Luther King na era Trump

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05 Abril 2018

Daqui em diante, para onde vamos: em direção ao caos ou à comunidade? É o título do último livro de Martin Luther King, o reverendo afro-americano assassinado em Memphis há 50 anos. A pergunta soa mais atual do que nunca: na América de Donald Trump, e em todo o mundo. Nos Estados Unidos são se calaram os protestos sobre o último trágico abuso de poder por parte da polícia, que aconteceu não no profundo Sul, mas no estado mais progressista de todos. Em Sacramento, capital da Califórnia, a polícia matou um jovem negro de 22 anos de idade crivando-o de balas, algumas das quais disparadas nas costas. Seu nome era Stephon Clark e estava "armado" apenas por um smartphone. O racismo e a discriminação incrustados dentro das forças da ordem e do sistema judicial deram vida ao movimento Black Lives Matter.

A reportagem é de Federico Rampini, publicada por La Repubblica, 04-04-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em alguns aspectos, herdeiro e sucessor de King, embora Black Lives Matter obrigue a se por perguntas incômodas: quanto daquele sonho ("I Have a Dream") ficou por cumprir após o assassinato de 4 de abril de 1968? A América ainda é prisioneira de sua história? Quanto pesa o estigma de sua gênese como nação: a escravidão das origens, a Guerra Civil, o ressentimento sempre presente dos sulistas brancos derrotados, as leis raciais da segregação? As vitórias extraordinárias do movimento pelos direitos civis, que colocaram fora da lei as discriminações, foram frustradas pelos fatos? A Presidência de Barack Obama foi um parêntese ilusório, apagado pela regurgitação de racismo do eleitorado branco que votou em Trump?

Até mesmo o culto arcaico e feroz das armas leva de volta ao pecado original dos EUA: as milícias partidárias que lutaram contra os britânicos pela independência, cujo direito à autodefesa está consagrado na Segunda Emenda, às vezes "resultaram" no genocídio dos índios ou na caça aos escravos negros que fugiam das plantações do sul. O passado que não passa foi novamente proposto no verão passado com a polêmica sobre as estátuas dos generais secessionistas erguidas em muitas cidades do profundo sul com uma mensagem inequívoca: por trás da nostalgia e do culto pelos antepassados, por trás das homenagens aos valores tradicionais e à religiosidade, em suma, por do E o Vento Levou, existe uma parcela de sociedade branca que quer recolocar os afro-americanos "em seu lugar". Entre os racistas mais virulentos frequentemente estão brancos pobres, vítimas de uma sociedade desigual, os esquecidos do sonho americano: para eles, desde sempre, o único status social a que se agarrar para não ser "lixo", é a cor da pele.

O problema estrutural, o modelo econômico e social, King o havia entendido muito bem. A vitória que obteve com o Civil Right Act, o fim da segregação e do direito ao voto, ele a considerava como uma primeira etapa, muito incompleta. Para descrever a condição do negro usava a imagem de um homem injustamente mantido na prisão durante anos: "Chegam para ele e dizem: agora você está livre. Mas não lhe dão nem mesmo a passagem de ônibus para voltar até a cidade. Não lhe dão nem roupa, nem sapatos. Isso é o que os EUA fizeram com o homem negro". Sobre o final da segregação: "É mais fácil abolir a proibição de entrada dos negros nos restaurantes, que garantir um rendimento anual".

O ensinamento do Pastor King foi mais completo e mais radical do que o "santinho" adocicado dos livros escolares. Uma das campanhas que ele estava organizando no dia de sua morte era contra a miséria, contra as desigualdades, pela sindicalização dos trabalhadores das atividades mais humildes.

Pacifista convicto, não só por ser contrário à guerra no Vietnã: para ele, o complexo militar-industrial era uma poluição constante no capitalismo americano. Os três males do seu tempo - que identificava no racismo, na pobreza e na guerra – ele os via interligados entre si. Ele não se resignava à sua inevitabilidade. Talvez a sua mensagem mais otimista fosse também lúcida: "Muitas pessoas pensam que a primeira lei da vida é o instinto de sobrevivência, a autopreservação. Na verdade, a primeira lei da vida é a sobrevivência do outro, a lealdade predominante para toda a espécie humana".

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