Cardeal Kasper critica funcionários do Vaticano que vazaram carta sobre intercomunhão

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11 Junho 2018

A carta sobre a “intercomunhão” vazou antes de chegar aos destinatários e foi enviada para meios de comunicação cuja postura anti-Francisco é bem conhecida.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada em La Croix Internacional, 08-06-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cardeal Walter Kasper, ex-chefe do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e fiel aliado da agenda de reformas do Papa Francisco, denunciou o vazamento de uma carta confidencial sobre o debate sobre a chamada “intercomunhão”, que o chefe doutrinal do Vaticano havia enviado recentemente ao presidente da Conferência dos Bispos da Alemanha.

“O que me irrita é o fato de que essa carta, endereçada a uma pessoa, foi vazada obviamente antes de chegar ao destinatário e enviada aos próprios meios de comunicação cuja postura anti-Francisco é bem conhecida”, disse o cardeal em uma entrevista exclusiva para o sítio Katholisch.de, o portal oficial da Igreja Católica alemã, no dia 7 de junho.

O cardeal designado Luis Ladaria, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, escreveu essa carta ao cardeal Reinard Marx, de Munique, presidente da Conferência Episcopal Alemã.

Uma pessoa ainda não identificada em Roma evidentemente obteve uma cópia da missiva, que instruiu os bispos alemães a se absterem de publicar diretrizes sobre a permissão da comunhão para cônjuges protestantes de católicos, e a encaminhou ao site de notícias conservador alemão Kathnet.

“Essa é uma continuação do Vatileaks e uma falta de lealdade por parte de alguns funcionários da Cúria, que prejudicaram muito não apenas a autoridade dos bispos alemães, mas também a da Cúria e do papa, assim como a imagem da Igreja em geral, e semeou grande confusão entre os fiéis”, disse o cardeal Kasper.

“É preciso esperar que os responsáveis sejam chamados a prestar contas e tenham que lidar com as consequências”, disse o cardeal de 85 anos.

Ele também expressou surpresa pelo fato de que “alguns que deveriam saber mais” declararam que a comunhão aos cristãos não católicos era principalmente impossível ou que, “no mínimo”, a questão exigia primeiro esclarecimentos no nível mundial da Igreja.

Kasper, um teólogo de renome mundial que atuou por 10 anos como bispo da diocese alemã de Rottenburg-Stuttgart antes de passar uma década como o ecumenista-chefe do Vaticano, ressaltou que a questão havia sido resolvida “há muito tempo” pelo Concílio Vaticano II, pelo direito canônico e por duas encíclicas de São João Paulo II.

“Estes afirmam explicitamente que o bispo diocesano ou a conferência episcopal devem decidir (se os cristãos não católicos podem ou não receber a comunhão) em casos individuais. Portanto, não estamos lidando com uma via alemã especial, o chamado ‘Sonderweg’ alemão, ou de um sistema eclesial alemão próprio – como já foi alegado em várias ocasiões”, disse o cardeal.

Ele acrescentou que o mais surpreendente é que os bispos alemães não conseguiram chegar a um consenso sobre a questão da comunhão pois todos sabem muito bem que em todo o país – “não só em Munique, mas também em Colônia e em outras dioceses” – já era uma prática dos cônjuges protestantes que levam a sério a sua fé cristã e desejam a receber a Eucaristia na missa fazerem isso sem qualquer “objeção claramente audível” dos bispos.

Ao citar especificamente essas duas dioceses, o cardeal estava fazendo uma clara referência ao cardeal Marx, de Munique, que é favorável à publicação das diretrizes sobre a comunhão, e ao cardeal Rainer Maria Woelki, de Colônia, líder dos sete bispos alemães que pediram que o Vaticano proibisse sua publicação.

O cardeal Kasper elogiou a Conferência dos Bispos Alemães por tentar “libertar essa prática de fato” de compartilhar a Eucaristia com os protestantes em certos casos “do nevoeiro da ilegalidade, da semilegalidade ou da mera tolerância”.

Ele disse que se tratava de uma questão de ter critérios para decisões individuais de consciência em casos individuais e de orientação pastoral, não de uma permissão geral ou de uma norma geral.

As observações de Kasper foram vistas como uma repreensão ao cardeal Woelki, que se opôs às diretrizes propostas pela conferência episcopal, sob o argumento de que “isenções pastoralmente motivadas não devem ser estabelecidas como novas normas”.

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