“A Igreja precisa de uma reforma profunda, de modo urgente”. Artigo de José María Castillo

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18 Setembro 2018

“As igrejas vazias, os conventos vazios, os seminários também meio vazios, com uma teologia extraviada diante dos problemas mais urgentes deste momento... e continuamos puxando e esperando para ver se isto melhora? Como? Quando? Onde? Estamos cegos ou andamos perdidos e sem ideias dos deveres imprescindíveis que nos urgem?”, questiona o teólogo espanhol José María Castillo, em artigo publicado por Religión Digital, 17-09-2018. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

O Papa Francisco convocou um Encontro Mundial de todos os presidentes das Conferências Episcopais da Igreja Católica. O Encontro ocorrerá em Roma, no próximo mês de fevereiro. Um acontecimento como este nunca havia ocorrido na Igreja. Certamente porque a Igreja nunca havia tido esta necessidade tanto como agora, quando raro é o dia que não ficamos sabendo de novos escândalos (clericais ou eclesiásticos) que se tornam públicos nos lugares mais inesperados e em situações que não imaginávamos.

A primeira coisa que esta convocação do Papa Francisco vem nos dizer é que a Igreja precisa, de modo urgente, de uma reforma profunda. Todo mundo sabe que já Lutero e os outros reformadores do século XVI promoveram uma reforma em seu tempo. Nenhuma pessoa culta duvida da genialidade de Lutero. Mas também é verdade que a reforma de Lutero, ao invés de reformar, o que fez foi dividir a Igreja. E, hoje, uma das coisas que todos nós mais precisamos é nos unir, o máximo possível e o quanto for possível.

A segunda coisa que esta convocação feita pelo Papa Francisco nos diz é que a Cúria Vaticana – ao menos, assim como está agora mesmo – é incapaz de resolver os problemas mais sérios que a Igreja tem apresentado. A Cúria Romana serviu, entre outras coisas e até agora, para ocultar os problemas de fundo que a Igreja tem apresentado há séculos. Contudo, as clandestinidades já não são possíveis na cultura em que vivemos e com a abundância crescente de técnicas de comunicação que dirigimos e nos dirigem.

Em terceiro lugar, o Papa Francisco, ao convocar este Encontro de todos os presidentes das Conferências Episcopais do mundo, o que na realidade está fazendo é colocar em prática uma das questões mais importantes que o Concílio Vaticano II decidiu, a saber: que a “ordem (ou colégio) dos bispos” é, com o Romano Pontífice, “sujeito de supremo e pleno poder sobre a Igreja universal” (LG 22,3). Ou seja, o poder supremo na Igreja não o tem a Cúria Romana, mas o Papa e o Colégio ou Corpo episcopal com o Papa.

Já é hora de na prática do governo da Igreja as coisas serem geridas de outra maneira, uma vez que do modo como foram geridas até este momento, a Igreja está emperrada em um clericalismo atrasado que, em grande medida, está distanciando a Igreja da cultura e da sociedade de nosso tempo. As igrejas vazias, os conventos vazios, os seminários também meio vazios, com uma teologia extraviada diante dos problemas mais urgentes deste momento... e continuamos puxando e esperando para ver se isto melhora? Como? Quando? Onde? Estamos cegos ou andamos perdidos e sem ideias dos deveres imprescindíveis que nos urgem?

Além disso, é importante saber que o Papa Francisco, ao dar mais protagonismo às Conferências Episcopais, não faz outra coisa que recuperar a tradição da Igreja do primeiro milênio. Durante dez séculos, a Igreja era governada pelos Sínodos locais ou regionais. E com aquela forma de governo, a Igreja se fez presente e marcou toda a cultura da Europa.

Ao contrário, quando no século XI o Papa Gregório VII deu o giro decisivo no governo da Igreja, constituindo o papa como “senhor supremo do mundo”, até desembocar no “poder pleno e supremo” (plenitudo potestatis) (Inocêncio III), a consequência foi legitimar (como se fosse o dono do mundo) os reis da Europa para justificar o colonialismo, cujas consequências estamos pagando agora, com um futuro que não sabemos nem quando e nem como terá solução.

Além disso, se o papado busca seus colaboradores diretos nas Conferências Episcopais, o governo da Igreja será mais participativo, com mais possibilidades de cooperação dos leigos e menos gestão administrativa da mera burocracia, que inevitavelmente fica mais distante dos problemas que as pessoas vivem e das soluções que necessitam, sobretudo os mais desvalidos.

Em todo caso, quanto mais possa ou ajude a evitar a tentação dos “Zebedeus”, aqueles que ambicionavam os primeiros lugares (Mc 10, 35-41; Mt 20, 20-24), será um fator importante para que na Igreja haja mais união de todos e o exemplo de Jesus esteja mais vivo e presente naqueles que governam.

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