Honduras. Jesuítas denunciam sabotagem contra a Rádio ‘Progreso’

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15 Dezembro 2017

Em um novo episódio da crise política hondurenha, após as eleições presidenciais do dia 26 de novembro, a Rádio Progreso, uma emissora do apostolado social da Companha de Jesus no país centro-americano, denunciou a sabotagem em suas instalações e antena de transmissão. O jesuíta Ismael Moreno, diretor da rádio, acusou ao governo do conservador Juan Orlando Hernández de estar por trás da ação que retirou a estação do ar.

A reportagem é de Israel González Espinoza, publicada por Religión Digital, 14-12-2017. A tradução é do Cepat.

 

No domingo, 26 de novembro os hondurenhos tinham sido convocados para eleger presidente, 128 deputados para o Congresso Nacional (unicameral), 20 deputados para o Parlamento Centro-Americano (PARLACEN), 298 prefeitos e vice-prefeitos, bem como 2098 conselheiros em nível nacional, entre 10 partidos inscritos. Entre eles, dois – o governante Partido Nacional (PAN) e a opositora Aliança de Oposição à Ditadura - eram os mais fortes.

Após o fechamento das mesas eleitorais no mesmo dia, e após a contagem dos votos a conta-gotas por parte do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), os primeiros resultados (70% das mesas apuradas) davam uma clara vantagem ao candidato da oposição, Salvador Nasralla, sobre o candidato à reeleição Juan Orlando Hernández. No entanto, na terça-feira, 28 de novembro, após um apagão informático nos servidores da instituição eleitoral hondurenha, os resultados mudaram para favorecer ao partido governante.

Isto, mais uma contagem lenta, geraram protestos por todo o país, e alguns deles se tornaram atos violentos como bloqueios em rodovias, destruição e alguns saques em ruas de Tegucigalpa (capital) e San Pedro Sula (segunda cidade em importância de Honduras).

Após duas semanas de paralisação política, o TSE anunciou uma recontagem de mais de quatro mil mesas eleitorais que não foram transmitidas ao seu processo de contabilidade no dia da eleição. Nelas se confirmou a suposta tendência vencedora ao candidato presidente Hernández.

“Fomos além e nos compraz anunciar que o resultado é sumamente consistente. As variações são mínimas, o que indica que os membros das mesas, no dia das eleições, fizeram um trabalho muito bom, um trabalho de primeira qualidade. Ao final, fica demonstrado que as atas foram bem preparadas por representantes dos dez partidos”, expressou David Matamoros Batson, presidente do TSE.

No entanto, a Aliança de Oposição continua denunciando fraude. Manuel Zelaya, ex-presidente hondurenho derrubado por um golpe de estado em 2009, assinou uma carta na qual afirmou que o candidato Salvador Nasralla recebeu pressões da embaixada dos Estados Unidos para que se desvinculasse dele, pois “prega o socialismo democrático”, segundo a carta.

A oposição tinha anunciado que impugnaria o total da eleição presidencial de Honduras, e anunciava mais mobilizações contra o que consideram uma “fraude” eleitoral.

Rádio Progreso foi uma emissora especialmente crítica à gestão de Hernández e ao seu anseio de se reeleger, apesar de contar com uma proibição constitucional para isto. De fato, a emissora é um dos poucos meios de comunicação contra-hegemônico, independente e crítico que existem em Honduras, com mais de 60 anos.

“Fomos vítimas de uma sabotagem. Responsabilizamos Juan Orlando Hernández e seu grupo como os culpados diretos por sabotar a voz da Rádio Progreso em Tegucigalpa”, denunciou o padre Ismael Moreno, SJ, diretor da emissora jesuíta.

A denúncia do padre Moreno foi feita após os técnicos da rádio comprovarem que a antena transmissora não caiu pela ação dos fortes ventos que açoitam a região centro-americana pela presença de uma frente fria, mas que, ao contrário, existiu mão criminosa para silenciar a Progreso.

“A queda da torre, na noite de sábado, 9 de dezembro, aparentemente tinha sido pelo clima, no entanto, após a inspeção se comprovou que não se tratou de uma ação do clima ou dos ventos. Temos dados precisos que sustentam que a torre foi desparafusada previamente, o que fez com que a antena se fragmentasse em 3 pedaços. Houve mãos externas, mãos criminosas que criaram as condições para que a torre caísse”, sustentou o sacerdote Moreno, que também é líder da Equipe de Reflexão, Investigação e Comunicação (ERIC), centro jesuíta próximo aos movimentos sociais contrários à mineração, turismo ou produção energética hidrelétrica.

O padre Moreno condenou o fato que aqueles que derrubaram a torre de transmissão da Rádio Progreso sabiam o que estavam fazendo, posto que ao “afrouxar” os cabos que sustentavam a estrutura, fez com que esta desmoronasse e se dividisse em três partes. O jesuíta insistiu em destacar que a voz crítica e independente da emissora era a causa da sabotagem.

“Sabemos que o governo de Juan Orlando Hernández continua contando com o aval dos governos da comunidade internacional, por isso fazemos um chamado urgente, para que ouça o governo dos Estados Unidos, através de sua embaixada, as embaixadas europeias, instâncias da ONU, OEA, que a Rádio Progreso, com sua palavra crítica e proposta, foi vítima de uma sabotagem em sua antena em Tegucigalpa”, exortou o sacerdote.

Em sua conta oficial de Twitter: @Melosjmoreno, O padre Moreno sustentou, com um tom de amarga ironia, que agora surgiriam vozes dizendo que era necessário baixar a intensidade da denúncia social.

“Não tardarão vozes que, com aparente boa intenção, recomendarão que diminuamos o tom de nossas denúncias. Pergunto: Temos que atenuar como meio de comunicação jesuíta em uma Honduras onde um reduzido grupo ameaça a vida e dignidade de amplos setores da sociedade?”, escreveu.

Jesuítas do istmo apoiam ao padre Moreno e Rádio Progreso

Em um comunicado recente da Província Centro-Americana da Companhia de Jesus, os jesuítas denunciaram o que eles consideraram uma “fraude eleitoral” em Honduras, e exigiram o respeito à vontade emanada das urnas.

No mesmo comunicado, também expressaram seu apoio ao padre Moreno e à equipe da Rádio Progreso, constantemente ameaçada pelo poder político de Tegucigalpa.

“Parabenizamos a Rádio Progreso (RP) e a Equipe de Reflexão, Investigação e Comunicação (ERIC) por seu trabalho informativo, de análise, reflexão e defesa dos direitos humanos das e dos hondurenhos”, apontava, em uma de suas partes, a carta pública dos jesuítas do istmo.

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