Bispos chineses poderão participar do próximo Sínodo

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27 Setembro 2018

Giovanni Battista Yang Xaoting e Giuseppe Guo Jincai são os dois primeiros bispos [chineses] católicos que poderão participar em uma assembleia geral do Sínodo da Igreja católica.

A reportagem é de Gianni Valente, publicada por Vatican Insider, 26-09-2018. A tradução é de Graziela Wolfart

Foi Fue Wang Zuo'an, atual “número dois” da “Frente Unida” (segundo indicam fontes chinesas ao Vatican Insider) que comunicou, durante um encontro com os representantes da Associação patriótica dos católicos chineses e da Conferência Episcopal, os nomes dos dois bispos que receberam a autorização necessária para deixar o país e se dirigir a Roma durante o mês de outubro, para participar (salvo surpresas) na assembleia sinodal sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional, que começará no próximo dia 3 de outubro.

Wang Zuo’an é, há muitos anos, diretor da Administração estatal para assuntos religiosos (SARA). Até agora [isso] nunca havia acontecido. Nunca antes sucessores dos apóstolos provenientes da China puderam participar em um encontro da instituição permanente do Colégio Episcopal da Igreja católica, constituída por Paulo VI em 1965. Depois da assinatura do acordo provisional entre a Santa Sé sobre as modalidades para nomear os bispos chineses, a participação de dois representantes do episcopado chinês no Sínodo dos bispos seria outro sinal importante de que a Igreja começa a seguir pelo caminho da normalidade, superando progressivamente todas as anomalias que caracterizaram a condição do catolicismo durante os últimos 70 anos.

Alguns bispos chineses foram convidados sem sucesso em 1998, durante o Pontificado de João Paulo II (Mattia Duan Yinming e Giuseppe Xu Zhixuan, bispos de Wanxian), e em 2005, durante o Pontificado de Bento XVI (Antonio Li Duan de Xi'an, Aloysius Jin Luxian de Xangai, Giuseppe Wei Jingyi Qiqihar e Lucas Li Jingfeng de Fengxiang).

Giovanni Battista Yang Xiaoting, de 54 anos, foi ordenado sacerdote de Zhouzhi em 1991. Estudou na Itália a partir de 1993 e obteve o doutorado em Sagrada Escritura pela Universidade Urbaniana em 1999. De 2000 a 2002 continuou estudando nos Estados Unidos, onde se licenciou em Sociologia. Foi nomeado pelo Papa Bento XVI coadjutor de Yan’an em 2006, deu aulas no seminário de Xi’an desde 2002 até que foi ordenado bispo em 15 de julho de 2010 com o mandato pontifício e com o reconhecimento do governo. Foi o primeiro sacerdote chinês que obteve um doutorado em uma Universidade Pontifícia depois dos anos setenta do século passado. Em março deste ano, o bispo Yang participou em Roma da Conferência Internacional: “Cristianismo na China. Impacto e inculturação”, promovida pela Faculdade de Missiologia da Pontifícia Universidade Gregoriana, com o apoio de Yuan Dao Study Center, e apresentou uma dissertação sobre as obras de caridade e sociais da Igreja católica na China.

Giuseppe Guo Jincai, de 50 anos, oriundo de Chengde e atual Secretário geral da Conferência dos bispos chineses (organismo ainda não reconhecido pela Santa Sé), estudou no seminário de Hebéi até 1992. Foi ordenado bispo de Chengde sem mandato pontifício em novembro de 2010. A ordenação episcopal (a primeira administrada ilegitimamente a partir de 2006) foi realizada apesar dos protestos da Santa Sé.

Participaram da ordenação 8 bispos chineses legítimos, alguns sob pressão dos aparelhos governamentais.

Guo Jincai é um dos sete bispos canonicamente legitimados e que voltaram a ser recebidos na comunhão plena pelo Papa Francisco, no marco do diálogo que levou ao acordo sino-vaticano sobre os critérios para selecionar os futuros bispos chineses.

A diocese de Chengde foi fundada em 2010 segundo indicações do governo, para que coincidissem as entidades eclesiais com as administrativas. O Papa acaba de instituir a diocese de Chengde, reconhecida no sistema diocesano local como diocese “sufragânea de Pequim, com sede episcopal na Igreja catedral de Jesus o Bom Pastor”.

Veja o vídeo em inglês, com legenda em português, realização da revista America, sobre a Igreja na China

 

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