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06 Novembro 2018

Na próxima quarta-feira (7), começam os trabalhos da equipe de transição, sob comando do deputado gaúcho Onyx Lorenzoni (DEM), em Brasília. A promessa de renovação, sem a participação de políticos da "velha escola", e a busca pela soberania nacional parecem ideais distantes da equipe que tomará posse em janeiro.

A reportagem é de Juca Guimarães, publicada por Brasil de Fato, 05-11-2018.

Os nove postos cujos comandantes já estão definidos, ou próximos de definição, podem ser divididos em três eixos de interesse: neoliberaismilitares e políticos tradicionais. O que há em comum entre eles – inclusive entre os liberais, no campo da economia – é o conservadorismo político.

O bloco com maior representatividade é o militar, que preenche 50% das vagas. Além do próprio presidente eleito, que é capitão reformado do Exército, o novo governo terá o general Hamilton Mourão, no palácio do Jaburu (residência oficial do vice-presidente), o general Augusto Heleno Pereira, no Ministério da Defesa, e o ex-piloto da aeronáutica e astronauta Marcos Pontes, na pasta de Ciência e Tecnologia.

Na contramão do ideal nacionalista e de proteção das riquezas brasileiras, Bolsonaro terá os neoliberais Paulo Guedes e Sérgio Moro, respectivamente, nas pastas da Fazenda e da Justiça.

Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, a historiadora Patrícia Valim escancarava essa fragilidade antes mesmo da confirmação do resultado das urnas: "[Bolsonaro] é uma pessoa absurdamente despreparada, que se apresenta como nacionalista. Porém, até este nacionalismo é discutível, porque ele quer privatizar tudo”, disse, lembrando que o militar não vê problemas em suas próprias contradições. "Trata-se de uma pessoa autoritária, sem jeito para o diálogo, que muda de opinião três vezes no mesmo dia. Ele diz uma coisa de manhã e outra de tarde", finaliza.

Guedes defende a privatização de empresas públicas mesmo em setores estratégicos para a economia, e aposta na redução do Estado como saída para a crise. Moro cumpriu papel semelhante em meio à operação Lava Jato, que levou à fragilização da Petrobrás e abriu caminho para a entrega do pré-sal pelo governo Michel Temer (MDB): em vez de punir os executivos corruptos, o juiz de Curitiba interrompeu contratos da estatal com empreiteiras em todo o país, aprofundando o desemprego e a recessão.

Outra contradição evidente nas escolhas de Bolsonaro é a relação com a "velha política": figurinhas carimbadas do Congresso Nacional foram convidadas a participar do governo em cargos de decisão – apesar do discurso "antissistema" e "anti-corrupção" apregoado pelo candidato de extrema direita e seus apoiadores.

Na Casa Civil e no comando da transição, Lorenzoni mantém vínculos com os parlamentares ruralistas e faz parte da chamada "bancada da bala". Há mais de 15 anos na política, ele também participou da base de apoio de Michel Temer e foi favorável à reforma trabalhista.

Para o cientista político Marcio Juliboni, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a escolha de Lorenzoni representa a maior contradição no discurso eleitoral de Bolsonaro

"O Onyx Lorenzoni não é um personagem 100% idôneo. Ele apareceu na Lava Jato, admitiu ter recebido caixa 2 da JBS. Enfim, ele representa aquela mesma velha política 'de balcão' que o Bolsonaro diz que vai combater", analisa. "Se, por um lado, ele [Lorenzoni] fala a língua de uma parte considerável do Parlamento, porque conhece o apetite por verbas, por emendas e por cargos, por outro lado, vai ter que posar de combatente da moral e bons costumes", completa.

Armadilha

A presença de políticos tradicionais em cargos de primeiro escalão do governo Bolsonaro deve aumentar com a indicação de integrantes de partidos que integraram a coligação "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". 

O Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), do vice Mourão, deve indicar o nome de Levy Fidelix, presidente da legenda. O Partido Republicano Brasileiro (PRB), braço político da Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, também deve ter participação no governo. 

Outro político veterano que deve integrar a equipe é o ex-senador Magno Malta, indicado para o Ministério da Família – pasta que será criada em substituição a vários órgãos de assistência social

O ex-senador e futuro ministro de Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal em 2017 por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva por participar de um esquema de compras superfaturadas de ambulâncias para prefeituras com dinheiro do orçamento – conhecido como escândalo da sanguessugas.

Na interpretação de Juliboni, o presidente eleito está armando uma armadilha para si mesmo: "Ele quer um governo idôneo sustentado por uma base fisiológica", aponta.

Jair Bolsonaro disse, na semana passada, que Magno Malta é um "irmão eterno", e reafirmou que pretende tê-lo sempre a seu lado na Presidência.

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