Alemanha. Não agrada ao cardeal Marx o crucifixo nos departamentos públicos

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Propor vacinação só em março e alcançar no máximo 1/3 da população em 2021 é um crime

    LER MAIS
  • Ailton Krenak: “A Terra pode nos deixar para trás e seguir o seu caminho”

    LER MAIS
  • Covid-19: 'Pandemia no Sul caminha para agravamento sem precedentes', diz epidemiologista

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


02 Mai 2018

Palavras inequívocas, aquelas de Marx. O seu é um "não" forte e vibrante para o crucifixo afixado obrigatoriamente nos departamentos públicos na Baviera: "Não cabe ao Estado explicar qual é o significado da cruz", ele troveja. Só que não estamos falando de Karl Marx, o autor de O Capital, mas de Reinhard Marx, arcebispo e cardeal bem como presidente da Conferência Episcopal Alemã.

A reportagem é de Roberto Brunelli, publicada por La Repubblica, 30-04-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em uma entrevista ao Süddeutsche Zeitung atacou frontalmente o governador da Baviera Markus Söder, cujo gabinete na terça-feira aprovou uma diretriz segundo a qual em cada local público da região de Land deverá ser afixado o símbolo do cristianismo. Iniciativa que provocou, em um país de forte caráter secular como a Alemanha, um debate acalorado que foi muito além das fronteiras da Baviera: os Verdes e os Linke definiram de natureza "populista e anticonstitucional", a decisão do socialista-cristão Söder, enquanto os liberais da Christian Lindner não hesitam em falar de "profanação da cruz".

Até mesmo vários membros importantes da Igreja bávara reagiram com irritação: "A cruz não é um logotipo de campanha eleitoral."

As pesquisas não ajudam: de acordo com o levantamento realizado pelo instituto Emnid para a Bild, 64% dos alemães são contrários à afixação do crucifixo.

Mas o verdadeiro golpe ao coração para o pobre Söder - que tinha tentado se defender trazendo à baila "a identidade da Baviera" - foi a resposta categórica do cardeal Marx. A decisão de proceder à afixação do crucifixo nos departamentos da Baviera cria "divisão e inquietação", afirmou o bispo: "Quem vê o crucifixo apenas como um símbolo cultural não entendeu seu significado."

Palavras duras como pedras, que subentendem a natureza manipulatória da decisão do governo da Baviera: "A cruz está sendo expropriada em nome do Estado", atacou Marx, segundo o qual "é um símbolo de rejeição à violência, à injustiça e ao pecado, mas não um símbolo direcionado contra outros seres humanos."

Marx ressaltou que, sim, seria oportuno um debate sobre o crucifixo, mas em termos que não são certamente aqueles pretendidos por Söder: "O que significa viver em um país caracterização de maneira cristã?", pergunta o presidente da Conferência Episcopal, segundo o qual a definição inclui "os cristãos, mas também os muçulmanos, os judeus e aqueles que não possuem nenhuma crença." Marx não tem dúvida: o Estado deve garantir que as diferentes denominações possam se "articular", mas não pode decidir qual deva ser o conteúdo de uma convicção religiosa.

Em suma, o Evangelho não se deixa traduzir em política em uma escala direta: "A cruz deveria ser um modelo para a política para que seja respeitada a dignidade de cada pessoa, especialmente dos mais fracos. Estes são os parâmetros segundo os quais deve se medir".

Resumindo, a combinação Marx e crucifixo não é um paradoxismo na Alemanha. É muito mais que o ópio do povo.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Alemanha. Não agrada ao cardeal Marx o crucifixo nos departamentos públicos - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV