Igreja Ortodoxa Russa não participou do Concílio Pan-ortodoxo de Creta para evitar cisma, afirma Patriarca Kirill

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25 Novembro 2016

A Igreja Ortodoxa Russa decidiu de última hora ficar de fora do Santo e Grande Concílio da Igreja Ortodoxa, na ilha de Creta, na Grécia, em julho de 2016, em uma tentativa de evitar uma divisão, declarou aos jornalistas o Patriarca Kirill de Moscou e de toda a Rússia, antes do seu 70º aniversário.

"Quase todos os Concílios da história antecederam cisões, inclusive os Ecumênicos. Portanto, nós temos que evitar os riscos de uma nova divisão. É precisamente por isso que concordamos em tomar todas as decisões em consenso. No entanto, como se viu em uma reunião dos primazes da Igreja em Genebra, duas igrejas - a Igreja de Antioquia e a Igreja Ortodoxa da Geórgia - quebraram o consenso ao se recusar a assinar documentos muito importantes", explicou o Patriarca.

A informação foi publicada pela agência TASS, 22-11-2016. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

"Então, a Igreja Ortodoxa da Sérvia declarou que o Concílio teria de ser adiado. A Igreja da Bulgária se recusou a participar do encontro. A Igreja de Antioquia e a Igreja da Geórgia também. Quando recebemos essas informações, nós enviamos uma carta a Constantinopla sugerindo que fosse convocada uma conferência pan-ortodoxa urgente para discutir os nossos passos futuros e decidir sobre o que devia ser feito, pela impossibilidade de organizar o Concílio sem consenso", continuou o líder da Igreja Ortodoxa Russa.

Um princípio fundamental, adotado pelos primazes das Igrejas Ortodoxas locais no Concílio pan-ortodoxo, foi que todos os documentos deveriam ser aprovados consensualmente para evitar diferenças e divisões. "Nós declaramos, mais uma vez, que os documentos que seriam apresentados ao Concílio (em Creta), da forma como estavam constituídos, não nos contemplavam e que tínhamos sérias alterações a propor. Recebemos uma resposta muito indelicada, que disse que o Concílio aconteceria de qualquer maneira", acrescentou o Patriarca Kirill.

"Se o Concílio acontece mesmo sem o consenso necessário, significa que estamos abdicando dos princípios comuns, aprovados por todos nós. Além disso, significa que estamos simplesmente criando condições para um Cristianismo Ortodoxo dividido", explicou o Patriarca. Ele disse que representantes de algumas Igrejas ortodoxas ainda tinham viajado para Creta para participar do Concílio, enquanto outros haviam se recusado, o que automaticamente retirou o caráter pan-ortodoxo do Concílio. Sob essas circunstâncias, a nossa Igreja Ortodoxa (Russa) decidiu não participar do Concílio", enfatizou ele.

Ações complementares

"Mas nós honramos o evento da ilha de Creta. Certamente temos nossas reservas e ressalvas. Nossa Comissão Bíblica e Teológica estudou os documentos aprovados pelo Concílio e preparou sugestões de alterações", esclareceu o Patriarca Kirill. Segundo ele, os próximos Concílios dos Primazes estudarão os documentos detalhadamente, a fim de poder fazer suas próprias propostas.

"Consideramos o Concílio de Creta como parte do processo. Hoje, quando nem todas as igrejas estão presentes, devemos evitar dramatismo. Estamos no caminho para um Concílio (pan-ortodoxo), que será convocado de acordo com as devidas regras e formas e que apresentará documentos ortodoxos consensuais para o mundo", concluiu Kirill.

O Santo e Grande Concílio de Igrejas Ortodoxas ocorreu na ilha de Creta, na Grécia, de 20 a 26 de junho de 2016. O Concílio, que deveria ser pan-ortodoxo, havia sido preparado por 55 anos, entre pausas e intervalos. No entanto, 4 das 14 Igrejas ortodoxas locais - a Igreja búlgara, a Igreja de Antioquia (Síria) e as Igrejas Ortodoxas da Rússia e da Geórgia - não compareceram à reunião por estarem descontes com o processo e os textos dos documentos aprovados.

Perguntado sobre as atividades da Igreja Ortodoxa Russa no país, o Patriarca Kirill comentou que mais de 5.000 novas igrejas haviam sido concluídas em toda a Rússia desde que assumiu seu comando, há sete anos. O número de clérigos também aumentou em 10.000 em seu patriarcado.

"Se considerarmos o período de 2009 a janeiro de 2016, a Igreja teve 5.000 novas igrejas e 122 mosteiros construídos e o número de clérigos aumentou em 10.000", disse o Patriarca Kirill aos jornalistas.

Ele explicou que 160 novas paróquias haviam surgido em Moscou, devido à sua expansão há alguns anos atrás. O número de paróquias e bispos quase duplicou, de 159 a 296 e de 200 a 361, respectivamente.

Ele observou que o trabalho realizado em regiões russas foi levado a outro nível pela Igreja Ortodoxa Russa. "O fortalecimento de toda a vida da Igreja é certamente ligado, em primeiro lugar, à criação de novas eparquias e uma nova vertical de poder na Igreja Ortodoxa Russa", disse o Patriarca.

Uma das vantagens mais óbvias deste sistema é que "hoje o patriarca pode aprender mais sobre o que acontece nas igrejas não apenas em termos estatísticos, mas também para fins de análise - podemos ver o que acontece de ano para ano e como as mudanças acontecem em qualquer esfera", destacou ele.

"Podemos ajustar este trabalho, o que fazemos através do Supremo Conselho Eclesiástico e do Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa. Talvez agora possamos avaliar, pela primeira vez, aquilo que fazemos. Acredito que certamente muito tenha mudado, mesmo em termos estatísticos", disse o Patriarca Kirill.

Ele acrescentou, ainda, que a mudança de atitude da sociedade russa frente à Igreja foi o principal indicador da mudança dentro da Igreja Ortodoxa Russa em sua opinião.

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