Cardeal Sarah: ''Há um ataque diabólico contra a Eucaristia, que deve ser recebida na língua e de joelhos''

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26 Fevereiro 2018

A comunhão se recebe na língua, de joelhos. Não de outros modos. Foi o que sublinhou o cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. O purpurado escreveu isso no prefácio do livro do Pe. Federico Bortoli La distribuzione della Comunione sulla mano. Profili storici, giuridici e pastorali [A distribuição da Comunhão na mão. Perfis históricos, jurídicos e pastorais] (Ed. Cantagalli), em que ele denuncia um ataque diabólico múltiplo contra a Eucaristia.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 23-02-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A premissa do purpurado se baseia no Anjo de Fátima: “Antes da aparição da Virgem Maria, na primavera de 1916, ele apareceu a Lúcia, Jacinta e Francisco, e lhes disse: ‘Não tenhais medo, eu sou o Anjo da Paz. Rezai comigo’”. Na primavera de 1916, “na terceira aparição do Anjo, as crianças se deram conta de que o Anjo, sempre o mesmo, segurava em sua mão esquerda um copo, sobre o qual estava suspensa uma hóstia. Ele deu a Sagrada Hóstia a Lucia, e o Sangue do cálice a Jacinto e Francisco, que ficaram de joelhos, enquanto ele dizia: ‘Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai seus crimes e consolai vosso Deus’”.

Sarah afirma que essa cena “nos indica como nós devemos comungar do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo”. E a oração “de reparação ditada pelo Anjo, infelizmente, não é nada obsoleta”, diz o purpurado.

O cardeal explica, depois, quais são “os ultrajes que Jesus recebe na Hóstia Santa”.

Em primeiro lugar, aqueles contra o próprio sacramento: “As horríveis profanações, das quais alguns ex-satanistas convertidos deram notícia e descrições horripilantes”; também são ultrajes “as comunhões sacrílegas, recebidas não na graça de Deus ou não professando a fé católica (refiro-me a certas formas da chamada ‘intercomunhão’)”.

Segundo elemento: “Tudo o que poderia impedir a frutuosidade do Sacramento, especialmente os erros semeados nas mentes dos fiéis para que não acreditem mais na Eucaristia”. Para Sarah, as “terríveis profanações que ocorrem nas chamadas ‘missas negras’ não ferem diretamente Aquele que é ultrajado na Hóstia”, acabando apenas nos “acidentes do pão e do vinho”.

“É claro – continua –, Jesus sofre pelas almas dos profanadores, para os quais Ele derramou aquele Sangue que eles desprezam tão mísera e cruelmente. Mas Jesus sofre mais quando o extraordinário dom de sua Presença eucarística divino-humana não pode trazer os potenciais efeitos às almas dos fiéis.”

Assim, entende-se como o “mais insidioso ataque diabólico consiste em tentar apagar a fé na Eucaristia, semeando erros e favorecendo um modo inadequada de recebê-la”. O propósito de Satanás é o “Sacrifício da Missa e a Presença Real de Jesus na Hóstia consagrada”.

E essa tentativa de “rapina, por sua vez, segue dois caminhos: o primeiro é a redução do conceito de ‘presença real’. Muitos teólogos não cessam de zombar ou de esnobar – apesar dos constantes chamados do Magistério – do termo ‘transubstanciação’”.

Para o prefeito do Culto Divino, a fé na presença real “pode influenciar o modo de receber a Comunhão e vice-versa”. Recebê-la na mão envolve “sem dúvida uma grande dispersão de fragmentos; ao contrário, a atenção às menores migalhas, o cuidado ao purificar os vasos sagrados, não tocar a Hóstia com as mãos suadas tornam-se profissões de fé na presença real de Jesus, até mesmo nas menores partes das espécies consagradas: se Jesus é a substância do Pão Eucarístico, e se as dimensões dos fragmentos são acidentes apenas do pão, tem pouca importância o quanto um pedaço da Hóstia é grande ou pequeno! A substância é a mesma! É Ele!”, exclama.

