Ex-presidente da Irlanda pede que o Papa desenvolva 'estratégia credível' para a inclusão das mulheres

Revista ihu on-line

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Hans Jonas. 40 anos de O princípio responsabilidade

Edição: 540

Leia mais

Do ethos ao business em tempos de “Future-se”

Edição: 539

Leia mais

Mais Lidos

  • Os bispos alemães enfrentam o Vaticano e seguem com seu sínodo

    LER MAIS
  • “Existe uma luta política na Igreja, entre os que querem a Igreja sonhada pelo Vaticano II e os que não” constata Arturo Sosa, superior-geral dos jesuítas

    LER MAIS
  • Sínodo da Amazônia revela sagacidade política do papa

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

11 Março 2018

Mary McAleese, ex-presidente da Irlanda, pediu que o Papa Francisco desenvolvesse uma "estratégia credível" para incluir as mulheres em todos os níveis da estrutura global da Igreja Católica, dizendo que sua exclusão das funções de decisão "deixou a Igreja batendo uma só asa, desajeitada".

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 08-03-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Em sua palestra no evento anual Voices of Faith, em 8 de março, Mcaleese disse que a Igreja "há muito tempo é um grande transportador global do vírus da misoginia".

"Hoje, nós desafiamos o Papa Francisco a desenvolver uma estratégia credível para a inclusão das mulheres como iguais em toda a estrutura da Igreja, da base ao topo, incluindo setores de tomada de decisão", disse, a uma multidão num pequeno salão na sede da ordem dos jesuítas em Roma, fora dos muros do Vaticano, mas no território da cidade-Estado.

McAleese, que foi líder da Irlanda de 1997 a 2011 e é doutoranda em direito canônico na Pontifícia Universidade Gregoriana, disse que queria "uma estratégia com metas, caminhos e resultados, auditada com regularidade e independência”.

"Não incluir as mulheres como iguais privou a Igreja de discernimentos novos e inovadores", afirmou. "Restringiu-a ao pensamento reciclado numa elite clerical masculina confortável e hermeticamente fechada."

O Voices of Faith é um evento anual que tem por objetivo contar histórias femininas e está em sua quinta edição. O evento deste ano atraiu mais atenção do que o habitual depois que McAleese e a comissão organizadora criticaram o Vaticano por supostamente não ter dado permissão a três palestrantes, incluindo McAleese.

A comissão organizadora disse que a decisão sobre os palestrantes foi tomada pelo cardeal irlandês-americano Kevin Farrell, chefe do novo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

No lançamento de um livro, no início do mês, Farrell disse que “presume-se” que eventos realizados dentro do Vaticano "sejam apoiados pelo Papa" e que "o Papa esteja de acordo com tudo o que é dito".

Ele disse que após ser informado "do que se tratava o evento, não era apropriado continuar meu apoio". Mas Farrell disse que, apesar de não poder apoiar o evento, a Igreja está "sempre aberta a ouvir e estamos sempre abertos ao diálogo".

“Hoje, nós desafiamos o Papa Francisco a desenvolver uma estratégia credível para a inclusão das mulheres como iguais em toda a estrutura da Igreja, da base ao topo, incluindo setores de tomada de decisão”.

McAleese começou sua fala reconhecendo que as reformas do Concílio Vaticano II abriram espaço para novos papéis para os leigos na Igreja.

Segundo ela, muitos daqueles papéis "simplesmente aumentaram a visibilidade das mulheres em papéis subordinados... mas em nada acrescentaram ao seu poder de decisão ou de expressão”.

McAleese afirmou que a proibição da Igreja à ordenação de mulheres, articulada pela carta apostólica de 1995 do Papa João Paulo II, Ordinatio Sacerdotalis, "bloqueou qualquer participação das mulheres de papéis significativos de liderança, desenvolvimento doutrinário e estrutura de autoridade da Igreja, já que historicamente eram reservados para ou filtrados por homens ordenados".

"Por quanto tempo a hierarquia consegue sustentar a credibilidade de um Deus que quer as coisas desta forma, que quer uma Igreja na qual as mulheres são invisíveis e não têm voz na liderança da Igreja, no discernimento legal e doutrinário e no processo decisório?", perguntou.

O discurso de McAleese pareceu representar uma mudança de estratégia para o Voices of Faith, que nos últimos anos tomou um caminho especialmente cuidadoso. Por mais que o evento tenha abordado questões de exclusão dentro da Igreja em alguns momentos, palavras como "ordenação" e "sexismo" foram amplamente evitadas.

Uma das organizadoras do evento disse numa conferência de imprensa no dia 7 de março que tinham decidido permitir que o Vaticano exercesse algum controle sobre os palestrantes nos quatro primeiros anos para se estabelecer e atrair o interesse mundial.
Lesley-Anne Knight, ex-secretária geral da Caritas Internationalis e consultora do Voices of Faith, disse que o grupo sente que é mais conhecido agora e pode caminhar sozinho.

"Inicialmente, permitir que as vozes das mulheres simplesmente fossem ouvidas no Vaticano de uma diversidade muito ampla foi crucial", disse Knight. "Nesses anos iniciais, houve também algum controle, e nós sabíamos disso. Sabíamos que fazia parte."

"Acho que chegou um momento em que sentimos que houve apoio suficiente ao Voices of Faith de uma enorme diversidade de mulheres para dizermos: 'de agora em diante nós já não vamos mais ser silenciados'", declarou.

"Não estou dizendo que não havia protesto na época”. "Mas eu acho que sentíamos que para estabelecer o Voices of Faith era importante andar na linha, em certa medida, até este momento".

Na conferência de imprensa, vários outros palestrantes manifestaram esperança de que a Igreja Católica ordene mulheres no futuro.

A teóloga britânica Tina Beattie disse que a Igreja "entrou num beco sem saída catastrófico ao tentar dar argumentos teológicos coerentes contra a ordenação das mulheres".

"Como tenho muita fé na tradição católica, eu não acho que a Igreja costume permanecer presa em becos sem saída e não tenho dúvidas de que, guiados pelo Espírito Santo, os melhores argumentos vão permanecer e as mulheres vão ser ordenadas na Igreja", disse Beattie , professora de estudos católicos na Universidade de Roehampton, em Londres.

Nivedita Lobo Gajiwala, indiana de pai hindu e mãe católica, disse que os pais dela não a batizaram quando era criança porque queriam que ela decidisse sua própria religião. Ela relatou ter decidido não ser batizada, apesar de ter frequentado escola católica e gostar da religião.

"Não me via nos líderes ordenados, nem nas regras e rituais", disse Lobo Gajiwala. "Foi muito diferente da realidade que estou buscando enquanto jovem mulher".

"Eu estava buscando pró-atividade, autonomia e empoderamento, e senti que estes homens celibatários tomavam decisões por mim, decisões sobre planejamento familiar, violência doméstica e abuso sexual... quando não tinham a minha experiência como jovem mulher no mundo", afirmou.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Ex-presidente da Irlanda pede que o Papa desenvolva 'estratégia credível' para a inclusão das mulheres - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV