Dia da Criação: os mártires da Laudato si' de 2018

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03 Setembro 2018

Como todos os anos, no dia 1º de setembro, data em que as Igrejas convidam a colocar no centro o tema da proteção da criação, propomos algumas histórias que nos lembram as mortes provocadas por esse compromisso em muitas partes do mundo.

A reportagem é de Giorgio Bernardelli, publicada por Mondo e Missione, 01-09-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No dia 1º de setembro – a partir de uma intuição das Igrejas ortodoxas que o Papa Francisco, há alguns anos, quis reconhecer oficialmente também na Igreja Católica – os cristãos de todas as confissões celebram o Dia para a Proteção da Criação.

Neste ano, o tema é a água como recurso essencial a ser protegido: “Cuidar das fontes e das bacias hídricas é um imperativo urgente. Hoje, mais do que nunca, requer-se um olhar que vá além do imediato, além de um critério utilitarista de eficiência e produtividade para o lucro individual”, escreve Francisco na sua mensagem divulgada pela Sala de Imprensa vaticana.

Mas é um compromisso que – chocando-se com a sede de matérias-primas a serem utilizadas de forma indiscriminada – nos lembra uma verdade com a qual custamos a fazer as contas realmente: violar a criação é o primeiro passo para matar o irmão. E um dado assustador nos lembra que isso não é apenas teoria: em 2017, a cada semana no mundo, foram mortas quatro pessoas que lutavam pela proteção do ambiente em que viviam.

Na maioria das vezes, isso aconteceu em países pobres, onde os ataques foram contra grupos étnicos ou comunidades rurais que veem ameaçada a sua própria sobrevivência por grandes projetos de mineração ou hidrelétricos.

Mas as matérias-primas obtidas ou a energia produzida muitas vezes não costumam estar longe de nós, mas são usadas para fazer objetos que fazem parte da nossa vida cotidiana.

Por isso – como fazemos todos os anos – nós, da Mondo e Missione, optamos por publicar neste 1º de setembro a atualização da lista dosMártires da Laudato si”, isto é, sacerdotes, leigos e pessoas de boa vontade mortos em nome daquele olhar atento a manter unidos o ser humano e a criação, que o Papa Francisco sugeriu na sua encíclica de 2015.

Propomos a seguir cinco histórias emblemáticas, provenientes de contextos geográficos diferentes. Cinco pessoas mortas entre o Dia da Criação de 2017 e o de hoje. Nada menos do que dessas histórias têm a ver diretamente com o tema da conservação da água, no centro do dia deste ano.

Pe. Tito Paez (Filipinas)

De manhã, ele havia obtido a libertação de um ativista pelos direitos dos agricultores locais. À noite, um assassino em uma motocicleta atirou várias vezes nele à queima-roupa. Assim foi morto no dia 4 de dezembro de 2017 um sacerdote filipino, Pe. Marcelito (Tito) Paez, 72 anos, da Diocese de San José, na região central da ilha de Luzon, no norte do país. Por muito tempo à frente da Pastoral Social da sua diocese, ele era o responsável local dos Rural Missionaries, o órgão que reúne as missionárias e os missionários engajados na defesa dos direitos nas terras nas periferias agrícolas das Filipinas, onde o avanço do grande latifúndio e da indústria de mineração torna a vida cada vez mais difícil para os agricultores locais.

Esmond Bradley Martin (Quênia)

Estadunidense, 76 anos, Esmond Bradley Martin era no Quênia o homem-símbolo da luta contra a caça ilegal de elefantes, que, nos últimos 10 anos, reduziu em 30% a população africana desses paquidermes. No domingo, 4 de fevereiro de 2018, um homem entrou na casa em Nairóbi onde ele vivia há 30 anos e o matou com uma facada nas costas. Esmond Bradley Martin tinha acabado de voltar de Mianmar, onde havia realizado investigações sobre as gangues criminosas que fizeram desse país asiático um dos principais centros do mercado clandestino do marfim proveniente da África.

Paulo Sergio Almeida Nascimento (Brasil)

Dirigente da associação Cainquirama, ativa na região do Pará na Amazônia brasileira, Paulo Sérgio Nascimento Almeida, 47 anos, foi morto a tiros no dia 11 de março de 2018 na frente da sua casa, em Barcarena. Algumas semanas antes, ele tinha denunciado publicamente a contaminação da terra na sua cidade por causa da lama vermelha que vazou, devido às fortes chuvas, de uma represa da Hydro, uma empresa de mineração norueguesa que naquela área extrai bauxita, o minério utilizado para a produção do alumínio. Ameaçado de morte, ele tinha pedido proteção da polícia em vão.

Hugo Albeiro George Pérez (Colômbia)

No dia 2 de maio de 2018, durante uma manifestação da comunidade de Puerto Valdivia, um desconhecido matou Hugo Albeiro George Pérez, 47 anos, pai de 12 filhos, ativista do movimento Ríos Vivos Antioquia, que luta contra a construção da megausina hidrelétrica Hidroituango no rio Cauca, que atravessa esse distrito da Colômbia. As comunidades locais protestam porque a estrutura terá um impacto muito pesado sobre a vida e sobre o ambiente de quem mora na área, que ficará exposta ao risco de inundações e deslizamentos de terra, sem qualquer tipo de compensação por parte da Empresa Pública de Medellín que está construindo a represa. A morte de Hugo Albeiro George Pérez não foi um fato isolado: a represa de Hidroituango está marcada por um longo rastro de sangue acompanhado por uma impunidade quase total, a tal ponto que, apenas uma semana depois, na mesma área e pelo mesmo motivo, também foi morto Luis Alberto Torres Montoya, outro ativista do movimento Ríos Vivos Antioquia.

Ajit Maneshwar Naik (Índia)

No Estado indiano de Karnataka, ele lutava contra a construção da sétima barragem no rio Kali. Aquela que provavelmente marcará a morte definitiva desse curso d’água de 184 quilômetros de comprimento. Tudo leva a pensar que, na noite de 27 de julho de 2018, por esse motivo, mataram Ajit Maneshwar Naik, 57 anos, advogado e ambientalista indiano. Espancaram-no até a morte com uma espada em Dandeli, sua cidade às margens do rio Kali. Ele também já havia recebido ameaças pelas suas campanhas; e há uma campanha em curso na Índia para que realmente se esclareça a sua morte.

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