Card. Mueller contesta a exigência de processos mais rápidos para abusos sexuais

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05 Março 2018

Processos mais rápidos nos casos de padres pedófilos. É o que discutiram o Papa e o conselho de nove cardeais que o estão ajudando na reforma da Cúria. Mas o cardeal Gerhard Ludwig Mueller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que o Papa Francisco aposentou antecipadamente no ano passado, contesta essa ideia e volta a mencionar a demissão - decidida pelo Papa – de três de seus colaboradores. O cardeal alemão - no passado acusado de boicotar as investigações através de atrasos por Marie Collins, a mulher irlandesa que quando criança sofreu abusos por um padre e depois integrou a comissão vaticana para a proteção dos menores - também critica a novidade introduzida por Jorge Mario Bergoglio de um tribunal de apelações em casos de pedofilia que foi confiado ao arcebispo de Malta Charles Scicluna.

A informação é publicada por Askanews, 02-03-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

"A congregação tem feito um trabalho altamente profissional durante anos e merece a gratidão de todos os envolvidos. As dificuldades para a Igreja surgem sempre que se tenta qualquer acordo de cavalheiros fora do processo que interfere com o processo judicial. O procedimento de recurso para um Colégio dentro da congregação para a Doutrina da fé, cujo presidente inexplicavelmente não é o prefeito, deveria ser resumido para o controle da correção formal do procedimento na diocese e da primeira instância da congregação para a Doutrina da fé. Interferir com a remoção - se a culpa for comprovada – por piedade nos confrontos do abusador deveria ser evitado tanto quanto possível porque causa um grande dano à Igreja e é uma injustiça contra as vítimas. Uma ofensa desse calibre não pode ser equiparada com os erros e. os pecados que todos nós cometemos. Obviamente, toda culpa pode ser perdoada ao pecador se estiver arrependido. Mas não é possível pedir que um pastor volte a ocupar uma posição de confiança da qual abusou de maneira aberrante”.

Em 21 de janeiro de 2015 o Papa Francisco nomeou Scicluna presidente do Colégio para o exame dos recursos à Sessão Ordinária da Congregação para a Doutrina da Fé.

De acordo com Mueller, "a congregação para a Doutrina da fé precisa de um maior número de padres bem formados e que conheçam línguas diferentes para desempenhar os procedimentos conforme a necessidade. Infelizmente muitos funcionários competentes foram demitidos sem motivo e contra a minha expressa vontade. Depois se ouvem queixas sobre o fato de que a congregação carece de celeridade nos procedimentos. Mas não é possível separar-se dos melhores cavalos e ao mesmo tempo exigir que a carruagem ande mais rápido. As leis da lógica e da física também são válidas para a Igreja”.

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