Papa Francisco. “Há bispos e padres que usam batina, mas vivem uma grande hipocrisia”

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03 Dezembro 2018

O traje não determina o mundanismo de um clérigo. Pode haver bispos ou padres sempre bem vestidos, com batinas e outros acessórios, mas que vivem “uma grande hipocrisia”. Outros se vestem de maneira simples, mas manifestam um enorme amor a Deus. Esta é uma distinção que o Papa Francisco faz em seu mais recente livro-entrevista intitulado A força da vocação. A vida consagrada hoje, um diálogo com o padre claretiano espanhol Fernando Prado dedicado à vida religiosa. O livro estará à venda em todo o mundo e em vários idiomas a partir deste dia 03 de dezembro.

A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, 01-12-2018. A tradução é de André Langer.

A capa do livro-entrevista do Papa Francisco intitulado “A força da vocação”

Publicado pela Editora Claretiana, a casa que costumava publicar os livros de Jorge Mario Bergoglio na época em que era cardeal arcebispo de Buenos Aires, um dos capítulos foi dedicado ao mundanismo e ao clericalismo, dois aspectos de preocupação diária do Bispo de Roma. Em uma antecipação do conteúdo para o Vatican Insider, Francisco responde dizendo que esses fenômenos são riscos reais para a vida consagrada.

O Papa os qualificou como as duas grandes tentações da Igreja católica. Tentações, prosseguiu, que levam a Igreja a fechar-se em si mesma, a se voltar para dentro, convertendo-a em uma Igreja autorreferencial que se torna incapaz de ser fecunda. E esta tentação também se encontra na vida consagrada.

“O mundano gruda em você. É preciso ter uma grande ascese, nascida do amor e da contemplação de Jesus, para não sucumbir. Há religiosos que, no fundo, não sabem se são consagrados ou leigos. Não me refiro aos sinais externos, ao vestir. Isso é relativo. Pode ser e pode não ser. Há padres, e também bispos, que usam batina e, apesar disso, vivem numa grande hipocrisia, porque, no fundo, têm um coração mundano. Outros clérigos usam roupas simples, inclusive andam sem vestimentas clericais, e têm um grande amor a Jesus. Tudo depende. Eu acredito que o sinal, sem dúvida, faz bem, mas eu não me apego a ele. É preciso ver cada caso. Pode-se usar um hábito ou uma roupa clerical e ser mundano”, explicou.

Para ilustrar este ponto, contou a história de um bispo que foi comprar uma camisa na Euroclero, uma loja exclusiva de roupas clericais localizada em Roma, bem na frente da Praça São Pedro, passagem quase obrigatória para muitos clérigos que vão à Santa Sé. Aí, continuou o Papa, o bispo encontrou um jovem sacerdote de não mais de 25 anos.

“Ele estava de olho em algumas coisas e na loja iam mostrando. Ele as provava. Ele provava uma camisa clerical com dois medalhões de prata, e se olhava no espelho, para ver como ficava... um rapaz jovem. O bispo o olhava e não podia acreditar no que estava vendo. Depois provou um chapéu tipo saturno e o bispo não conseguia acreditar. Pois bem. Aquele rapaz, com todas aquelas roupas clericais, era mais mundano do que qualquer outro sacerdote que ama Jesus, mesmo se usa uma camisa simples”, considerou.

“Há alguns dias me revelaram que eu tinha sido criticado por dizer a um grupo de sacerdotes jovens que trabalham na formação na Companhia de Jesus, que antigamente, quando os jesuítas iam ver o Papa, ou o Superior Geral, iam com batina e que hoje, graças a Deus, já não era mais assim. Penso que é suficiente que venham vestidos adequadamente, dignamente. Basta um simples clergyman para se encontrar com o Papa. Alguns que defendem muito esses costumes, até nisso são mundanos. O clericalismo também se expressa algumas vezes nessas formas de mundanismo”, acrescentou.

Mais adiante argumentou que o mundanismo é uma questão de critérios: de ação, de vida, de contemplação, o “ser mais do mundo do que do Senhor”. No fundo, continuou Francisco, é avaliar as coisas a partir de critérios mundanos, embora se apresentem com um aspecto de bem.

E apontou: “Mas... Cuidado! Jesus pediu claramente para que tomássemos cuidado com o mundo. (Henri) De Lubac fala desse mundanismo espiritual como uma atitude radicalmente antropocêntrica. Apresenta-se como desprendimento do outro mundanismo, mas, na verdade, em vez de buscar a glória do Senhor, busca a glória humana. Recorda a oração de Jesus na Última Ceia: ‘não te peço para tirá-los do mundo, mas para guardá-los do espírito do mundo...’. Ter os critérios do mundo em vez dos critérios de Jesus é o contrário do que significa a consagração religiosa”.

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