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23 Maio 2016

"A iniciativa do Papa Francisco de unir ciência, política e religião no sentido de uma abordagem ecológica integral é apenas um começo. Esperamos que outras religiões e líderes morais e políticos juntem-se a essa nova sinergia e conduzam as sociedades na direção de soluções justas dos problemas ecológicos e sociais sem perder de vista os valores da pessoa humana e do bem comum".

O comentário é de Marcelo Sánchez Sorondo, bispo argentino, presidente da Pontifícia Academia de Ciências e Ciências Sociais, e Veerabhadran Ramanathan, professor de Ciências Atmosféricas e Clima na Universidade da Califórnia, publicado por Science, 13-05-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa

Eis o artigo.

Na segunda quinzena deste mês (nos dias 23 e 24 de maio), a Organização das Nações Unidas irá reunir para a primeira Cúpula Mundial da Ajuda Humanitária, onde líderes mundiais e locais comprometer-se-ão em colocar a segurança, a dignidade, a liberdade e o direito à prosperidade no centro das tomadas de decisão. Mais de 125 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária, um nível de sofrimento não visto desde a Segunda Guerra Mundial. Os problemas sociais são amplos e profundos, desde a guerra e o tráfico humano até a desigualdade flagrante entre o 1% de ricos e os 3 bilhões de pessoas mais pobres da população mundial. Incluídos na Agenda para a Humanidade da cúpula estão desastres climáticos e naturais. Com efeito, há um ano o Papa Francisco enfatizava, na encíclica Laudato Si, que crises complexas possuem dimensões sociais e ambientais. O vínculo entre os seres humanos e o mundo natural significa que vivemos numa “ecologia integral” e, como tal, faz-se necessária uma abordagem integrada à justiça ambiental e social.

A necessidade de uma abordagem ecológica integral pode ser vista, por exemplo, na relação das atividades econômicas e desigualdades de riqueza com a poluição ambiental e mudanças climáticas. Os poluentes climáticos advêm principalmente do 1 bilhão de ricos, mas as piores consequências associadas às alterações no clima serão vividas pelos 3 bilhões mais pobres, que pouco têm a ver com essa poluição.

O ano passado contou com dois acordos mundiais históricos que renovaram o otimismo quanto a um futuro sustentável. A declaração das metas do desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas – ONU pediu pela erradicação da pobreza e a melhoria do bem-estar humano. O acordo de Paris foi assinado por 195 nações e visa limitar o aquecimento global abaixo do aumento de 2°C. Esse reconhecimento dos problemas ecológicos e sociais sistêmicos abriu uma janela de oportunidades para se focar na forma como os problemas da pobreza, do bem-estar humano e da proteção da criação estão interligados. A verdadeira inovação é esta estratégia entre ciência, política e religião.

A origem, o potencial transformador e o desenvolvimento futuro de uma aliança entre ciência, política e religião baseiam-se em avanços recentes ocorridos na Santa Sé, que abriga duas Pontifícias Academias dedicadas à ciência: uma para cientistas da natureza e outra para cientistas sociais. Os membros destas academias são escolhidos não a partir de suas filiações religiosas, mas pela proeminência científica. Em maio de 2014, as duas academias de pesquisadores, filósofos e teólogos reuniram-se para contemplar a sustentabilidade da humanidade e da natureza, chegando a uma conclusão notável (para um organismo científico): a resolução dos grandes problemas ambientais que a sociedade enfrenta requer uma reorientação fundamental em nosso comportamento e em nossa atitude para com a natureza e uns com os outros.

As duas academias contaram com líderes religiosos das grandes tradições de fé – entre elas: o budismo, o cristianismo, o hinduísmo, o islamismo (sunita e xiita) e o judaísmo – para afirmar que a escravidão e o tráfico humano são crimes contra a humanidade. Embora seja difícil que religiões diferentes rezem sobre um mesmo altar, finalmente fez-se possível e necessário que elas ajam juntas para defender a dignidade dos seres humanos e da casa comum. Essa nova atitude estimulou encontros em 2014 e 2015 entre cientistas, legisladores e líderes religiosos que incluíram o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, governadores e prefeitos de mais de 80 grandes cidades. Os grupos concordaram que atenuar as consequências das mudanças climáticas era um imperativo moral e religioso, e que o desenvolvimento de uma relação sustentável com o planeta também exige uma revolução moral. Essa nova aliança igualmente declarou que a globalização extrema das formas de indiferença, tais como o tráfico humano e a escravidão moderna, deveriam ser reconhecidas como crimes contra a humanidade.

A iniciativa do Papa Francisco de unir ciência, política e religião no sentido de uma abordagem ecológica integral é apenas um começo. Esperamos que outras religiões e líderes morais e políticos juntem-se a essa nova sinergia e conduzam as sociedades na direção de soluções justas dos problemas ecológicos e sociais sem perder de vista os valores da pessoa humana e do bem comum.

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