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Por: João Vitor Santos | 18 Novembro 2017

A tecnologia seria capaz de tornar realidade tudo aquilo em que se acredita? Para o jornalista Marcelo Leite, o livro Homo Deus (São Paulo: Companhia das Letras, 2017), do historiador israelense Yuval Noah Harari, apresenta justamente a tese de que a tecnologia está ganhando poderes para transformar crenças em realidades. Ou seja, a tecnologia é o Deus de nosso tempo. “Falo de tornar-se Deus e não de brincar de Deus porque não se trata de brincadeira, é para valer”, define o próprio Harari em entrevista ao jornalista.

Essa obra tem pautado muitas discussões no Instituto Humanitas Unisinos – IHU e, na tarde de quinta-feira, 16/11, foi apresentada em detalhes pelos professores e integrantes do IHU Gilberto Antonio Faggion e Lucas Henrique da Luz, dentro do ciclo A contemporaneidade em debate. Intérpretes e obras. Ambos vão na mesma direção de Leite ao falar da publicação. “O livro coloca a centralidade da tecnologia, que supera alguns aspectos do humanismo”, diz Lucas. “O autor ainda revela que a Modernidade não supera a lógica da religião e também nos impõe seus sacrifícios”, completa Faggion.

Lucas destaca que Harari parte da ideia de que o humanismo não foi suficiente, e não trouxe aquela promessa de que se atingiria a felicidade plena. Para o professor, o ser humano sempre esteve em busca dessa felicidade através de uma ideia de associação com o divino. “E é nesse sentido que vai desenvolver a tecnologia. Vai fazendo isso até tal ponto que supera o humano”, destaca. Faggion reconhece que o autor não se mostra preocupado com a desigualdade e disparidades que essa tecnologia pode promover. Afinal, Harari apresenta o cenário em que apenas super-humanos serão capazes de deter o controle dessa tecnologia ou, em outro cenário, que essa tecnologia supere o próprio ser humano. “O autor abre mão da preocupação com a questão das disparidades, pois se fizesse esse debate estaria buscando o humanismo e, na verdade, ele propõe ir além do humanismo”, analisa.

Lucas (E) e Faggion na apresentação de Homo Deus (2017), de Yuval Noah Harari (Foto: João Vitor Santos/IHU)

Mas pensar em supermáquinas ou em máquinas autônomas não está mais para uma obra de ficção? Pode ser. Lucas e Faggion até reconhecem na obra de Harari ares hollywoodianos, quase que como roteiro de ficção científica. Entretanto, ressalta que o autor trabalha com elementos presentes no nosso tempo e, de certa forma, as projeções que faz não são para um curto prazo. “Ele tenta perceber para onde vamos e, aliás, se vamos”, sintetiza Faggion. Para Lucas, fato é que as tecnologias de hoje já vêm nos transformando. “E o autor vai trabalhando isso, um desenvolvimento de uma tecnologia que vai nos transformando até o ponto de nos tornar obsoletos”, avalia.

Na mesma entrevista que concedeu ao jornalista Marcelo Leite, Harari destaca o quanto essa transformação é real e presente na nossa vida. “É preciso lembrar o que os deuses eram nas mitologias tradicionais: não ideias abstratas, e sim seres com capacidades muito concretas. Se fizermos uma lista, os humanos já possuem muitas dessas capacidades e estão desenvolvendo mais e mais delas”, exemplifica. Os professores também destacam essa perspectiva no livro. “Anos atrás, seríamos incapazes de prever todo esse desenvolvimento tecnológico sobre a vida. O autor demonstra justamente essa lógica em que investimos na tecnologia para superar a morte”, aponta Lucas. “Pense em, mais daqui um tempo, não se sentir muito bem, desatento, e tomar uma droga que seja capaz de me deixar mais concentrado e produtivo. Se pensarmos, veremos que isso não é tão absurdo”, acrescenta Faggion.

