Buenos Aires sitiada: "Quem sai de casa por esses dias é suspeito de terrorismo"

Revista ihu on-line

Do ethos ao business em tempos de “Future-se”

Edição: 539

Leia mais

Do ethos ao business em tempos de “Future-se”

Edição: 539

Leia mais

Grande Sertão: Veredas. Travessias

Edição: 538

Leia mais

Grande Sertão: Veredas. Travessias

Edição: 538

Leia mais

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

Mais Lidos

  • ''Há um plano para forçar Bergoglio a renunciar", denuncia Arturo Sosa

    LER MAIS
  • EUA: um complô para fazer com que o papa renuncie

    LER MAIS
  • “Construímos cidades para que as pessoas invistam, não para que vivam”. Entrevista com David Harvey

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

30 Novembro 2018

Com um forte operativo de segurança que se percebe ao caminhar pelas ruas, Buenos Aires se prepara para receber os líderes das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia na Cúpula do G20, nesta sexta-feira (30) e no próximo sábado (1). Além de decretar um feriado local no primeiro dia de reunião, o governo da Argentina anunciou a suspensão de quase a totalidade do transporte público e o fechamento de diversas vias da região central da cidade.

A reportagem é de Vivian Fernandes, publicada por Brasil de Fato, 29-11-2018.

Para Carina López Monja, da Frente Popular Darío Santillán (FPDS), as medidas de paralisação da cidade para a realização da cúpula atingem não só os movimentos populares, que planejam sair às ruas para protestar contra o evento, mas toda a população da capital, em especial a mais pobre.

“Quem sai de sua casa por esses dias na Argentina é suspeito. Suspeito de [ser] terrorista, ‘esquerdista’, suspeito em um nível que estamos vivendo intolerâncias, xenofobia, racismo e repressão muito graves. Então, é aí que nós dizemos: militarizaram nossa cidade de Buenos Aires. Não vai ter aviões, não vai ter ônibus. Há forças de segurança por todos os lados, todas elas coordenadas”, afirma a militante.

Ainda que o governo esteja implementando um grande esquema de suspensão de serviços e fechamento de ruas, movimentos populares e sindicais e organizações de direitos humanos planejam realizar uma marcha contra o G20 em Buenos Aires amanhã, dia do início do encontro.

Já nesta quinta-feira (29), as atividades de protesto se concentraram na Cúpula dos Povos, também em frente ao Parlamento.

Repressão

A marcha dos movimentos em repúdio ao G20 foi autorizada pelo Ministério de Segurança da Argentina, mas a militante Carina López diz não confiar que as forças de segurança possam realizar um trabalho que garanta o direito à manifestação de quem se mobiliza contra a cúpula econômica.

“A ministra de segurança chegou a dizer que era melhor sair da cidade de Buenos Aires, que as pessoas não somente não fiquem em suas casas, mas fiquem diretamente fora da cidade, porque não podem garantir a segurança. Hoje o governo argentino não pode garantir a segurança de uma partida de futebol, imagine se tem como garantir a segurança das pessoas, muitas, massivas, que querem se expressar contra uma cúpula mundial de presidentes”, avalia.

A repressão policial contra militantes sociais é mais um elemento da crescente violência pela qual passa o país, como aponta Manuel Bertoldi, do Movimento Popular Pátria Grande e da Alba Movimentos.

“Lamentavelmente, nos últimos dias, sofremos o assassinato de companheiros da Confederação de Trabalhadores da Economia Popular que desenvolviam tarefas de solidariedade, militantes em diferentes territórios. E essa é uma política do governo que, frente à não construção de políticas públicas para construir horizontes de justiça social, utiliza as forças repressivas como mecanismo de controle e disciplinamento social. E entendemos que nesse marco se constrói o G20”, analisa.

Contexto econômico

A Cúpula do G20 ocorre em um momento delicado na Argentina. O país atravessa atualmente uma grave crise econômica, que sustenta cifras como a de inflação deste ano na faixa dos 30% e juros acima de 60%. A desvalorização do peso argentino frente ao dólar gera uma perda do poder aquisitivo da população, com o aumento do preço dos produtos.

“Para nós, é uma provocação que hoje se esteja realizando a Cúpula do G20 no país em um contexto em que os argentinos e as argentinas estamos vivendo uma crise econômica na qual a situação que se vive a cada dia é de demissões massivas, de repressão, de assassinato de militantes populares, de precarização cada vez maior e de um aumento de preços que não se pode aguentar mais, o preço dos alimentos, dos aluguéis, do transporte”, expõe Carina López, da FPDS.

Para Manuel Bertoldi, do Movimento Pátria Grande, a Jornada de Lutas contra o G20 não é somente em repúdio aos governos dos países com as principais economias do mundo, mas também em denúncia às empresas multinacionais, que constroem um projeto que tem como único objetivo o lucro.

“Na sexta-feira, vamos fazer uma grande mobilização até o Congresso Nacional para denunciar essa Cúpula do G20, porque entendemos que o mundo está atravessando momentos muito difíceis, em que se acentua a pobreza, os excluídos. Há milhões de pessoas que estão sendo forçadas a sair de suas casas e de seus territórios, e entendemos que os principais líderes do mundo estão de costas para essa situação”, aponta.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Buenos Aires sitiada: "Quem sai de casa por esses dias é suspeito de terrorismo" - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV