Membros fundadores do Conselho leigo de católicos americanos sobre abusos oferecem assistência na investigação de McCarrick

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06 Setembro 2018

Ex-presidente interina do conselho leigo de católicos americanos nomeados pelos bispos dos Estados Unidos no auge do escândalo de abuso sexual no início dos anos 2000, diz que os membros querem investigar como o ex-cardeal Theodore McCarrick cresceu na Igreja apesar de um histórico de má conduta e acusações de abuso sexual. Eles também buscam encontrar uma brecha na política da Igreja, pois os críticos dizem que ainda não se responsabiliza um bispo quando se trata de alegações de abuso sexual.

A reportagem é de Michael J. O'Loughlin, publicada por America, 04-09-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Em uma carta enviada na sexta-feira ao cardeal Daniel DiNardo, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, Anne Burke, da Suprema Corte de Illinois, escreveu que a diretoria original está "profundamente perturbada e triste com os recentes relatos de abuso sexual por parte do clero. O encobrimento alcançou a alta hierarquia da Igreja”.

A carta foi relatada pela primeira vez na terça-feira, pelo The Chicago Sun-Times.

A juíza disse que consultou os membros do conselho original, que incluía pessoas da lei, da política, do direito e com ensino superior. Afirmou também que eles desejam “ajudar a Igreja a lidar com a grave crise que enfrenta atualmente”.

"Acreditamos que um 'Conselho de Inquérito Independente' composto inteiramente por leigos deve ser convocado", escreveu Burke.

Michael J. Bland, um terapeuta de Chicago e ex-membro do conselho original de revisão, confirmou que a juíza consultou com outros membros por telefone e e-mail, antes de enviar a carta ao cardeal DiNardo.

Na semana passada, o National Review Board divulgou declaração pedindo uma investigação liderada por leigos sobre alegações de que bispos e outros líderes da Igreja que lidaram mal com as acusações de abuso.

"O Conselho Nacional de Revisão tem expressado por vários anos sua preocupação de que os bispos não se tornem nulos em sua resposta ao abuso sexual por parte do clero. É hora dos leigos assumirem a liderança para ajudar a Igreja, fazendo os bispos ouvirem atentamente nossas recomendações”, dizia o comunicado.

O comitê leigo de revisão divulgou um relatório de 158 páginas em 2004 com detalhes sobre a má administração da Igreja em relação a alegações de abuso sexual, além de estudar as causas da crise e fazer recomendações sobre a criação de ambientes seguros para crianças. Em sua carta, Burke disse que os esforços do comitê original “foram muito eficazes para cumprir nossas metas de proteger crianças e jovens”, mas disse ainda há muito trabalho a ser feito, particularmente quando se trata de responsabilizar os bispos.

"Nunca nos foi dado o poder de investigar os bispos", disse Burke ao Sun-Times.

Segundo a juíza, uma nova diretoria deve investigar a má administração por parte da Igreja, das alegações de abuso anteriores à Carta de 2002 para a Proteção de Crianças e Jovens, além “da falha na Carta que sempre isentou os bispos do processo”. Ou seja, uma investigação sobre o caso do arcebispo McCarrick.

Em junho, o Papa Francisco retirou do Ministério Público o então cardeal McCarrick por causa de uma alegação fundamentada de abuso sexual contra um menor de idade, que supostamente ocorreu há várias décadas. O cardeal se demitiu do Colégio Cardinalício em julho, depois que alegações de má conduta sexual envolvendo padres e seminaristas foram divulgadas.

No mês passado, um relatório do grande júri narrando décadas de abuso sexual de crianças - cometido por padres - e um suposto encobrimento por líderes de Igrejas em seis dioceses da Pensilvânia foi divulgado, provocando protestos e pedidos de demissão. A divulgação desse relatório foi seguida por declarações feitas por um ex-núncio papal nos Estados Unidos, de que autoridades dos EUA e do Vaticano, incluindo o Papa, sabiam das acusações de má conduta sexual contra o então cardeal McCarrick, mas preferiram não se manifestar.

O Cardeal DiNardo solicitou uma audiência com o Papa Francisco para discutir uma investigação sobre o Arcebispo McCarrick e abuso sexual de forma mais ampla.

Em sua carta ao cardeal DiNardo, Burke escreveu: “Para restaurar a confiança na Igreja e na hierarquia, recomendamos que solicite à Santa Sé que nomeie os membros de nossa Junta para investigar e apresentar um relatório sobre o assunto, junto com alegações em meio a essa crise e fazer recomendações à Conferência Episcopal”.

O arcebispo Scicluna realizou uma investigação sobre o descaso com as alegações de abuso no Chile, o que levou a uma renúncia em massa dos bispos no país.

No mês passado, Burke afirmou acreditar que as autoridades policiais dos Estados Unidos deveriam liderar investigações sobre como a Igreja Católica lidou com as alegações de abuso sexual semelhante à investigação na Pensilvânia.

Segundo o site National Review Board, os bispos dos Estados Unidos mantém o objetivo de “ajudar a Conferência dos Bispos do EUA na prevenção do abuso sexual de menores por pessoas que estão a serviço da Igreja”.

Além de Burke, há outros membros do conselho original, como o ex-chefe da Agência Central de Inteligência, Leon Panetta, o ex-reitor e professor de direito da Universidade de Duquesne, Nicholas P. Cafardi, a juiza Petra Jimenez Maes, do Novo México e o advogado de Washington DC, Robert S. Bennett.

Anteriormente, o presidente do grupo original e ex-governador de Oklahoma, Frank Keating, renunciou em 2003 depois de apontar a falta de vontade dos bispos em cooperar com a investigação do grupo - uma acusação que outros membros do conselho negaram na época.

“Oferecemos à Igreja ajuda, conhecimento, sabedoria, credibilidade e experiência neste momento de grande necessidade”, escreveu a juíza Burke.

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