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27 Março 2018

A voz do idoso Papa quase falhou, durante a missa, no domingo de Ramos, ao incentivar os jovens para que finalmente tomassem a palavra. "Se nós idosos e responsáveis, muitas vezes corruptos, ficamos em silêncio, eu lhes pergunto: vocês irão gritar? Por favor, se decidam antes que gritem as pedras".

O comentário é de Michele Serra, publicado por La Repubblica, 26-03-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

No casual zapping dos noticiários vespertinos, na maior parte repletos de crônicas da política italiana, respondeu-lhe a voz clara e quase sorridente de uma menina de nove anos, Yolanda King, neta de Martin Luther King, que tomou a palavra (e como!), no imenso e verdadeiramente histórico evento em Washington contra as armas: "Seremos uma grande geração", ela declarou diante de uma multidão talvez jamais vista de crianças norte-americanas que mostravam as próprias mãos vazias, as mãos levantadas, e às centenas de milhares mostravam seus sorrisos. Como se o mito da "não-violência" tivesse encontrado sua lógica encarnação não em algum voo extravagante ou impulso ideológico, mas na implacável normalidade de vida dos indefesos.

Um dia antes do presidente Trump, 72, ter nomeado como Conselheiro para a Segurança Nacional, John Bolton, 70, que consagrou toda a sua energia ao poder das armas e da guerra. São adolescentes enlouquecidos, aqueles que estão causando massacres em escolas, mas também são igualmente enlouquecidos e implacáveis, e infinitamente mais poderosos, os adultos que organizam a matança com suas leis infames e a sua da cultura da força e da opressão como único método conhecido. Quem faz a guerra são "velhos sujos que enviam jovens à morte", escreveu Kurt Vonnegut em Madatouro 5: eis um livro que nas mochilas dos millenials, agora que se colocaram em marcha, não pode faltar.

Em Washington, e em outras oitocentas cidades americanas de grande e pequeno porte, foi exibida uma poderosa e profunda ruptura geracional, que o sorriso infantil de Yolanda King torna suave, mas mesmo assim irrefreável: nada como um "não às armas", nos Estados Unidos, pode sacudir o discurso público a partir das bases. Ainda não podemos saber se esse jovem exército de desarmados vai ter o fôlego e a sabedoria política necessária para continuar a luta. Claro que, senão mesmo pelo número de vítimas (mais de trinta mil a cada ano!), a carnificina estadunidense das armas de fogo vale como uma espécie de "segundo Vietnã", um Vietnã interno que não permite como meio de escape a rendição ou a retirada, o helicóptero que te leva de volta para casa, pois é em casa que disparam contra ti e te matam, e o inimigo vive longo atrás da cerca do teu jardim. Uma guerra em grande escala contra a qual é preciso construir, finalmente, um repúdio em massa, e mais ainda um repúdio político: um repúdio existencial como aquele que durante a guerra no Vietnã, aquela verdadeira, tão distante e tão absurda, serviu de estopim para os movimentos juvenis de massa da década de 1960.

Pergunto-me se o Papa, antes da missa, tinha visto e ouvido a pequena oradora que o havia precedido de algumas horas, uma garota afro-americana que respondia plenamente, e, preventivamente, ao seu veemente “por favor, meus jovens, não fiquem calados". Antes que gritem as pedras. Se você ainda não ouviu o Angelus, ou até mesmo o breve discurso de Yolanda King, saiba que não houve retórica, nas vozes do idoso e da menina. Houve uma espécie de implacável gentileza incansável, exausta no idoso, alegre e quase insolente na criança. Ela, assim como o avô ilustre, disse que "tinha um sonho", mas disse isso que como uma criança fala, quando contar os próprios sonhos é fácil, você não está em um púlpito diante da história, você está de pijama na frente dos flocos de milho.

Um diretório mundo composto por Jorge Bergoglio e Yolanda King não é parte de nenhuma agenda política: nem mesmo a agenda política da Utopia ousaria tanto. Mas no domingo estavam juntos no noticiário, e agora circulam na web, à disposição de quem ainda espera que algo de agradável e surpreendente possa acontecer.

Veja o vídeo de Yolanda, em inglês:

 

Assista à Homilia do papa Francisco, no Domingo de Ramos, em italiano:

 

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