Ao contrário, a desatenção aos fragmentos faz com que se “perca de vista o dogma: pouco a pouco, poderia prevalecer o pensamento: ‘Se até o pároco não presta atenção nos fragmentos, se ele administra a Comunhão de modo que os fragmentos possam se dispersar, então isso quer dizer que neles não há Jesus, ou há ‘até certo ponto’”.

O outo caminho sobre o qual se “entrelaça o ataque contra a Eucaristia é a tentativa de tirar do coração dos fiéis o sentido do sagrado”. Sarah escreve: “Embora o termo ‘transubstanciação’ nos indique a realidade da presença, o sentido do sagrado nos faz entrever sua absoluta peculiaridade e santidade. Que desgraça seria perder o sentido do sagrado naquilo que é mais sagrado! E como é possível? Recebendo o alimento especial do mesmo modo que um alimento comum”.

A liturgia é feita de muitos “pequenos ritos e gestos – cada um deles é capaz de expressar essas atitudes carregadas de amor, de respeito filial e de adoração para com Deus. Precisamente por isso, é oportuno promover a beleza, a adequação e o valor pastoral. de uma prática desenvolvida durante a longa vida e tradição da Igreja, isto é, o ato de receber a Santa Comunhão na língua e de joelhos”.

Diz o cardeal: “A grandeza e a nobreza do homem, assim como a mais alta expressão de seu amor para com o Criador, consiste em se pôr de joelhos diante de Deus. Jesus mesmo rezou de joelhos na presença do Pai”.

Sara oferece o exemplo de dois “grandes santos do nosso tempo: João Paulo II e Teresa de Calcutá. Toda a vida de Karol Wojtyła – lembra – foi marcada por um profundo respeito pela Santa Eucaristia. Apesar de estar esgotado e sem forças, ela sempre se forçou a se ajoelhar diante do Santíssimo. Ele era incapaz de se ajoelhar e de se levantar sozinho. Precisava de outros para dobrar os joelhos e depois se levantar. Até seus últimos dias, ele quis nos dar um grande testemunho de reverência ao Santíssimo Sacramento”.

Sarah se pergunta: “É realmente humilhante demais se prostrar e ficar de joelhos diante do Senhor Jesus Cristo?”.

Santa Madre Teresa de Calcutá, “religiosa excepcional que ninguém ousaria tratar como tradicionalista, fundamentalista ou extremista, cuja fé, santidade e dom total de si a Deus e aos pobres são conhecidos por todos, tinha um respeito e um culto absoluto em relação ao Corpo divino de Jesus Cristo. Certamente, ela tocava cotidianamente a ‘carne’ de Cristo nos corpos deteriorados e sofredores dos mais pobres dos pobres”.

No entanto, “repleta de estupor e de respeitosa veneração, Madre Teresa se abstinha de tocar o Corpo transubstanciado do Cristo; em vez disso, ela o adorava e o contemplava silenciosamente, permanecia por um longo tempo de joelhos e prostrada diante de Jesus Eucaristia”. Além disso, ela recebia a comunhão “na sua boca, como uma pequena criança que se deixava alimentar humildemente pelo seu Deus”.

Outra interrogação: “Por que nos obstinamos a comungar de pé e na mão? Por que essa atitude de falta de submissão aos sinais de Deus?”. Depois, adverte: “Que nenhum sacerdote ouse pretender impor sua autoridade sobre essa questão, refutando ou maltratando aqueles que desejam receber a Comunhão de joelhos e na língua: vamos como as crianças e recebamos humildemente, de joelhos e na língua, o Corpo de Cristo”.

Em seguida, Sarah defende que receber a Eucaristia na mão tornou-se uma prática porque, “para uma reforma litúrgica que deveria ter sido homogênea com os ritos anteriores, uma concessão particular tornou-se a chave-mestra para forçar e esvaziar a caixa-forte dos tesouros litúrgicos da Igreja”.

O prefeito do Culto Divino também cita o Papa Emérito Bento XVI, “que, nos últimos anos de seu pontificado, quis distribuir a Eucaristia na boca e de joelhos”.

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