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Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 19 Outubro 2018

O caos econômico na Argentina se reflete em conflitos políticos. Na quinta-feira, 18-10-2018, o país apareceu como a 5ª maior inflação do mundo em relatório do Fundo Monetário Internacional – FMI. As entidades sindicais e a oposição convocaram um ato por “Pan, Paz y Trabajo” na Basílica de Lujan, o Santuário Nacional da Argentina. Dom Jorge Lugones, presidente da Comissão Episcopal para Pastoral Social, recebeu na quarta-feira os líderes da oposição para debater sobre a situação dos trabalhadores diante da inflação, deterioração dos salários e fechamento de empresas.

A inflação argentina apresenta um crescimento constante. O relatório de Perspectivas da Economia Mundial publicado pelo FMI nessa quinta-feira, 18-10-2018, classifica o país como a 5ª maior inflação do mundo, atrás apenas de Venezuela, Sudão, Sudão do Sul e Irã. Segundo as projeções da organização, a inflação acumulada ao fim de 2018 pode ser superior a 40%.O último ano em que o índice fechou abaixo dos dois dígitos foi em 2011.

A crise do governo Mauricio Macri é alvo constante dos sindicatos que nesses três anos já organizaram pelo menos três greves gerais em todo o país. Hoje, seu principal inimigo público é Hugo Moyano, líder do sindicato dos caminhoneiros da Argentina, e presidente do Club Atlético Independiente, de Avellaneda. Moyano tem encabeçado as manifestações de caminhoneiros junto com seu filho Pablo. Nessa semana, o juiz federal Sebastián Scalera, solicitou a detenção deste por ser suspeito de fazer parte de uma associação ilícita vinculada à torcida do Independiente.

Após o pedido de prisão, a Confederacion General del Trabajo – CGT, a maior organização sindical do país, acusou que o governo e a justiça estão fazendo perseguição política. Segundo comunicado publicado, a CGT entende que a família Moyano sofre uma perseguição orquestrada. “Não passa sequer ao mais distraído, a vontade explícita do governo de levar a família Moyano a prisão”. O sindicato ameaçou a convocação de uma greve geral no país, caso Pablo, que está em viagem ao exterior, seja preso. Macri rebateu a entidade dizendo que “ninguém pode acreditar estar acima da lei”.

Diante da polêmica, Hugo Moyano buscou apoio junto à Conferência Episcopal Argentina – CEA. Na quarta-feira, 17-10-2018, foi recebido pelo bispo de Lomas de Zamora, Jorge Lugones, também presidente da Comissão Episcopal para Pastoral Social. Segundo o comunicado oficial da CEA, o encontro foi organizado para debater sobre a situação dos trabalhadores com a alta inflação, a deterioração dos salários e o fechamento de empresas.

A Comissão também informou que o dom Fernando Maletti, bispo de Merlo-Moreno, representou a Igreja em reunião com a ministra de Desenvolvimento Social Carolina Stanley. O posicionamento oficial da Igreja é de que o país precisa de um “diálogo frutífero entre todos os setores com responsabilidade institucional ou social para oferecer soluções a quem mais necessita”.

A visita de Moyano precedeu a de congressistas kirchneristas a Lugones. No mesmo dia se encontraram na Basílica de Nossa Senhora de Lujan, padroeira da Argentina, para receber o aval para realização da manifestação por “Pão, Paz e Trabalho” no Santuário Nacional, nesse sábado, 20-10-2018. O ato está sendo convocado como uma manifestação de fé, de caráter ecumênico. Os bispos argentinos anunciaram que não estão na organização, que é composta somente pelos sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos, tendo a Igreja apenas cedido o espaço.

Entretanto a reunião chamou a atenção dos principais jornais argentinos. O La Nación noticiou “Piscadela da Igreja a Moyano”. Já o Clarín trouxe em sua manchete “Gesto da Igreja para Hugo Moyano em meio à briga com o governo”. Já o jornal mendocino Los Andes afirmou que a reunião é um "gesto de apoio da Igreja aos Moyanos contra Macri". O La Nación na sua reportagem ainda trouxe as relações de Lugones com o peronismo. O bispo é irmão de Carlos Eduardo Lugones, militante da Juventud Peronista, desaparecido na ditadura, e tio de três políticos do Partido Justicialista, o mesmo dos ex-presidentes Nestor e Cristina Kirchner. Ambos os periódicos apontaram que nessa mesma semana a Pastoral Social já emitira uma nota saudando o trabalho dos movimentos sociais em meio à crise.

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