No Brasil, apenas 3,6% dos alunos da rede pública concluem o fundamental com habilidades avançadas de leitura

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02 Junho 2018

Taxa foi identificada pela UNESCO a partir dos resultados da Prova Brasil de 2013. Quando avaliado o desempenho em matemática, esse índice caía para 1,3%. Dados são de pesquisa que alerta também para desigualdades de cor e gênero no acesso ao aprendizado.

Relatório foi tema de seminário que reuniu cerca de 150 professores e especialistas de secretarias estaduais em Brasília, no dia 23 de maio.

A informação é publicada por ONU Brasil, 31-05-2018.

 Em 2013, apenas 3,6% dos alunos do ensino público brasileiro chegaram ao final do fundamental com habilidades avançadas de leitura. Quando avaliado o desempenho em matemática, esse índice caía para 1,3%. Para discutir soluções para as fragilidades da educação oferecida pelo Estado, cerca de 150 professores e especialistas de secretarias estaduais se reuniram em Brasília, no dia 23, em seminário da UNESCO. Participantes debateram o relatório Desigualdade de aprendizado entre alunos das escolas públicas brasileiras: evidências da prova Brasil (2007 a 2013), publicado pela agência da ONU.

A análise investiga o fenômeno da exclusão intraescolar, quando o aluno, mesmo matriculado, não aprende os conteúdos de maneira compatível com a etapa de ensino cursada. Essa questão pode refletir um problema social, sobretudo quando está associado a determinados grupos de estudantes que apresentam certas características sociodemográficas, relacionadas a região onde moram, origem socioeconômica, gênero e cor da pele, por exemplo.

A pesquisa mostra que, em 2013, o percentual de alunos do 9º ano abaixo do nível básico de competências em leitura e matemática era, respectivamente, 23,3% e 35,7%. Nas duas disciplinas, os índices mostram uma piora na comparação com 2011 – 21,3% em leitura e 33,9% em matemática.

Disparidades de gênero e raça

Estudantes negros e pardos estão sobre-representados entre os alunos que concluem o fundamental com habilidades de leitura abaixo do básico – 29,1% e 23%, respectivamente. Entre os brancos, o índice cai para 18,5%, abaixo da média geral (21,3%).

Já entre os que tinham desempenho avançado, os afrodescendentes estavam sub-representados – apenas 2,2% dos negros e 3,1% dos pardos chegavam a esse nível de aprendizado em 2013. Com os brancos, a taxa alcançava os 5,4%.

Em matemática, 42,1% dos alunos negros e 36,3% dos alunos pardos estavam entre os jovens do 9º ano com competências inferiores ao nível básico. A taxa para os brancos era de 28,6%.

Quando comparados os índices de homens e mulheres, a UNESCO identificou que as meninas têm um melhor rendimento em leitura do que os meninos no 9º ano.

Do total de alunas avaliadas pela Prova Brasil de 2013, 17,4% tinham habilidades inferiores ao básico, enquanto que, entre os meninos, o percentual chegava a 29,3%. Quase 30% delas tinham desempenho acima do básico. Já entre os rapazes, o índice era 19,5%.

Mas quando avaliado o desempenho em matemática, as meninas ficaram atrás dos meninos – 36,9% delas tinham competências abaixo do básico. Com os meninos, o índice baixava para 34,4%.

Nova pesquisa em setembro

O encontro em Brasília também discutiu os dados preliminares do estudo Qualidade da infraestrutura escolar das escolas públicas da educação básica – ensino fundamental, produzido por meio de uma cooperação entre a UNESCO e a Universidade Federal de Minas Geral (UFMG). Ainda em fase de construção, a pesquisa tem previsão de lançamento para setembro deste ano.

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