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17 Outubro 2017

"Desde janeiro de 2017 até os dias de hoje, mais de 143 mil imigrantes desembarcaram na Europa pela rota do Mediterrâneo, 75% dos quais através da Itália. Na travessia, mais de dois mil perderam a vida" escreve Alfredo J. Gonçalves, padre carlista, assessor das Pastorais Sociais.

Eis o artigo.

Dia 12 de outubro de 2017, desembarcou no sul da Itália uma embarcação com cerda de 630 imigrantes, provinda das costas da Líbia. Desses recém-chegados, nada menos do que 241 eram crianças desacompanhadas. A grande maioria tinha como origem os mais diversos países da África. Alguns vinham da Síria. Violência, tensões, conflitos armados e falta de trabalho são as principais causas desse deslocamento de massa.

A embarcação representa uma brecha ou fissura no acordo recente feito entre a União Europeia e as autoridades da Líbia. Diante de semelhante acordo, tal como ocorrera com a Turquia, a Líbia deveria encarregar-se de manter os migrantes em seu país, em troca de investimentos europeus. Um muro invisível de diplomacia política. Uma forma de fechar as portas aos imigrantes com luvas de pelica.

Ocorre que, no território líbio, os campos de migrantes, refugiados e prófugos apresentam condições degradantes e infrahumanas. Superpopulação, maus tratos, incluindo a tortura, e falta de serviços básicos constituem o pão nosso de cada dia. Os “fugitivos” vivem ali em verdadeiros “infernos”, disputando as migalhas de uma assistência precária. Semelhante situação e a presença disfarçada dos traficantes os pressionam em direção ao mar e à Europa, nas busca de uma oportunidade.

Desde janeiro de 2017 até os dias de hoje, mais de 143 mil imigrantes desembarcaram na Europa pela rota do Mediterrâneo, 75% dos quais através da Itália. Na travessia, mais de dois mil perderam a vida nesse “cemitério de migrantes”. Uma vez mais, “gestir” os fluxos migratórios de forma adequada não é erguer muros – visíveis ou invisíveis – mas construir pontes de acolhida, inserção social, inclusão e verdadeira cidadania.

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