“A esquerda só poderá ser autêntica, caso se nutra de uma espiritualidade muito séria e profunda”. Artigo de José I. González Faus

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03 Fevereiro 2019

“A esquerda só poderá ser autêntica caso se nutra de uma espiritualidade muito séria e profunda. Às direitas já basta sua manipulação da religião em proveito próprio (como acusou Marx, mostrou depois com textos o cardeal De Lubac, e hoje colocou em prática Bolsonaro). Mas, a esquerda precisa de mais”, escreve José I. González Faus, jesuíta, teólogo espanhol, em artigo publicado por Religión Digital, 30-01-2019. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

“Aprenda flores de mim, o que vai de ontem a hoje”, poetizava dom Luis de Góngora. E hoje podemos lhe parodiar: aprenda políticos, que já vemos o que vai do 15M ao Podemos.

Fui daqueles que, nos dias do 15M, caminhavam na praça de Catalunha e em outras ruas barcelonesas, buscando ver, escutar, farejar, conversar... Daquela mistura de decepção, ilusão, fartura, responsabilidade, juventude, ingenuidade e indignação, você saía com a pergunta esperançosa sobre se algo novo poderia estar sendo gestado. Mas, recordava-me de uma Carta aos cristãos pelo socialismo, escrita 40 anos antes, que citava São Paulo: “realize sua libertação com temor e tremor”.

Mais tarde, em junho de 2016, escrevi uma carta a Pablo Iglesias com tons de advertência (que não sei se está posta em algum blog). Hoje, estou entre aqueles que se perguntam como é possível que aquela massa compacta, tão segura de “poder”, tenha se tornado, tão cedo, uma areia de impotências. Como aquela aspiração que floresceu com 200.000 militantes e cinco milhões de votos, em uns dois anos, seja vista novamente ferida.

Os fatos e os dias foram mostrando que isso da “casta”, por mais verdade que fosse e por mais bem que soasse, não era em razão da má “pasta” dos políticos existentes até o momento. Ao contrário, é uma tentação inerente a nossa pasta humana e à própria atividade pública (política ou eclesiástica), que eles não perceberam até acabar caindo de cara nela e perder novidade.

Não quero emitir juízos críticos pessoais, nem inflamar feridas. Posso reconhecer que minha sensibilidade sempre esteve mais próxima a Errejón que a Pablo Iglesias. Mas, sei que aqui podem me faltar dados para um julgamento definitivo. O que, sim, é necessário pedir hoje é que não se expliquem as crises jogando a culpa apenas nos outros, e que se dê início a essa autocrítica tão indispensável em qualquer atividade humana.

Mas, mesmo sem destacar ninguém, temo que o vedetismo e certa vaidade messiânica sejam os que dissolveram aquela promessa primeira. Em vez de vaidade messiânica poderia ter falado de “tejerismo”: a mentalidade de “isto ajusto eu”. Tejero com golpe de pistola. Outros com golpe de televisão. Algo ganhamos, sem dúvida. Mas, insuficiente.

Que contraste entre essa mentalidade messiânica (ou “tejera”) e o discurso de Tierno Galván em nossas primeiras eleições: “o PSP (a formação de Tierno) não pode prometer nada porque as coisas estão muito difíceis, mas se compromete a lutar em tudo o que for possível para ajustar algo” (cito de memória). Que bonito comprovar que aquele que não se atrevia a prometer nada, foi um dos melhores prefeitos de nossa democracia!

Enfim, desejo com toda a alma que esse aborto do 15M encontre alguma incubadora que lhe salve a vida. Desejo isso mais pelos jovens do que por mim. Por isso, permito-me advertir que a esquerda só poderá ser autêntica caso se nutra de uma espiritualidade muito séria e profunda. Às direitas já basta sua manipulação da religião em proveito próprio (como acusou Marx, mostrou depois com textos o cardeal De Lubac, e hoje colocou em prática Bolsonaro). Mas, a esquerda precisa de mais.

Não quero dizer com isto que a esquerda tenha que ser cristã: não estou querendo fazer apologética. Falo apenas de espiritualidade séria. Porque temas como a igualdade, a fraternidade, a acolhida, o respeito... são espirituais (e muito odiados) demais para acreditarmos que poderemos conquistá-los melhorando o PIB. Pois, este sistema iníquo só sabe fazer crescer o PIB, fazendo com que cresça também o PID (Porcentagem Interior de Desigualdade).

Enfim, tomara que desta decepção de hoje brote uma lição aprendida para o amanhã, e não um novo desengano histórico. Que assim seja.

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