Mianmar, na terça-feira o Papa visitou os jesuítas. Um deles nasceu lá

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30 Novembro 2017

Em mais de 470 anos de história, nunca os jesuítas haviam tido um padre nascido em Mianmar. Até que, em 2013, foi ordenado padre Wilbert Mireh. Hoje, aos 39 anos, o padre Mireh é diretor do Campion Institute, e trabalha em sua paróquia de Loikaw. Ele esteve no grupo de cerca de trinta jesuítas que encontrou-se com o Papa Francisco nesta terça-feira em Rangun, em uma das últimas reuniões do Papa pouco antes de sua partida para Bangladesh.

A reportagem é de Andrea Gagliarducci, publicada por ACI, 29-11-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Falando com a ACI Stampa, o padre Mireh ressaltou que "ser o primeiro jesuíta ordenado em Mianmar é uma dádiva de Deus para a sociedade de Jesus, que foi convidada a retornar ao país após sua expulsão ordenada pelo regime militar na década de 1960".

Ele acrescentou que "apesar de minha indignidade, eu respondi ao chamado de Deus e estou tentando integrá-lo fielmente como parte da minha vida de todos os dias".

Quanto às prioridades dos jesuítas em Mianmar, o padre Mireh explica que "a prioridade da Companhia de Jesus na última década tem sido a formação dos jesuítas locais". Atualmente - ele continuou - a companhia "também está envolvida em outros ministérios, no campo do apostolado social, educacional, espiritual e social. Essas são todas áreas em que a Companhia está começando".

O padre Mireh salientou que "o desafio é dar prioridade a cada ministério de maneira realista" porque o país tem "imensas necessidades, mas poucos homens a disposição e poucos recursos, enquanto os católicos são apenas um por cento da população total".

Os jesuítas - explicou - "compartilham a alegria das pessoas em acolher com todo o coração a visita do Papa Francisco, principalmente neste momento de grandes desafios e sofrimentos".

Padre Mireh com a mãe e o irmão no dia da ordenação, maio 2013 (Foto: Arquivo Pessoal)

Ao mesmo tempo, concluiu Padre Mireh - a visita do Papa representou "o chamado do Senhor aos jesuítas de Mianmar, justamente quando estão em uma situação semelhante à dos primeiros jesuítas, que fizeram um grande discernimento da vontade de Deus, enquanto esperavam os navios em Veneza".

A presença dos jesuítas em Mianmar remonta aos primeiros anos da sociedade fundada por Santo Inácio de Loyola. Missionário nas terras do Extremo Oriente, Francisco Xavier escreveu a Inácio pedindo justamente para enviar jesuítas no reino de Pegu, que agora é parte do atual Mianmar.

Os jesuítas foram até lá, e viveram na área que hoje é chamado de Mandalay, até que foram forçados a deixar a região. Os cristãos, porém, permaneceram lá. A missão dos jesuítas foi retomada por iniciativa da Província de Maryland, que enviou sacerdotes da companhia para o Mianmar nos anos 1950 e início da década de 1960.

Na década de 1990, muitos bispos, ex-alunos dos jesuítas de Maryland, pediram pessoalmente ao geral, o padre Hans Kolvenbach, o retorno dos padres da Companhia no país. Eles voltaram, de fato, em 1998 e, desde então, começaram numerosas obras apostólicas e também abriram um noviciado. Atualmente existem 32 Jesuítas no Mianmar, a maioria dos quais são jovens em formação, empenhados no apostolado ou em estudos no exterior.

Os jesuítas de Maryland administravam o seminário maior, e dois estudantes daquele seminário tornaram-se bispos: Matthias U Shwe, de Taunggy, e o Bispo Sotero de Loikaw. Ambos têm trabalhado arduamente para facilitar o retorno da Companhia no território da antiga Birmânia.

O Padre Mireh fez o noviciado em Taunggyi em 2000, e depois continuou a sua experiência pastoral na Diocese de Loikaw, até ser ordenado sacerdote em 2013.

O momento de sua ordenação foi descrito como "o momento em que a Sociedade de Jesus finalmente ganhou vida em Mianmar", porque durante séculos rezava-se por um padre nascido no país.

"Há muito tempo - comentou o padre Wardi Saputra, que foi para Mianmar da Indonésia em 1998 - o bispo U Shwe me perguntava quando haveria um jesuíta em Mianmar. E o momento chegou".

A ordenação de um jesuíta do Mianmar foi considerada um benefício para toda a Igreja local. "Acima de tudo, o acréscimo de um padre jesuíta local nos dará grandes benefícios - explicou Padre Irsan Rimawal, mestre de noviços - porque em primeiro lugar os nascidos no país conhecem melhor do que os estrangeiros a cultura local e a sua situação".

A evangelização da Birmânia - agora Mianmar - iniciou por volta do início do século XVI, o registro dos primeiros missionários no lugar data de 1511. A presença dos missionários - dominicanos, franciscanos e jesuítas - se tornou cada vez mais forte tanto que, em 1648, a Propaganda Fide tentou fundar uma verdadeira missão, confiando à tarefa primeiro aos Capuchinhos, depois às Missões Exteriores de Paris e, finalmente, após o insucesso das duas investidas, dividiu em 1806 a Birmânia em três vicariatos, com fronteiras revogadas e redesenhados em 1860.

Sete anos mais tarde, chegaram os missionários do Pontifício Instituto para as Missões Exteriores, que contribuíram para a fundação de uma arquidiocese e cinco dioceses.

A Igreja não viveu tempos fáceis. Os missionários de Maryland precisaram sair no início dos anos 1960, quando o general Ne Win instaurou uma ditadura militar de cunho socialista que, através da troca da liderança, governou o país até 2010.

Durante esse período, as escolas católicas foram nacionalizadas e todos os missionários que vieram após a independência do Japão (1948) foram expulsos. O ditador tinha a intenção de criar um "socialismo birmanês inspirado no budismo", com base ateia e totalitária; em 1964-1965 o governo confiscou todas as escolas e as obras sanitárias das missões cristãs, e em 1966 expulsou os mais jovens missionários estrangeiros, que haviam entrado após a independência de 4 de janeiro de 1948. As dioceses passaram de imediato quase todas aos bispos locais, exceto Taunggyi. No total foram expulsos, entre padres e freiras, 232 católicos e 18 protestantes.

As perseguições do regime, no entanto, não interromperam o crescimento da Igreja local. De acordo com dados de 2014, a Igreja local é composta por 16 dioceses, mais de 750 sacerdotes, 2.500 religiosos entre padres e irmãs e um número de fiéis em torno de 750 mil, que correspondem aproximadamente a 1,3% da população total, com uma incidência especial entre as minorias étnicas e nas áreas tribais.

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