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24 Abril 2018

Com Vatican I: The Council and the Making of the Ultramontane Church [Vaticano I: O Concílio e a construção da Igreja ultramontana], John O’Malley, S.J., o decano mundial dos historiadores da Igreja, completou a sua trindade de obras sobre os concílios da Igreja.

O comentário é do historiador estadunidense Christopher M. Bellitto, professor da Kean University, em Union, Nova Jersey, em artigo publicado por America, 20-04-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Seus livros sobre Trento (2013), o Concílio Vaticano II (2008) e agora sobre o Concílio Vaticano I inspiram-se, todos, no curso que ele ministrou durante anos, intitulado “Dois Grandes Concílios”, e em amigos que o exortaram a não negligenciar o “filho do meio” entre Trento e Vaticano II.

Ao responder a esse chamado, O’Malley completa sua aula magistral de história da Igreja e eclesiologia dos últimos 500 anos, contando-nos sobre a Igreja da época e a de agora. Como de costume, sua história nunca esquece a história: ouvimos os gritos e as estratégias no palco e fora dele, já que os proponentes e os opositores da infalibilidade usaram de modo virulento a imprensa popular durante o Vaticano I para promover seus casos partidários. Essas lutas ressoam na Igreja de hoje: imaginem se Döllinger e Newman pudessem tuitar.

(Foto: Divulgação)

As discussões em Roma, em 1870, sobre poder e autoridade, enraizadas na primeira era da Igreja e debatidas durante os séculos medievais, endureceram as posições sobre a lealdade à própria pessoa do papa. Essa concepção do papado colidia com o modelo de Gregório, o Grande, de um líder servidor que ocupa um ofício que é sempre maior do que qualquer sucessor particular de Pedro, como o Papa Emérito Bento XVI demonstrou com sua renúncia em 2013.

O’Malley observa que a força propulsora do ultramontanismo que fervia sob os debates em torno da infalibilidade foi a perda dos Estados papais. Ao mesmo tempo, a autoridade e o prestígio globais do papado aumentaram, culminando naquilo que o historiador papal Eamon Duffy descreveu como o papel do papa como oráculo de Deus.

A centralização resultante e até mesmo o culto do papado – Duffy definiu-o como “papolatria” – há muito tempo afastam alguns da Igreja. Nas últimas décadas, os decepcionados foram os atraídos pelas promessas de colegialidade episcopal e participação leiga do Vaticano II, embora essa mesma centralização atraiu católicos novos ou renovados que abraçaram o magistério monárquico de São João Paulo II.

Mas, ao promulgar a doutrina da infalibilidade, o que Pio IX e o Vaticano I realmente alcançaram? No fundo, não é a autoridade suave, no lugar do poder duro, definido como um poder mais duradouro, amoroso e evangelizador, porque convida pelo testemunho, em vez de impor e exigir?

O Vaticano I introduziu decepção mais do que clareza e levou à linguagem da crise, até mesmo à difusão de boatos e à difamação em suas piores expressões, que eram tão perigosas no século XIX quanto hoje – o que é irônico para uma fé cuja crença central na Ressurreição prega a esperança e o amor comunal.

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