Paraguai. Mario Abdo Benítez assume a presidência em meio a protestos

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Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 17 Agosto 2018

Os paraguaios saíram as ruas nessa semana protestar em diferentes frentes. Em um dia contra a impunidade e a corrupção. Em outro, contra o acordo energético com a Argentina. Na quarta-feira, 15-08-2018, Mario Abdo Benítez assumiu a presidência. Durante a cerimônia, grupos da oposição saíram às ruas protestando e rememorando o histórico familiar do novo presidente com a ditadura de Alfredo Stroessner.

Mario Abdo Benítez foi eleito presidente pelo Partido Colorado — PC. Sua eleição é a continuidade da hegemonia de mais sessenta anos do seu partido. Horácio Cartes, seu antecessor, assume a vaga no Senado. Apesar de manter o PC no poder, “Marito” busca afastar sua imagem do governo anterior. Embora sua história familiar remeta ao período ditatorial do país.

Mario Abdo, seu pai, foi secretário do gabinete de Alfredo Stroessner. A ditadura mais longa do continente durou 35 anos. Desse período registram-se ao menos 450 mortos e 20 mil presos políticos. Na morte de Stroessner, em 2006, Marito sugeriu ao seu partido que se fizesse uma homenagem “ao seu presidente que tanto fez pelo país”.

Agora presidente, eleito democraticamente, em uma diferença apertada de 94 mil com o segundo colocado Efraín Alegre, da Alianza GANAR (composta pelo Partido Liberal e o Frente Guasú), Abdo Benítez busca, sem apagar a trajetória dos seus tutores, reafirmar valores republicanos. “Estive na rua, defendi nosso sistema de República”, afirmou em coletiva de imprensa antes da posse, sobre os protestos de 2017 contra a tentativa de Cartes habilitar a reeleição. “Espero que eu possa demonstrar ao público que sou o Marito do século XXI e que com minha conduta possam com o tempo sentirem-se tranquilos”.

A oposição já demarcou para o novo presidente que não concorda com seus distanciamentos nem com o passado de Stroessner, nem com o governo de Cartes. A Alianza GANAR não compareceu à cerimônia de posse. Ao contrário, um protesto organizado pelo “Congresso Democrático do Povo” – uma organização de movimentos sociais e partidos de esquerda – ocorreu nas ruas da capital Assunção com cartazes e fantoches amarrados lembrando a ditadura.

Essa pauta somou-se às outras duas que emergiram nas ruas do país nesta semana. O acordo energético de Horacio Cartes com Mauricio Macri sobre hidrelétrica de Yaciretá, no rio Paraná. O acordo amortizou uma dívida argentina de 18 bilhões de dólares para 4 bilhões, que começarão a ser pagas em parcelas por 30 anos, a partir de 2028. Em contrapartida, uma nova hidrelétrica seria construída para uma maior produção de energia. A oposição acusa Cartes de ter vendido a soberania energética paraguaia.

O outro ponto de cobrança é a impunidade diante dos casos de corrupção. Na semana passada, o congresso salvou o mandato do deputado José Maria Ibáñez. Ibañez confessou ter contratado três funcionários fantasmas para trabalharem como seus caseiros. Apesar da votação na Câmara, a pressão popular o levou a pedir renúncia.

As manifestações da oposição são mensagens de aviso ao novo presidente. Iniciará o mandato com minoria no legislativo. O Partido Colorado tem 17 de 45 senadores e 41 de 80 deputados. Diante das dificuldades, Abdo Benítez não enfrenta a oposição. No discurso de posse afirmou “Unidade não significa uniformidade. Convivamos em debate, é saudável, enriquece e constrói. O que não constrói um país é pretender a uniformidade de pensamento ou de critério. Damos as boas-vindas ao dissenso, porque isso vai nos enriquecer como nação”.

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