Chile. Celebrado o Te Deum, sem a presença de Ezzati e com protestos

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19 Setembro 2018

O Te Deum, a celebração ecumênica em homenagem à Pátria, ocorreu na Catedral de Santiago. Nessa terça-feira, 18-09-2018, sem a presença de Ricardo Ezzati, arcebispo de Santiago, as tensões marcaram a festividade, antes, durante e depois a celebração.

A Primeira Junta de Governo Nacional no Chile se estabeleceu em 18 de setembro de 1810. Oito anos antes da própria independência do país. Desde então, celebram-se nesse dia, anualmente, as Festas Pátrias. A principal delas é o Te Deum, celebração inicialmente católica, mas que a pedido de Salvador Allende, em 1971, tornou-se ecumênica. Como tradição, as celebrações ocorrem por todo país. Na capital, Santiago, ocorre a festa oficial da República.

Entretanto, ao contrário da tradição, o arcebispo de Santiago não presidiu a celebração. O cardeal Ricardo Ezzati, denunciado por encobrimento de casos de abuso sexual, anunciou ainda em agosto que Juan de La Cruz Sanchez, pároco da Catedral, seria o celebrante. Nessa terça-feira, o cardeal nem compareceu à celebração, deixando apenas uma mensagem protocolar de saudação e abertura, lida por Sanchez. Houve pressão inclusive presidencial para que Ezzati não estivesse nos holofotes, o governo cogitava não comparecer à celebração caso a Igreja mantivesse o cardeal à frente do Te Deum.

Em meio ao clima hostil que vive a Igreja chilena, a assistência esperada foi baixa. Pela primeira vez na história o Te Deum não foi transmitido em canais abertos de televisão. Antes da celebração o prefeito de Santiago, Felipe Alessandri, concedeu entrevista afirmando que “a Igreja sofreu um duro golpe”, mas espera que “se persiga a responsabilidade dos indivíduos e também da instituição”. Além da situação incômoda com os recentes escândalos, uma forte chuva na madrugada anterior dificultou a presença do público, com casas sem luz e ruas alagadas.

Enquanto ocorria a celebração dentro da catedral, um grupo de cristãos, evangélicos e católicos, protestava do lado de fora contra a Lei de Identidade de Gênero, aprovada há poucos dias no Congresso e sancionada por Piñera. Na cobertura ao vivo feita pela CNN Chile, um pastor que protestava acusou traição por parte do governo. “Nós fomos ridicularizados. O presidente nos mentiu, houve a oportunidade de recorrer, o presidente falou de valores e princípios, e nos foi uma grande mentira. Ele apoiou seus deputados e senadores para votarem pela ideologia de gênero. Piñera traidor!”.

Na celebração ecumênica, que teve a leitura da Bíblia feita por um pastor luterano, o padre Juan de La Cruz Sanchez teve sua homilia interrompida por uma manifestante de esquerda, opositora de Piñera. Enquanto Sanchez assumia os erros da Igreja em relação aos abusos sexuais, Roxana Miranda, que foi candidata à presidência em 2013, se levantou e puxou gritos de ordem contra o presidente. Miranda e seu grupo, a Associação Nacional dos Devedores Habitacionais do Chile – Andah Chile, que luta pelo direito à moradia, foram retirados da Catedral pela polícia.

O restante da homilia de Sanchez foi para cobrar um compromisso nacional de acolhida com os imigrantes. Em 2018 o número de deportações cresceu exponencialmente. No final de agosto, já se contabilizavam 1167 migrantes expulsos do país, o que já representava mais que o dobro dos números de 2017. Ao final da celebração, Sanchez disse que é preciso continuar a dizer a verdade, pois só assim se unificará o país.

Ao final da celebração, foi a vez do governo se manifestar. O presidente Piñera respondeu aos evangélicos dizendo que “todos somos filhos de Deus, todos merecemos o mesmo respeito”. Já o ministro da Fazenda, Felipe Larrain, afirmou que as manifestações são legítimas, mas “lamentavelmente, o governo não vai poder satisfazer a todos ao que todos esperam”. Se referindo ao Andah, disse que “é preciso uma dose de realismo”.

Como uma pequena síntese de toda crise, padre Sanchez destacou ao fim que “o Te Deum é um dia de oração pela pátria”.

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