve Crowley, representante regional interina da FAO, na sede do organismo em Santiago do Chile.

A reportagem é de Orlando Milesi, publicada por Envolverde/IPS, 23-01-2017.

No dia 19, na sede da FAO, esta organização e a OPS lançaram o Panorama de Segurança Alimentar e Nutricional da América Latina e do Caribe 2016, que disparou o alarme sobre o fenômeno nessa região com mais de 625 milhões de habitantes. O problema, segundo o documento, afeta fortemente crianças e mulheres, aumenta as doenças crônicas, provocando aumento nos gastos econômicos com saúde, dos países e das pessoas, e ameaça, no futuro, a qualidade da mão de obra para os planos de desenvolvimento nacionais.

Simultaneamente, a região reduziu consideravelmente a fome: agora, apenas 5,5% da população vive subalimentada, sendo o Caribe a área com a maior prevalência (19,8%), em grande parte porque o Haiti registra a maior prevalência de subalimentação do planeta, com 53,4%. A desnutrição crônica infantil (baixa estatura para a idade) na América Latina e no Caribe também apresentou evolução positiva: caiu de 24,5%, em 1990, para 11,3%, em 2015, uma redução de 7,8 milhões de crianças.

Apesar do avanço, atualmente 6,1 milhões de meninos e meninas ainda vivem com desnutrição crônica: 3,3 milhões na América do Sul, 2,6 milhões na América Central e 200 mil no Caribe. Cerca de 700 mil crianças sofrem desnutrição aguda, 1,3% delas com menos de cinco anos. Sobre a dificuldade de acesso a alimentos naturais e de qualidade ocorrer por causa dos altos preços ou de um deficiente sistema de produção e distribuição, Crowley apontou à IPS que se trata de “uma combinação de fatores”.

“Falamos de sistema alimentar porque é um conjunto de fatores. Desde a oferta básica até quais alimentos estarão disponíveis em nível nacional. Por exemplo, na América Latina há muita disponibilidade de alimentos, mas a distribuição física de alimentos nutritivos, saudáveis e frescos, em todos os bairros de forma acessível, é algo que ainda custa alto”, acrescentou Crowley.

Segundo a representante da FAO, “há evidência demonstrando que o custo para calorias ruins, provenientes de fontes ultraprocessadas, é menor do que o de calorias que procedem de fontes saudáveis e isso representa dilemas para garantir uma boa alimentação para toda a população, sobretudo para os que são de famílias com menos recursos”. Ela constatou que há mudanças de padrões de consumo que mostram que os habitantes migram de seus tradicionais cereais, leguminosas, frutas e verduras, para alimentos superprocessados ricos em gorduras saturadas, açúcares e sódio, mas apoiados por ampla publicidade.

A autoridade regional da FAO defendeu melhor informação nutricional, impostos sobre alimentos que têm nutrientes críticos ou negativos para a saúde, e subvenção e apoio para alimentos saudáveis necessários para a população. “Salvo no Haiti (38,5%), Paraguai (48,5%) e Nicarágua (49,4%), o sobrepeso afeta mais da metade da população em todos os países da região, sendo Chile (63%), México (64%) e Bahamas (69%) os que apresentam as taxas mais elevadas”, afirma o documento.

Erick Espinoza, professor de educação física de um centro privado em um bairro de classe média de Santiago, vive o problema da mudança de hábitos alimentares e de conduta de seus alunos, com idades entre seis e dez anos, que exemplifica a realidade regional e em particular dos países com maior sobrepeso e obesidade. “Eles trazem como merenda um verdadeiro piquenique e nada de frutas. Somente batata frita, biscoitos, bebidas, sucos e lácteos com alta concentração de açúcar. E não trazem apenas um pacote pequeno, mas, às vezes, três pacotes ou um grande”, contou Espinoza à IPS, destacando que isso é apenas o lanche do recreio.

Nos colégios chilenos, funcionam lanchonetes onde, desde 2016, é proibido oferecer alimentos com alta concentração de açúcares, sódio e gorduras. “Precisam vender frutas, mas as vendas caem muito, porque as crianças não compram frutas nem iogurte, e levam outro tipo de alimento de casa”, acrescentou o professor. Outra visão foi dada por Alexandra Carmona, professora em uma escola municipal de um populoso bairro da capital, onde os estudantes têm entre quatro e 17 anos.

“Havia um menino obeso que sofreu forte bullying. Todos diziam “oi barrigão”, “oi gordo”, “saco de gordura”. Então, seus pais são chamados para serem informados sobre o problema sofrido pelo filho, mas eles não dão a menor importância”, afirmou Carmona à IPS. A criança acabou em uma escola especial, apesar de não ter problema de aprendizado. Em seu centro, a alimentação é fornecida ao colégio, mas muitas crianças não aceitam os legumes e a alimentação equilibrada oferecida.

O Panorama revela que 7,2% das crianças com menos de cinco anos vivem com sobrepeso, o que significa um total de 3,9 milhões de crianças, das quais 2,5 milhões vivem na América do Sul, 1,1 milhão na América Central, e 200 mil no Caribe. Os países com altas taxas de sobrepeso em menores de cinco anos são Barbados (12%), Paraguai (11,7%), Argentina (9,9%) e Chile (9,3%).

O informe também destaca que vários países aprovaram impostos sobre bebidas açucaradas, entre eles Barbados, Chile, Dominica e México, enquanto outros, como Bolívia, Equador, Peru e o próprio Chile, contam com leis de alimentação saudável que regulam a publicidade e os rótulos dos alimentos. Sobre os países que se destacam na venda por pessoa de produtos ultraprocessados, o documento indica que Argentina, Chile, México e Uruguai superam a média regional de 129,6 quilos por habitante.

O México é o primeiro em nível regional, com 214 quilos por habitante e o Chile o segundo, com 201,9 quilos. O sobrepeso afeta 30 dos 33 países analisados, alcançando mais da metade da população adulta maior de 18 anos e, em 20 deles, a obesidade nas mulheres é desproporcional, superando em dez pontos percentuais a dos homens.

Segundo a diretora da OPS, Carissa F. Etienne, “a região enfrenta uma dupla carga de má nutrição, que se combate com alimentação balanceada, constituída de alimentos frescos, saudáveis, nutritivos e produzidos de maneira sustentável, e também abordando os principais fatores sociais que determinam a má nutrição”. Ela também ressaltou a falta de acesso a alimentos saudáveis, as dificuldades de acesso a água e saneamento, a serviços de educação e saúde, e a programas de proteção social, entre outros.

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