Morte ao sindicato: nas fábricas reina o populismo

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15 Janeiro 2018

Requiem para aquela grande ferramenta de promoção não só econômica e social, mas política, cultural e democrática que foi o sindicato no século passado. Aqui, não está em discussão o papel na defesa e na valorização econômica do trabalho, com os méritos e deméritos das lutas pelos contratos. Trata-se, antes disso, do sindicato como lugar e veículo de entendimento e solidariedade das camadas sociais menos ricas e mais desfavorecidas e como laboratório de massa para a definição e difusão de modelos de comportamentos sociais inspirados em valores democráticos.

A reportagem é de Maurizio Ricci, publicada por La República, 13-01-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Pelo gradual desaparecimento nos locais de trabalho, no que diz respeito aos sindicatos históricos italianos, como a CGIL, CISL e UIL, ou por omissão, mais ou menos deliberada – pode-se suspeitar - em outros lugares, hoje, no entanto, uma olhar global sobre a Europa parece indicar a sindicalização como o caminho mais breve para a intolerância e o populismo.

Os sinais estão ainda espalhados, mas insistentes. O sucesso sistemático de Forza Itália na classe trabalhadora, o enraizamento da Lega nas áreas mais sindicalizadas, as conquistas de Marine Le Pen, Donald Trump, dos defensores do Brexit, da AfD alemã no mundo do trabalho indicam que o populismo mais que se espalhar no subproletariado, está criando raízes principalmente no ressentimento de pobreza relativa, como a chamam os estatísticos, que emerge da sensação de ver cair o próprio status social. Sobre esse ponto, as pesquisas são poucas, mas é inquietante que a mais penetrante chegue da Alemanha, talvez o último país ocidental em que o sindicato seja uma força social poderosa e temida.

Mas os dados recolhidos por Richard Stoess ("Trade Unions and Right-Wing Extremism in Europe") mostram que os trabalhadores próximos ao sindicato não estão mais longe do extremismo do que a média dos eleitores. Pelo contrário, há mais populismo na fábrica do que na sociedade em geral.

Os números ainda são os das eleições de 2014, mas visto que, nas eleições de setembro passado, a AfD dobrou o consenso, é difícil acreditar que as tendências tenham mudado. Na Saxônia-Anhalt (ex-RDA, coração da indústria química alemã e uma região que se beneficia de pesados investimentos do exterior) Merkel teve 27 por cento dos votos dos trabalhadores, a esquerda radical da Linke, 17 por cento, a SPD, 12 por cento. Os populistas da AfD arrecadaram 30 por cento.

Em geral, na Alemanha, de acordo com Stoess, 20 por cento dos trabalhadores declaram-se em sintonia com a extrema direita: menos funcionários do setor de serviços, mais trabalhadores de menor qualificação. Se, no entanto, os trabalhadores não qualificados são sindicalizados, a sintonia salta para 34 por cento. É o ponto sobre o qual insiste Stoess: não é surpreendente que o rancor que alimenta populismo e intolerância seja mais forte entre os trabalhadores com rendimentos mais baixos e menor educação. É o que vêm argumentando há anos estudiosos e observadores, além de um número impreciso de pesquisas jornalísticas, multiplicadas pelo recente sucesso de Donald Trump.

Mas como não é verdade que Trump recebeu os votos dos pobres (em média, a renda daqueles que, em 2016, votaram no candidato republicano foi de US $ 50.000 por ano), também não é verdade que os sólidos representantes da classe média - mesmo onde essa classe média é serena e próspera como na Alemanha - sejam insensíveis às campanhas populistas. Isso é especialmente verdade - lastima Stoess - quanto mais eles demonstram não ser indiferentes, isolados, individualistas, mas, ao contrário, socialmente ativos e presentes, como evidencia a carteirinha do sindicato no bolso.

Naquele que a pesquisa define de "segmento médio", ou seja, os graduados com uma renda média, um trabalhador tem uma vez e meia mais probabilidade de simpatizar com a direita radical se for membro de um sindicato do que se não for. O 13% dos trabalhadores nesse segmento mostra, de fato, uma alma populista. Mas o percentual sobe para 19 por cento se esse mesmo trabalhador for filiado a um sindicato.

Bom rendimento, boa cultura e compromisso social demonstrado pela carteirinha do sindicato, portanto, não são uma vacina contra o vírus populista, nem mesmo onde o sindicato conta e pesa. Como se o próprio sindicato tivesse perdido de vista a sua própria natureza, não só de veículo de reivindicações, mas de comunidade de valores.

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