Europa cada vez mais fortaleza. Desde 1990, 1.000 quilômetros de muros erigidos no Velho Continente

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21 Novembro 2018

Da questão de "imigração" se apoderaram os partidos europeus soberanistas transformando-a, como muitos outros desafios sociais e políticos, em um tema fundamental da segurança dos cidadãos e da nação. Símbolo dessa estratégia, orientada a conseguir consenso eleitoral, são os muros erguidos nos últimos anos, reais e virtuais.

A reportagem é publicada por Il Sismografo, 20-11-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

1000 quilômetros de muros, cercas e barreiras. Desde o final dos anos 1990 muito se construiu para fechar as fronteiras, para prevenir e reduzir o trânsito de pessoas que querem entrar na Europa ou que a querem atravessar. O recente relatório do Transnational Institute (TNI) explica que o equivalente a mais de seis Muros de Berlim foi erguido nos últimos 30 anos, justamente a partir daquele 1989, quando a barreira que havia se tornado símbolo de todas as divisões foi derrubada a golpes de martelo e ao som das notas do "Hino à Alegria" de Beethoven.

Há pouco de que se alegrar quando se leem os dados apresentados pelo estudo do TNI: dos 2 muros existentes em solo europeu, em 1990, passou-se para 15 em 2017; destes, 7 foram erguidas apenas em 2015, o annus horribilis para as políticas de fechamento e de defesa escolhidas pelos países da UE. Dos 28 países membros da União Europeia, 10 (Espanha, Grécia, Hungria, Bulgária, Áustria, Eslovénia, Reino Unido, Estónia, Letónia e Lituânia) ergueram muros em suas fronteiras para impedir a entrada de imigrantes.

A análise da agência, no entanto, não se limita a uma simples lista de estruturas construídas para fechar as fronteiras nacionais; propõe-se também a investigar como esse resultado foi alcançado. A partir de 11 setembro de 2001, e mais ainda nos últimos 10 anos, na maioria dos países europeus, os partidos políticos soberanistas e nacionalistas, apelando para os sentimentos de medo e incerteza da população, concentraram suas agendas políticas sobre temas como a segurança, a proteção, o controle e a vigilância interna. Nessa ótica, os fluxos migratórios para a Europa foram progressivamente apresentados como uma ameaça à segurança do estado, uma política voltada para criar no imaginário coletivo uma sensação de "segurança interna nas fronteiras" e de insegurança, ou "ameaça externa", da qual devemos nos defender a todo o custo, endurecendo as medidas de controle e de segurança e reduzindo as liberdades individuais.

Como sugere o título do estudo do Transnational Institute (Construir muros. Políticas do medo e da "securitização" da União Europeia) na Europa, em matéria do fenômeno da migração, foi criada uma verdadeira obsessão - e, portanto, uma necessidade, por vezes injustificada - de maior segurança, monitoramento e controle. Esses temas foram especialmente usados por partidos de extrema direita que, em todo o continente, muitas vezes manipularam dados e informações para incutir na opinião pública temor, desconfiança e ódio aos estrangeiros. As opiniões xenófobas e racistas dentro dessas formações eleitorais gradualmente aumentaram nos últimos anos, em paralelo com o aumento dos votos que tiveram em seus respectivos países e dos papéis cada vez mais importantes que acabaram assumindo [1].

Em um artigo de pouco mais de três anos atrás, publicado no Corriere della Sera, Stefano Montefiori escrevia, "nunca como nestes dias na França foi repetida a frase histórica pronunciada na TV em 3 de dezembro de 1989 pelo então primeiro-ministro Michel Rocard: ‘Nós não podemos acolher toda a miséria do mundo’. Os muros funcionam ou quase, então via livre para os muros”. Hoje, mais do que nunca, esta frase parece dramaticamente atual.

Nota:

[1] Em 28 estados membros da UE, existem 39 partidos políticos classificados como populistas de extrema-direita que tiveram pelo menos um assento parlamentar (no parlamento nacional ou no Parlamento Europeu). Após a conclusão desse relatório (julho de 2018), 10 estados-membros (Alemanha, Áustria, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Hungria, Itália, Polónia e Suécia) têm partidos xenófobos com uma presença forte e que, a partir de 2010, obtiveram grandes percentuais de votos. (...) Em alguns casos, como na Alemanha, Itália, Polónia e Suécia, houve um aumento alarmante, como no caso de Alternativa para a Alemanha (Alternative für Deutschland, AFD) que ganhou 94 cadeiras nas eleições de 2017 (um partido que não tinha representação parlamentar nas eleições de 2013), o partido Direito e Justiça (Prawo i Sprawiedliwość, PiS), na Polônia ganhou 235 cadeiras depois das eleições de 2015 (um aumento de 49%), e o forte crescimento da Liga Norte (LN) na Itália, passou de 18 lugares em 2013 para 124 em 2018 com reforço de seis ministros (incluindo o vice premiê e ministro do Interior, Matteo Salvini) no atual sexagésimo quinto governo da República italiana. (fonte: Building walls. Fear and securitization in the European Union).

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