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01 Dezembro 2017

"Hoje é o caso de encontrar a coragem para uma revolução produtiva, que objetive recuperar uma harmonia entre a necessidade urgente de alimentar uma população mundial crescente e a necessidade de conservar os recursos naturais para as gerações futuras", escreve Carlo Petrini, fundador e presidente do movimento Slow Food, em artigo publicado por La Repubblica, 29-11-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Se for verdade, como afirmado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer e pela Organização Mundial da Saúde que o "glifosato é provavelmente cancerígeno para os seres humanos", então a decisão a ser tomada só pode ser uma: o seu banimento. Se, ao contrário, como defende a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, "é improvável que o glifosato seja cancerígeno", por que não assumir o compromisso de levar a cabo o processo de autorização completo como para as outras moléculas químicas utilizadas em produtos fitofarmacêuticos?

A decisão tomada pelos membros da UE há poucos dias coloca-se no meio termo, e prorroga por mais cinco anos (escolha cautelar em relação aos 10 anos propostos pelos fabricantes), e, portanto, poderemos continuar a usar o glifosato na agricultura e consumi-lo em nossa alimentação. A escolha chegou depois de meses de negociações e conversações, com acalorados debates entre aqueles que, como o Slow Food, argumentavam que está na hora de sua proibição e aqueles que louvavam o magnífico destino desse herbicida.

A votação foi fundamentada em um pressuposto hipócrita que nos leva a confirmar, infelizmente, pela enésima vez, que muitas vezes as decisões europeias não são feitas no interesse dos cidadãos, mas seguindo a lógica dos ‘agradinhos’ e da administração do consenso, especialmente o financeiro. A situação é paradoxal. As instituições que deveriam zelar pela nossa saúde não só não chegam a conclusões científicas definitivas, mas não têm a coragem de tomar uma posição clara nos confrontos de uma decisão que tem um impacto sobre milhões de pessoas, principalmente sobre quem produz. Uma atitude digna de Pilatos que vai levar cada país a elaborar medidas de forma independente (a França já declarou a proibição do uso de glifosato em 2019, na Alemanha muitos supermercados já o retiraram das prateleiras), que minam a unidade jurídica da União.

Além disso, além da indecorosa indecisão, o caso é acompanhado por uma falta de qualquer visão futura. Como será a agricultura do futuro? É concebível reduzir a sua dependência da química? Como pode ser feito?

Vimos as organizações de agricultores tomar as ruas após o anúncio de Macron e foi lido em vários lugares que “os agricultores franceses, sem o glifosato, não saberiam como continuar suas colheitas". Mas o problema é político, além de agronômico: o sistema alimentar como o conhecemos é quase totalmente baseado no uso de produtos químicos ou derivados de petróleo. É o resultado daquela revolução verde que transformou nas décadas de 1950-60-70, a relação entre o homem e o meio ambiente, entre alimentos e meio ambiente.

Hoje é o caso de encontrar a coragem para uma revolução produtiva, que objetive recuperar uma harmonia entre a necessidade urgente de alimentar uma população mundial crescente e a necessidade de conservar os recursos naturais para as gerações futuras. Soluções existem, mas precisam ser encorajadas e às vezes forçadas.

A decisão sobre o glifosato é uma situação que deve ser vista a partir dessa perspectiva, mas parece que as instituições europeias não têm a capacidade de olhar mais longe do que os estoques que as multinacionais dos fitofármacos precisam gastar. E então, além de temer pela nossa saúde, uma vez que foi renovada a autorização para o uso de uma substância provavelmente tóxica, precisamos expressar a decepção por ter que esperar ainda um longo tempo antes que se inicie um processo virtuoso de que a humanidade tem desesperada necessidade.

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