Presidente da Nicarágua cancela polêmica reforma da Previdência Social que causou protestos

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23 Abril 2018

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, revogou neste domingo a reforma da Previdência Social que resultou em cinco dias de manifestações inéditas, duramente reprimidas pela polícia e pelas forças sandinistas. Ao menos 30 pessoas morreram. O presidente aceitou que suas propostas não tinham “viabilidade” e criaram uma “situação dramática”, razão pela qual recuou em sua implementação.

A reportagem é de Carlos Salinas, publicada por El País, 22-04-2018.

A reforma imposta na quarta-feira por Ortega por decreto reduzia as aposentadorias em 5% e aumentava as contribuições das empresas e dos trabalhadores para resgatar o Instituto Nicaraguense de Seguridade Social (INSS). O Governo pretendia arrecadar 250 milhões de dólares (cerca de 854 milhões de reais).

Ortega se manifestou pela segunda vez à nação. No sábado, havia afirmado que seu único interlocutor para encontrar uma saída à crise era a empresa privada, com a qual estava disposto a dialogar. Os empresários rejeitaram a proposta e exigiram o fim da repressão. Em seu discurso neste domingo, o presidente não se referiu à violência desencadeada pelo Estado contra os manifestantes, nem às dezenas de mortos e feridos. O presidente propôs novamente um diálogo, convidando os empresários e o cardeal Leopoldo Brenes a “elaborar uma resolução capaz de garantir o fortalecimento da previdência social no longo prazo”. Com essa decisão, Ortega espera reduzir a tensão nas ruas, onde as manifestações contra seu Governo se intensificaram.

Os manifestantes pareciam não ceder no sábado em seus protestos, apesar da violenta repressão das tropas de choque e das forças motorizadas da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN, no Governo), conhecidas como turbas. “Eu participo da manifestação porque quero uma Nicarágua sem ditadura. Não é justo que o nosso país continue sofrendo com um Governo que reprime, que não respeita os direitos das pessoas”, disse no sábado Erik Rocha, um jovem de 22 anos em uma manifestação em Manágua. “Aqui não há diálogo como o presidente pediu, é uma estratégia para continuar zombando do povo”, acrescentou Rocha. Os bispos também tomaram o partido dos manifestantes, exigindo no sábado que o presidente Ortega colocasse fim à violência oficial.

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