Quarto livro da História da Sexualidade de Foucault é publicado na França

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15 Fevereiro 2018

Confissões da carne, publicado contra a vontade do falecido filósofo, chama a atenção para a Europa medieval.

O comentário é de Alison Flood, publicado por The Guardian, 12-02-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Um trabalho inédito de Michel Foucault, em que o filósofo francês considera a sexualidade entre os primeiros cristãos, foi lançado na França, 34 anos após sua morte.
Foucault publicou três volumes da História da Sexualidade, que exploravam a experiência da sexualidade na sociedade ocidental desde os gregos antigos até os dias modernos: A vontade de saber (1976), O uso dos prazeres e O cuidado de si (ambos de 1984). O quarto volume estava incompleto quando de sua morte, em 1984, de uma doença associada à aids.

Gallimard, que lançou o volume Confissões da carne na semana passada, disse que o volume abordava as doutrinas do cristianismo entre os séculos XI e XIV, elaborando a crença de Foucault de que a maioria das regras e doutrinas baseava-se na autodisciplina que os filósofos gregos e latinos da antiguidade haviam praticado. O autor havia escrito o primeiro rascunho do trabalho, de acordo com a editora, que o considerou "talvez o coração da obra, a parte à qual ele deu importância suficiente para iniciar o projeto".

Foucault especificou em seu testamento que não queria que seu trabalho fosse publicado após sua morte. De acordo com um ensaio escrito por John Forrester no livro Foucault Now, ele escreveu: “Pas de publication posthume” (em tradução livre, “não publicar postumamente”).

"Dizem que ele teria avisado seus amigos: 'Não façam o truque Max Brod-Kafka comigo'", escreveu Forrester, acrescentando que, apesar disso, houve um "fluxo contínuo" de tais obras, que aumentou em 2004, o 20º aniversário da sua morte.

Numa introdução, o filósofo Frédéric Gros para a entrevista que nos concedeu quando aqui esteve esclarece como o volume publicado de Confissões da carne foi reunido a partir de um manuscrito de Foucault escrito à mão e uma versão da mesma obra escrita à máquina.

"Os detentores dos direitos de Michel Foucault acharam que o momento e as condições eram propícios para publicar esta grande obra inédita", escreve.

"E está pronta agora."

O livro, segundo Stuart Elden, professor da Universidade de Warwick, é dividido em três partes. "A primeira discute como a antiga noção de aphrodisia – noção que podemos entender como prazer – foi substituída com a noção cristã da carne. Isso, por sua vez, precede a nossa compreensão moderna da sexualidade. A segunda e a terceira partes do livro discutem sobre ser virgem e estar casado. Esses são os dois principais temas com que os pais da igreja se preocupam – o monge e o homem casado", disse o especialista em Foucault. "É escrito em um estilo austero de análise textual, sem o tipo de floreios retóricos que caracterizam alguns de seus outros trabalhos."

Elden, autor de Foucault’s Last Decade, disse que, em muitos aspectos, o volume publicado postumamente foi "a chave para toda a série da História da Sexualidade".

"Seu título inicial era La chair et le corps [A carne e o corpo]. Foucault escreveu grande parte de um volume com esse título. Mas percebeu que questões cruciais na tradição cristã remontavam a épocas muito anteriores. Então, no final dos anos 70 e início dos anos 80, que podemos ver em suas palestras e em outras fontes, ele explorou material histórico cada vez mais antigo. Este livro é o resultado desse trabalho", disse Elden.

Apesar da aparente relevância do volume para discussões contemporâneas em torno da sexualidade, Elden disse que o falecido filósofo estava "mais... preocupado com a análise histórica das questões”.

"Ele falava de seu trabalho como uma "história do presente", um exame de como chegamos até onde estamos, como o que atualmente é considerado dado tornou-se possível", comentou. "As questões com que estava preocupado – loucura e doença mental, medicina e saúde, punição, sexualidade e assim por diante – permanecem prementes hoje, e a investigação de Foucault a respeito dessas questões, e talvez especialmente das perguntas que ele fez sobre elas, significam que ele continua a ser uma referência regular."

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