Moscou-Kiev: reconciliação anunciada e desmentida

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06 Dezembro 2017

Uma novidade (logo desmentida) e uma confirmação importante foram divulgadas pela Assembléia de bispos da Igreja Ortodoxa Russa, que se realizou na Catedral do Santíssimo Salvador, em Moscou (29 de novembro-2 de dezembro): o início de uma reconciliação (mais tarde negada) com a Igreja Ortodoxa cismática da Ucrânia e um juízo de insuficiência sobre o recente grande sínodo das Igrejas Ortodoxas (Creta, 18-27 junho de 2016).

A reportagem é de Lorenzo Prezzi, publicada por Settimana News, 3-12-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

A assembleia, que contou com cerca de 500 bispos (200 russos, 100 ucranianos, 20 bielorrussos, outros em serviço em 22 países, bem como numerosos eméritos), foi convocada para marcar o 100º aniversário da re-fundação do patriarcado de Moscou, em 4 dezembro de 1917. Na ocasião aconteceu a entronização do Patriarca Tikhon. O patriarcado havia nascido bem antes, em 1589, mas o czar Pedro, o Grande o aboliu em 1701 para substituí-lo por um procurador imperial. A retomada no meio da Revolução de Outubro foi imediatamente marcada pela perseguição e o patriarcado privado de toda autonomia pelo Conselho de Assuntos Religiosos nomeado pelo governo. Apenas em 1990 foi-lhe permitida uma eleição livre e se tornou Patriarca Alexis II.

Na assembléia, foi lida a saudação de Putin. Entre os temas previstos para os trabalhos da assembleia estavam a memória litúrgica dos novos mártires, a partir do czar Nicolau e da sua família exterminada pelos rebeldes em 1918, a inclusão no calendário russo da memória de alguns dos santos venerados na Ucrânia, o novo regulamentos para a vida monástica (em especial, o uso da Internet), a celebração dos casamentos (legalização das uniões civis e repetição do rito por até três vezes), o ensino da religião nas escolas e universidades e diálogo com a cultura e a arte.

A memória do centenário do patriarcado elevou o valor e a contribuição do Conselho Ortodoxo de 1917: um dos momentos de maior vitalidade e inteligência da Igreja. Muitas das reflexões desenvolvidas então "não foram totalmente compreendidas, apesar do século que se passou", admitiu o Patriarca Cirilo em uma carta de agosto passado. Serão reapresentados muitos dos textos preparatórios e das indicações colegiais previstas na época, com uma forte ênfase sobre os Padres e a Escritura.

Um patriarcado único?

Não foi preanunciada a carta de comunhão enviada pelo Metropolita de Kiev, Filareto, à assembleia (www.orthodoxie.com). Em 16 de novembro, o Metropolita que estava na origem da cisão de Moscou de uma parte substancial da Igreja Ortodoxa Ucraniana, pediu para "pôr fim à divisão e conflito entre cristãos ortodoxos, restaurando a comunhão na eucaristia e na oração". Ou seja: "Considerar nulas e sem efeito todas as decisões, tais como as sanções e as excomunhões que atrapalhavam o passado. Quero expressar a esperança de que, com a ajuda de Deus, todas as decisões subsequentes tomadas por vós, sejam as necessárias para o bem da Ortodoxia. Nos últimos anos numerosas aflições e discórdias se sobrepuseram às relações mútuas entre ortodoxos no meu país (Ucrânia)". "Como coirmão e concelebrante, peço perdão pelos pecados que eu cometi em palavras, ações e sentimentos, como eu perdoo a todos, sinceramente e de coração". A carta foi bem recebida pela assembleia. Já em 2008 e 2010, o Sínodo russo defendia fortemente o retorno à unidade com essas palavras: "Seria o verdadeiro triunfo da ortodoxia, um triunfo do amor de Cristo!" A reunião nomeou uma comissão encarregada de iniciar as negociações para a futura unificação.

Com a máxima rapidez o Metropolita Filareto, numa conferência de imprensa em 01 de dezembro, desmentiu a intenção de voltar à Igreja Ortodoxa Russa, e reiterou a intenção de solicitar o reconhecimento da autocefalia (autonomia) da Igreja Ortodoxa Ucraniana. O diálogo só poderá se abrir nessa direção. Informou que a assembleia tinha entendido mal a sua carta e confirmou que, em hipótese alguma iria renunciar ao seu papel no Patriarcado de Kiev. Não só. Confirmou também que vai continuar a apoiar no futuro as leis que as autoridades ucranianas estão aprovando a respeito dos credos e confissões no país: nenhuma nomeação episcopal ou de metropolitas por parte de Igrejas de países em guerra com eles (a Rússia) e limitações àquelas denominações que têm a sua sede principal em países agressores (mais uma vez a Rússia).

A novidade da reconciliação teria sido importante tanto para a Ortodoxia russa que tem na Ucrânia os seus lugares originais e a maioria de seu pessoal eclesiástico, tanto para a ortodoxia ucraniana, que se encontra dividida entre a obediência russa, o cisma de Filareto, outras comunidades além fronteira que se reportam à Igreja e algumas que estão buscando a comunhão com Constantinopla. Teria assim esmaecido a esperança de um único patriarcado para a Ucrânia, desejado tantos pelos católicos de rito bizantino-gregos (os chamados "Uniates"), tanto do poder político ucraniano (que adoraria ter uma única referência religiosa). Os dois projetos tinham, naturalmente, diferentes horizontes: o religioso desejava uma renovação no sentido ecumênico (com a participação tanto dos católicos orientais como dos ortodoxos), e o político tinha interesse essencialmente nacional.

O processo de unificação não teria sido, em qualquer caso, curto e sem problemas. Isso é demonstrado pelo desenvolvimento paralelo da unidade com a Igreja de além-fronteira, nascida no exterior após a Revolução de Outubro. Decidida em 2007, ainda enfrenta os problemas nada pequenos dos limites diocesanos, das paróquias e das modalidades na escolha dos bispos. Acentos distintos nas palavras do Patriarca Hilarion, Primaz da Igreja russa além fronteira que, de um lado afirma a sua Igreja como "uma parte inseparável da Igreja Ortodoxa Russa" e, pelo outro, enfatiza que "continua idêntica, mas espiritualmente enriquecida pela comunhão”.

A confirmação fica no lado do juízo a respeito do grande sínodo de Creta em que a Igreja russa não participou. Cirilo longamente explicou o trabalho conjunto na preparação do evento e a decisão de se retirar poucas semanas antes do sínodo. A falta de consenso da Bulgária, Antioquia e Geórgia e a divergência da Sérvia tiraram ao sínodo o caráter de "grande". As subsequentes discussões em diferentes igrejas sobre as exigências e conceitualidade dos documentos individuais demonstrariam a decisão certa de Moscou. Em uma posterior avaliação o Sínodo russo decidiu não considerar o Concílio de Creta como pan-ortodoxo e os seus documentos como impróprios para expressar um consenso de todas as Igrejas ortodoxas, embora continue a ser "um evento importante na história do processo conciliar das Igrejas ortodoxas" iniciado em Rhodes em 1961. As mesmas avaliações para a mensagem e a encíclica publicada no final do sínodo de Creta. No final Cirilo conclui com a “certeza de que a celebração de um concílio autenticamente ortodoxo, capaz de autoridade em todo o mundo da Ortodoxia, constitui a expectativa de todas as santas Igrejas Ortodoxas".

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