América Latina. Rede Igrejas e Mineração convoca para uma “Campanha do Desinvestimento”

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13 Novembro 2018

O Fórum Social Temático sobre Mineração e Extrativismo, que será realizado em Joanesburgo (África do Sul), de 11 a 15 de novembro, analisará a viabilidade de se implementar uma campanha mundial orientada a conquistar o desinvestimento em projetos de mineração. Este é o chamado que a Rede Igrejas e Mineração faz. Uma campanha dirigida a pessoas, empresas e entidades das igrejas que investem seus recursos econômicos no setor mineiro, sem levar em conta que a mineração é uma atividade que historicamente se caracterizou por depredar a natureza e violentar os direitos das pessoas e comunidades.

A reportagem é publicada por Vatican News, 11-11-2018. A tradução é do Cepat.

Recordamos que a Rede Igrejas e Mineração é um espaço ecumênico, formado por comunidades cristãs, equipes pastorais, congregações religiosas, grupos de reflexão teológica, leigas, leigos, bispos e pastores que buscam responder aos desafios dos impactos e violações dos direitos socioambientais provocados pelas atividades mineiras nos territórios onde vivemos e trabalhamos.

América Latina: a pilhagem de ontem e de hoje

A Rede recorda que os territórios latino-americanos, sob a cosmovisão dos povos originários, com sua gente incluída, vêm atravessando da conquista até o presente situações de pilhagem dos bens do subsolo e avassalamento de sua autonomia.

No caso específico da mineração de ouro, não foi suficiente para o capital tudo o que foi extraído por séculos, a história de pilhagem tem seu correlato na atualidade através de empresas de capitais europeus, chineses, mas fundamentalmente canadenses e dos Estados Unidos, que sobe a consigna de “nova mineração” ou “desenvolvimento sustentável”, instalam-se nas populações, substituem o papel dos Estados e frente à retirada dos mesmos, na cobertura das necessidades básicas dos habitantes, impõem a realização de seus empreendimentos. À luz dos acontecimentos, o resultado se distancia da proposta inicial, já que aqueles que tiveram acesso viram que não existe tal desenvolvimento sustentável e se utilizam múltiplos mecanismos para cooptar diversos atores sociais e governamentais, de modo que conseguem o silêncio frente às violações dos direitos socioambientais.

A América Latina conta com um longo histórico de desastres ambientais e perda de vidas e diversidade por causa deles. Em San Juan, Argentina, em setembro de 2015, ocorreu um derramamento de milhões de litros de solução de cianeto nos rios da região, provenientes da mina Veladero, propriedade de Barrick e Shandong Gold. Os moradores foram alertados da situação por um operário da mina, que avisou sua família residente no povoado de Jáchal, onde foram ativados mecanismos de alerta gerados pelos próprios moradores, sem a participação do Estado e nem empresa, até que a situação ganhou relevância nos meios de comunicação. Outro fato ocorreu na comunidade de Bento Rodrigues, no Estado de Minas Gerais, Brasil. Por conta do rompimento de duas barragens da empresa Samarco, carregadas de substâncias tóxicas, foram derramados cerca de 55 milhões de metros cúbicos, o que gerou uma enchente que arrasou com a população, com 19 pessoas perdendo suas vidas e os dejetos mineiros chegaram ao Atlântico, percorrendo quase 700 km, envenenando a água dos rios e as populações adjacentes.

Desenvolvimento sustentável e os espelhos coloridos

As comunidades em todos os lugares do continente foram tomando consciência da grave crise socioambiental que atravessamos como humanidade e, neste sentido, se organizaram para defender os territórios, a vida que contêm de forma integral. Como resultado da discussão coletiva e as contribuições de diversas organizações, muitas delas vinculadas às Igrejas, aposta-se em reverter esta situação que se tornou insustentável e que é claramente incompatível com o equilíbrio que necessitamos para nos desenvolver de forma sustentável.

Nesse sentido, desde o ano 2013, a Rede Igrejas e Mineração, formada por uma multiplicidade de organizações e agentes pastorais que desenvolvem sua atividade no território, propõe-se a articular as iniciativas de resistência, gerar uma ampla rede de comunicação e difusão das ferramentas disponíveis e das violações aos direitos socioambientais que ocorrem de forma permanente por parte das corporações e os Estados. Também se almeja gerar incidência em âmbitos que resultariam inalcançáveis para as comunidades por si sós, já que a disponibilidade de recursos com que as empresas contam lhe permite se articular com as esferas onde são tomadas as decisões de maneira cômoda.

Já no Documento de Aparecida, nós, Cristãos, fomos chamados a observar com especial cuidado que: “nas intervenções sobre os recursos naturais não predominem os interesses de grupos econômicos que arrasam irracionalmente as fontes de vida” (DA 471) e a Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, nos chama a “não deixar de reconhecer que um verdadeiro pensamento ecológico se converte sempre em um pensamento social, que deve integrar a justiça nas discussões sobre o meio ambiente, para escutar tanto o clamor da terra, como o clamor dos pobres” (LS 49). Todos estes delineamentos que surgem como gritos desesperados das comunidades e a terra que habitamos foram recentemente reunidos na Carta Pastoral: Discípulos missionários guardiões da Casa Comum, publicada pelo CELAM. Nela encontramos as pistas que nos permitem elucidar a grave crise que a nossa Mãe Terra atravessa e que posicionamento nós, cristãos, devemos assumir para preservar a continuidade de toda a Criação.

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