O Papa aos jovens: não se tornem um “fake” que só busca “likes”

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23 Fevereiro 2018

O Papa exortou aos jovens a não se esconder “por trás de máscaras e falsas identidades, até quase se tornar eles próprios um fake”, obcecados pelo “maior número possível de “eu gosto”. Estimulou a recordar que “não temos que buscar a proximidade e a ajuda de Deus apresentando, antecipadamente, um “curriculum de excelência”, cheio de méritos e de êxitos”, e a não deixar que “o brilho da juventude se apague na obscuridade de um quarto fechado, no qual a única janela para ver o mundo seja o computador e o smartphone”. Escreveu isto em uma mensagem pela ocasião da 33ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que, em vista da de Panamá, em 2019, será celebrada em nível diocesano, no próximo dia 25 de março.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 22-02-2018. A tradução é do Cepat.

Francisco, que destacou como é uma “boa coincidência” que a reunião caia no ano em que ocorrerá o Sínodo para os jovens, escreveu em sua mensagem: “Desejo que na Igreja lhes sejam confiadas responsabilidades importantes, que se tenha a coragem de lhes dar espaço; e vocês se preparem para assumir esta responsabilidade”.

O Papa Francisco recordou que tomou o itinerário de Maria, “a jovem de Nazaré, a quem Deus escolheu como Mãe de seu Filho”, como exemplo para suas mensagens à JMJ do ano passado, e explicou que, neste ano, “buscamos escutar com ela a voz de Deus que infunde valor e dá a graça necessária para responder a seu chamado: “Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus”.

“Hoje em dia - escreveu Bergoglio -, muitos jovens se sentem obrigados a se mostrar diferentes daquilo que são na realidade, para tentar se adequar a padrões muitas vezes artificiais e inalcançáveis. Fazem contínuos “retoques fotográficos” em sua imagem, escondendo-se por trás de máscaras e falsas identidades, até quase se tornar eles próprios um fake. Muitos estão obcecados em receber o maior número possível de “eu gosto”. E este sentido de inadequação produz muitos temores e incertezas. Outros têm medo de não ser capazes de encontrar uma segurança afetiva e ficar sós. Diante da precariedade de trabalho, muitos têm medo de não poder alcançar uma situação profissional satisfatória, de não ver realizados os seus sonhos. Trata-se de temores que estão presentes em muitos jovens, hoje, tanto crentes como não crentes. E até mesmo aqueles que alcançaram o dom da fé e buscam seriamente sua vocação também não estão isentos de temores”.

Segundo o Papa, “nos momentos em que as dúvidas e os medos inundam nossos corações, torna-se imprescindível o discernimento. Permite-nos colocar ordem na confusão de nossos pensamentos e sentimentos, para atuar de uma maneira justa e prudente”. Francisco dirigiu, pois, este convite a todos os jovens: “Não tenham medo de olhar com sinceridade seus medos, reconhecê-los com realismo e os enfrentar”, e apontou que “o obstáculo para a fé não é, com frequência, a incredulidade, mas, sim, o medo”. O trabalho de discernimento, então, “uma vez identificados os medos, deve nos ajudar a superá-los, abrindo-nos à vida e enfrentando com serenidade os desafios que nos apresenta.

Para os cristãos, concretamente, o medo nunca deve ter a última palavra, mas nos oferece a oportunidade para realizar um ato de fé em Deus... e também na vida”, porque, se alimentamos os medos, “tenderemos a nos fechar em nós mesmos, a levantar uma barricada para nos defender de tudo e de todos, ficando paralisados. Devemos reagir! Nunca nos fechar! Nas Sagradas Escrituras, encontramos 365 vezes a expressão “Não temas”, com todas as suas variações. Como se estivesse dizendo que todos os dias do ano o Senhor nos quer livres do temor”.

O Papa insistiu em que, além da oração com o Senhor, “é importante falar e dialogar com outros, irmãos e irmãs nossos na fé, que possuem mais experiência e nos ajudam a ver melhor e a escolher entre as diversas opções”. Nos medos, prosseguiu o Pontífice dirigindo-se aos jovens, “saibam que podem contar com a Igreja. Sei que há bons sacerdotes, consagrados e consagradas, fiéis leigos, muitos deles jovens por sua vez, que podem lhes acompanhar como irmãos e irmãs mais velhos na fé”.

Além disso, o “outro” “não é unicamente um guia espiritual, mas também o que nos ajuda a nos abrir a todas as riquezas infinitas da existência que Deus nos deu. É necessário que deixemos espaço em nossas cidades e comunidades para crescer, sonhar, olhar novos horizontes. Nunca percam o gosto de desfrutar do encontro, da amizade, o gosto de sonhar juntos, de caminhar com os demais. Os cristãos autênticos não têm medo de se abrir aos demais, compartilhar seu espaço vital, transformando-o em espaço de fraternidade. Não deixem, queridos jovens, que o brilho da juventude se apague na obscuridade de um quarto fechado, no qual a única janela para ver o mundo seja o computador e o smartphone. Abram as portas de suas vidas!”.

O principal motivo pelo qual Maria não deve temer, prosseguiu o Papa, “é porque encontrou graça diante de Deus. A palavra “graça” nos fala de amor gratuito e imerecido. Como nos anima saber que não temos que buscar a proximidade e a ajuda de Deus apresentado, antecipadamente, um “curriculum de excelência”, cheio de méritos e de êxitos”.

Segundo o Papa, “o caminho da vocação não está livre de cruzes: não só as dúvidas iniciais, mas também as frequentes tentações que se encontram ao longo do caminho. A sensação de não estar à altura acompanha o discípulo de Cristo até o final, mas ele sabe que é assistido pela graça de Deus”, mas a consciência da presença de Deus “não resolve certamente todos os problemas e não retira as incertezas da vida, mas tem o poder de transformá-la em profundidade. O que o amanhã nos trará, e que não conhecemos, não é uma ameaça obscura da qual temos que sobreviver, mas, sim, um tempo favorável que nos é concedido para viver o caráter único de nossa vocação pessoal e compartilhá-lo com nossos irmãos e irmãs na Igreja e no mundo”.

Ao final, explicou o Papa Francisco, “a Maria, jovem, foi confiada uma tarefa importante, justamente porque era jovem”, e por esse motivo convidou, em “uma fase da vida na qual, sem dúvida, não faltam as energias”, a usar “essa força e essas energias para melhorar o mundo, começando pela realidade mais próxima a vocês. Desejo que na Igreja lhes sejam confiadas responsabilidades importantes, que se tenha a coragem de lhes dar espaço; e vocês se preparem para assumir esta responsabilidade”.

Francisco concluiu a mensagem dizendo aos jovens: “A JMJ é para os corajosos, não para jovens que só buscam comodidade e que recuam diante das dificuldades. Aceitam o desafio?”.

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