O ''não'' da Igreja aos macacos clonados na China: ''Uma ameaça ao futuro da humanidade''

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26 Janeiro 2018

“Visto como acabou a história da ovelha Dolly, que envelheceu prematuramente depois de poucos meses e, em seguida, foi morta para não a fazer sofrer, pobrezinha, esperava-se que ninguém voltasse a tentar uma coisa dessas.” O cardeal Elio Sgreccia tem a voz trêmula daqueles que tentam, em vão, conter a perplexidade.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 25-01-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Presidente emérito da Pontifícia Academia para a Vida, ele é um dos maiores bioeticistas da Igreja, autor de um “Manual de bioética”, que se tornou um clássico do pensamento católico. Foi ele quem liderou a pesquisa para a redação da Dignitas personae, a instrução de referência em tema de bioética da Congregação para a Doutrina da Fé. Um documento assinado em 2008 pelo prefeito William Levada e pelo secretário Luis Ladaria, nomeado no ano passado por Francisco à frente do Santo Ofício.

Eis a entrevista.

Eminência, o que lhe preocupa?

A vontade que está por trás de tal pesquisa. Vejo nela uma ameaça para o futuro da humanidade. Primeiro a ovelha, depois, o macaco. Parece ser a tentativa de se aproximar do homem, como se fosse um penúltimo passo. Uma perspectiva que a Igreja, naturalmente, nunca poderá aprovar.

O Homúnculo do “Fausto”, de Goethe, fala disso...

Sim, justamente. Se quiserem brincar com a criação devastando os níveis metafísicos... Por que querer clonar um macaco? Qual é o motivo? Querem reproduzir carne? Seres humanos falsos? Isso me faz suspeitar...

O que o senhor quer dizer com “devastar os níveis metafísicos?

A tentativa de apagar a diferença ontológica entre o ser humano e os animais. Por trás da vontade de clonar um macaco, pode-se esconder uma tendência que já surgiu em outros setores de pesquisa, a de levar o ser humano na direção do macaco, e o macaco na direção do ser humano, e, por fim, considerar o macaco igual ao ser humano.

Mas não poderia ser, mais simplesmente, um extraordinário passo do ponto de vista médico?

Se se quiser fazer pesquisa biológica ou médica, não há a necessidade de abalar a ordem natural. Além disso, também na instrução da Congregação para a Doutrina da Fé, explica-se que a distinção entre clonagem reprodutiva e clonagem terapêutica é insustentável.

O que a Igreja pensa sobre a clonagem animal?

Ao contrário da hipótese da clonagem humana, sobre a qual a Igreja só pode expressar sua condenação mais total e firme, sobre a clonagem animal o magistério ainda não expressou uma condenação explícita, oficial. Deixou-se o tema à avaliação dos cientistas responsáveis. No entanto, essa tendência não deve ser apenas um problema da Igreja.

Em que sentido?

Para um fiel, é inaceitável. Mas tal manipulação profunda deveria ser sentida por todos como uma ameaça à pessoa humana, a tentativa de degradar sua dignidade.

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