‘Igrejas clandestinas’ apoiam o acordo entre China e Vaticano incondicionalmente, diz pastor

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09 Outubro 2018

Há mais de 20 anos, quando Luo Wen, então seminarista da diocese de Mindong, na província de Fujian, no leste da China, estava fazendo a formação para ser padre, ele às vezes discutia o futuro da igreja com seu professor, Guo Xijin, que na época era sacerdote.

A reportagem é de Zhang Yu, publicada por Global Times, 07-10-2018. A tradução é de Luisa Flores Somavilla.

"O Padre Guo nos disse que se chegasse um dia em que a China e o Vaticano normalizassem suas relações, nós, da igreja clandestina, seríamos marginalizados", disse Guo ao Global Times.

“Afinal, não temos a oportunidade de receber instrução formal em teologia, e nosso conhecimento teológico e nossas ideias não se comparem aos dos padres que se formaram em seminários formais.”

Luo faz parte da “igreja clandestina” da China, que por décadas foi separada da Associação Patriótica Católica Chinesa (APCC), do Estado, jurando lealdade ao Papa, mas considerada ilegal pelo governo chinês.

Mas com a assinatura de um acordo provisório histórico entre a China e o Vaticano no dia 22 de setembro, o que foi previsto pelo bispo Guo Xijin há 20 anos - a normalização das relações entre a China e o Vaticano - pode se tornar realidade, apesar de a igreja clandestina não ser necessariamente “marginalizada”.

Joseph Zhang (pseudônimo), padre numa igreja no norte da China que faz parte da Associação Patriótica Católica Chinesa do Estado, disse que o mundo lá fora não deveria polarizar as duas igrejas. Ele pediu anonimato pela complexidade da questão.

“Para mim, as igrejas clandestinas e as igrejas aprovadas pelo Estado sempre pertenceram a uma só igreja”, revelou ao Global Times.

Luo, que agora é padre, citou a história do início do texto para mostrar que as igrejas clandestinas sempre estiveram psicologicamente preparadas para um acordo como esse.

Segundo Luo, mesmo que um dia os detalhes do acordo completo sejam revelados e não sejam os que esperávamos, ele seguirá o acordo incondicionalmente. “Nossa obediência nada tem a ver com ganhos ou perdas pessoais, mas é o que a nossa fé nos exige, e exige de todos os membros do clero”, disse.

“O acordo vai, no mínimo, prevenir a nomeação ilegal de bispos e permitir que a Igreja Católica Chinesa esteja em total comunhão com o Papa”, acrescentou.

Numa carta endereçada aos católicos da China e à Igreja Católica Romana no dia 26 de setembro, o Papa Francisco pediu que a comunidade católica da China esteja “unida, para superar as divisões do passado que causaram e continuam a causar grande sofrimento nos corações de muitos fiéis e pastores”. Ele disse que todos os cristãos devem demonstrar gestos de reconciliação e comunhão.

O pedido do Papa foi bem recebido pelos católicos chineses.

As organizações católicas aprovadas pelo governo chinês disseram que “apoiarão plenamente” o acordo provisório, conforme declaração publicada no site da Igreja Católica da China no dia 23 de setembro.

Integridade e habilidade

Apesar de o acordo provisório marcar o primeiro passo para estabelecer laços entre a China e o Vaticano, muitas questões permanecem sem solução. Apesar de o Vaticano ter reconhecido sete bispos nomeados sem aprovação papal prévia, o futuro dos bispos da igreja clandestina que não foram reconhecidos pelo governo chinês, estimados em mais de 30, continua incerto.

Zhang afirma que espera que sejam reconhecidos em breve.

A professora Wang Meixiu, especialista em estudos católicos na Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse que apesar de ser cedo para dizer o que vai acontecer com os bispos da igreja clandestina no futuro, está otimista de que ambos os lados façam um esforço para resolver a questão.

"A questão dos bispos clandestinos é complicada e requer muita ponderação e discussão de ambos os lados e muito tempo para ser resolvida. Mas com o acordo provisório, os dois lados terão de trabalhar nisso passo a passo", disse ela ao Global Times.

“Sejam os bispos originalmente da igreja apoiada pelo governo ou da igreja clandestina, esperamos que os mais estimados e com integridade e habilidade sejam os líderes das dioceses”, disse Luo.

Os diálogos entre a China e o Vaticano também receberam oposição de críticos de longa data, como o cardeal de Hong Kong Joseph Zen Ze-kiun.

No dia 3 de outubro, pela primeira vez em décadas, dois bispos católicos do território chinês participaram do sínodo, um grande encontro do Vaticano no mundo todo, segundo o site da Sala de Imprensa do Vaticano. Um deles é o bispo Guo Jincai, um dos sete recentemente reconhecidos pelo Vaticano.

No entanto, o cardeal Zen escreveu em seu blog que sua participação é “um insulto aos bons bispos da China e ao sínodo dos bispos católicos”.

Para Luo, o cardeal Zen teria muito a ganhar se mudasse de opinião.

“O acordo é uma realidade. O que temos de fazer é encará-la e conduzir o futuro para um caminho melhor”, disse ele ao Global Times.

Em resposta à afirmação do cardeal Zen de que a Igreja Católica estava “traindo” as igrejas católicas clandestinas em janeiro, o Vaticano afirmou, numa declaração, que era surpreendente e lamentável que algumas pessoas na igreja estivessem “semeando confusão e controvérsias”, segundo a Reuters.

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