Padres casados, a abertura do cardeal Parolin: ''É preciso se interrogar sobre o celibato. O magistério não é um monólito imutável''

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03 Outubro 2018

Ainda em 2013, o secretário de Estado vaticano havia afirmado que “o celibato sacerdotal não é um dogma da Igreja”. Francisco convocou ao Vaticano, em outubro de 2019, o Sínodo especial dos bispos para a Amazônia, que também refletirá sobre a possibilidade de conferir a ordenação sacerdotal a homens casados, tecnicamente chamados de “viri probati”.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada em Il Fatto Quotidiano, 02-10-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Igreja Católica se abrirá aos padres casados? Quem se pronunciou em um debate que chama cada vez mais atenção também na opinião pública foi o secretário de Estado vaticano, o cardeal Pietro Parolin, em uma entrevista exclusiva ao jornal America Oggi.

“Estou convencido – afirmou o purpurado – que é preciso hoje se interrogar se o celibato viveu todas as suas potencialidades e se é apreciado e valorizado em cada Igreja particular. Não esperaria nenhuma mudança drástica sobre esse aspecto, senão em uma perspectiva de um gradual aprofundamento dele em benefício do povo de Deus e, em particular, da exigência principal da fé: o anúncio do Evangelho ao ser humano.”

Segundo Parolin, “o magistério não é um monólito imutável, mas sim um organismo vivo que cresce e se desenvolve. A sua identidade real não muda, mas se enriquece. A Igreja murcharia se não se desenvolvesse. Nesse sentido, as questões de hoje devem ser abordadas valorizando a preciosa herança da nossa história para lhes dar uma resposta que permita que o povo de Deus cresça e se desenvolva harmoniosamente. Às vezes, além disso, levantar perguntas é quase mais importante do que dar respostas. Assim como também é importante entender que nem todas as perguntas podem receber uma resposta imediata. Assim como não devemos nos atemorizar diante de temas que dizem respeito à disciplina da Igreja, que pode sofrer adaptações. Por exemplo, o ensinamento sobre o celibato eclesiástico, que remonta à tradição apostólica, encontrou ao longo da história diferentes modalidades de expressão na maioria das Igrejas católicas orientais, em que grande parte dos padres já são legitimamente casados”.

Ainda em 2013, o purpurado havia afirmado que “o celibato sacerdotal não é um dogma da Igreja e pode ser discutido porque é uma tradição eclesiástica”. Muitas vezes, especialmente à luz dos muitos escândalos sexuais que têm como protagonistas padres, bispos e cardeais, perguntou-se se uma solução possível era a de abolir o celibato.

Bergoglio repetidamente lembrou que a Igreja Católica também tem padres casados: “Os católicos gregos, os católicos coptas. Há padres casados no rito oriental. Porque o celibato não é um dogma de fé, é uma regra de vida que eu aprecio muito e acredito que é um dom para a Igreja. Não sendo um dogma de fé, há sempre a porta aberta”.

Não por acaso, Francisco convocou ao Vaticano, em outubro de 2019, o Sínodo especial dos bispos para a Amazônia, que também refletirá sobre a possibilidade de conferir a ordenação sacerdotal a homens casados, tecnicamente chamados de viri probati.

Não são padres casados, portanto, mas homens casados que se tornam padres sem deixar a sua família. “Um dos pontos principais a ser escutado será o lamento de milhares dessas comunidades privadas da Eucaristia dominical por longos períodos”.

Bergoglio enfatizou repetidamente a necessidade de “refletir se os ‘viri probati’ são uma possibilidade, e também devemos estabelecer quais tarefas eles podem assumir, por exemplo, em comunidades isoladas. A Igreja deve reconhecer o momento certo no qual o Espírito pede algo”.

Obviamente, isso se torna necessário sobretudo naqueles países em que a queda das vocações é tão alta que não permite que os poucos padres presentes no território possam ir ao encontro de todos os fiéis com certa assiduidade, pelo menos para garantir a missa dominical.

O prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Beniamino Stella, está estudando há muito tempo esse dossiê a pedido de Bergoglio. No livro Tutti gli uomini di Francesco [Todos os homens de Francisco], escrito pelo vaticanista do Mediaset Fabio Marchese Ragona, o purpurado esclareceu que “se trata de um tema que, muitas vezes, vem à tona. O risco é de que haja leituras instrumentais e ideológicas”.

Para Stella, das palavras de Bergoglio, “emerge a intuição do pontífice, que exorta a Igreja a reconhecer o momento certo no qual o Espírito sugere algo. Isto é, não se trata de ser a favor ou contra alguma coisa, mas sim de avaliar com atenção as diversas possibilidades, sem fechamentos nem rigidez. Em relação à crise das vocações, em algumas áreas do mundo, pensemos por exemplo na Amazônia ou nas remotas Ilhas do Pacífico, mas não só, há um agudo sofrimento por uma verdadeira ‘emergência sacramental’ que os poucos sacerdotes presentes não conseguem satisfazer. Trata-se de se perguntar como responder a essa urgência, levando em consideração, pelo menos para algumas comunidades mais isoladas, a possibilidade de confiar a evangelização e a celebração dos sacramentos a ‘viri probati’”.

Para o cardeal, há possibilidades muito concretas para que isso ocorra. “Do estudo da questão – afirma Stella – emergem perspectivas interessantes, das quais poderia ser avaliado o porte efetivo, como por exemplo a possibilidade de ordenar, em algumas comunidades, alguns ‘anciãos’, de acordo com a proposta que o bispo emérito de Aliwal, na África do Sul, Dom Lobinger, fez há alguns anos atrás. Aqui, a ênfase não é aos indivíduos ‘viri probati’ que são ordenados, mas sim a maturidade e a responsabilidade da comunidade cristã, da qual poderiam surgir alguns ‘anciãos’, que, depois de receberem a ordenação, se ocupariam de garantir a celebração eucarística, o sacramento da reconciliação e o da unção dos enfermos”.

Para o purpurado, “onde surgir essa urgência, se poderá pensar na ordenação de ‘anciãos’, que, continuando a conservar a família e o trabalho, e recebendo uma formação contextualizada ao ambiente, poderiam oferecer um serviço de tempo parcial na mesma comunidades de onde provêm, para garantir a pastoral sacramental e, em particular, a presidência da celebração eucarística”.

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