Papa reza no gueto de Lituânia: "Não permitas que sejamos surdos ao grito de todos os que hoje continuam clamando ao céu"

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24 Setembro 2018

Completam-se 75 anos do genocídio da população judia na Lituânia. O Museu da Ocupação foi a antiga sede e cárcere da Gestapo, e posteriormente da KGB. Ali morreram dezenas de milhares de pessoas, judeus e opositores ao regime comunista. Até aqui quis chegar Francisco, que em sua oração pediu ao Senhor que "não permitas que sejamos surdos ao grito de todos os que, hoje, continuam clamando ao céu".

Os nomes de todos os mortos ocupam os tijolos da fachada. Alguns deles também foram bispos e religiosos. Francisco, acompanhado pelo arcebispo de Vilnius e por um bispo sobrevivente da barbárie, e descendente de deportados, quis orar em silêncio por todas as vítimas de todas as violências do mundo.

A informação é publicada por Religión Digital, 23-09-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

Antes, acompanhado pela presidente da Lituânia, fez uma breve parada de oração diante do Monumento às Vítimas do gueto. Na Praça Rüdniku, uma mulher, membro da comunidade judia, saudou o Pontífice, que lhe entregou um ramo de rosas brancas e amarelas (as cores do Vaticano) e se manteve durante vários minutos em oração pelas vítimas de toda a barbárie totalitária.

Francisco visitou algumas celas, e acendeu uma luminária em homenagem aos que perderam a vida naquele lugar de morte e destruição das consciências, e assinou no livro de visitas. Depois, se dirigiu ao lugar das execuções e, posteriormente, depois de sair do recinto, caminhou até o monumento às vítimas do comunismo, onde fez a entrega de outro ramo de flores.

Com o semblante sério, duro, dolorido, que se manteve durante toda a visita, Francisco conduziu uma breve oração, na qual fez suas as palavras de Cristo na cruz. "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?".

Um grito que "não deixa de ressoar, e faz eco nestas paredes que recordam os sofrimentos vividos por tantos filhos deste povo. Lituanos e provenientes de diferentes nações sofreram em sua carne o desejo prepotente de quem pretendia ter o controle de tudo".

"Em teu grito, Senhor, encontra eco o grito do inocente que se une a tua voz e se eleva até o céu", clamou o Papa, lamentando "a desolação e a impotência, a crueldade e o absurdo que viveu este povo lituano diante da ambição desenfreada que endurece e cega o coração".

"Neste lugar de memória – destacou –, te imploramos Senhor, que teu grito nos mantenha despertos. Que teu grito, Senhor, nos livre da doença espiritual à qual, como povo, estamos sempre tentados: nos esquecer de nossos pais, do que se viveu e sofreu".

"Que aquele grito seja estímulo para não nos acomodarmos às modas do momento, aos slogans simplificadores, e a toda tentativa de reduzir e privar a qualquer pessoa da dignidade com a qual Tu a revestiu", acrescentou, pedindo que "Lituânia seja farol de esperança".


Papa Francisco rezando em frente ao Monumento às Vítimas do gueto. Foto: Vatican Media

"Que seja terra da memória, que renove compromissos contra toda injustiça. Que promova tentativas criativas pela defesa dos direitos de todas as pessoas, especialmente dos mais indefesos e vulneráveis. E que ensine como reconciliar e harmonizar a diversidade".

Oração do Papa no Museu da Ocupação e da luta pela liberdade

Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27,47).

Teu grito, Senhor, não deixa de ressoar, e faz eco nestas paredes que recordam os sofrimentos vividos por tantos filhos deste povo. Lituanos e provenientes de diferentes nações sofreram em sua carne o desejo prepotente de quem pretendia ter o controle de tudo.

Em teu grito, Senhor, encontra eco o grito do inocente que se une a tua voz e se eleva até o céu. É a Sexta-Feira Santa da dor e da amargura, da desolação e da impotência, da crueldade e do absurdo que viveu este povo lituano diante da ambição desenfreada que endurece e cega o coração.

Neste lugar de memória, te imploramos Senhor que teu grito nos mantenha despertos. Que teu grito, Senhor, nos livre da doença espiritual à qual, como povo, estamos sempre tentados: nos esquecer de nossos pais, do que se viveu e sofreu.

Que em teu grito e nas vidas de nossos ancestrais, que tanto sofreram, encontremos a coragem para nos comprometer decididamente com o presente e com o futuro; que aquele grito seja estímulo para não nos acomodarmos às modas do momento, aos slogans simplificadores, e a toda tentativa de reduzir e privar a qualquer pessoa da dignidade com a qual tu a revestiu.

Senhor, que a Lituânia seja farol de esperança. Seja terra da memória operosa que renove compromissos contra toda injustiça. Que promova tentativas criativas na defesa dos direitos de todas as pessoas, especialmente dos mais indefensos e vulneráveis. E que ensine como reconciliar e harmonizar a diversidade.

Senhor, não permitas que sejamos surdos ao grito de todos os que hoje continuem clamando ao céu.

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