O altar dos bytes

Faggion e Lucas ainda destacam que o livro propõe reflexões sobre até mesmo o que se esperava – e desejava – da Modernidade. Isso porque o pensamento moderno é da ordem do secular. Ou seja, traz uma ideia de libertação da perspectiva religiosa. Seria um ser humano humanista em sua totalidade, capaz de tornar dispensável o culto a um deus que lhe trouxesse conforto para corpo e mente. “E vemos que a Revolução Industrial nos prometeu menos fome, que trabalharíamos menos e nada disso aconteceu”, destaca Lucas. Assim, o Homo Deus de Harari tenta superar o humanismo secular, mas coloca a tecnologia num altar, como um novo deus. “É como se o tecnológico fosse capaz resolver todos aqueles problemas que não se resolveram”, acrescenta Faggion.

A lógica dos professores fica ainda mais clara quando Lucas traz um exemplo bem real. Segundo ele, nessa semana foi noticiado que Anthony Levandowski, um ex-engenheiro da Google que trabalhou o projeto do carro autônomo, projeta fundar uma igreja. Observe: um dos maiores expoentes do campo da tecnologia fundando uma religião que se chamaria Way of The Future. Em tradução livre, seria algo como “caminho para o futuro”. “E na própria papelada de criação da igreja ele fala em desenvolver e promover a realização de uma divindade baseada em inteligência artificial”, completa Lucas.

 

O problema, segundo Lucas e Faggion, é que todo esse desenvolvimento tecnológico, capaz de ser cultuado como um deus, acaba por colocar os humanos como raças inferiores. “Veja o que a Revolução Agrícola fez com os animais: os colocou a serviço do homem. Algo similar pode acontecer agora com humanos, sendo postos como raças inferiores”, reflete Lucas. “O livro diz que vamos nesse sentido. Mas podemos nos questionar se o caminho é esse. Ele é justamente provocante nesse sentido”, diz Faggion.

Limites da obra

Para o professor Faggion, a ideia da obra é extremamente complexa e por isso observa como quase que inevitável o surgimento de algumas lacunas. “O autor não deixa muito claro o seu conceito de Inteligência Artificial. Assim, apresenta algumas projeções que acabam não sendo muito fundamentadas, dando ares de roteiro de ficção científica”, analisa. Lucas concorda com a forma instável que Harari trabalha a ideia de Inteligência Artificial. “Em alguma medida ele continua com o discurso tecnófilo, enaltecendo a tecnologia. Harari ainda fala em formas de vida inorgânica, mas deixa isso em aberto. Não trabalha muito que tipo de formas de vida seriam essas”, acrescenta.

Lucas ainda identifica no autor uma certa distopia. “Talvez por ser historiador, ele olha para as experiências anteriores e imagina um caminho meio complicado com todas essas transformações”. Faggion também sente falta da perspectiva utópica e vê a necessidade de uma leitura criticamente acurada para, quem sabe, se pensar em linhas de fuga a essa realidade que parece se impor.

 

HARARI, Yuval Noah. Homo Deus. Uma breve história do amanhã. São Paulo: Companhia das Letras, 2017 (Foto: João Vitor Santos/IHU)

Os dois professores ainda estimulam a leitura para pensar mais sobre a centralidade que a tecnologia já ocupa em nossas vidas. A seção Notícias do Dia do sítio do IHU, por exemplo, publica nessa sexta-feira, 17/11, uma notícia que revela que pessoas estão buscando consultórios médicos para superar a dependência de seus aparelhos eletrônicos e redes sociais. Em muitos dos casos, a família fica em segundo plano diante da compulsão de promover debates no Facebook. “O livro nos convida a entrar nesse debate. É muito bom e realmente vale a pena ler. Com certeza, não será tempo perdido”, brinca Faggion. “Ele fala de algo que pode acontecer lá na frente, nos faz pensar: a tecnologia vai mesmo resolver todos os problemas?”, questiona Lucas.

Quem é Gilberto Antonio Faggion

Gilberto Faggion (Foto: João Vitor Santos/IHU)

Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, possui graduação em Comércio Exterior pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos e graduação em Administração de Empresas também pela Unisinos. Atualmente é Professor Assistente de Gestão da Inovação, Metodologia de Pesquisa e Teorias da Administração na Unisinos, em curso de graduação e pós-graduação, presenciais e a distância. É coordenador dos Programas (Re)Pensando a Economia e Sociedade Sustentável do Instituto Humanitas Unisinos - IHU. Também é coordenador adjunto do MBA em Comunicação Organizacional da Unisinos.

Quem é Lucas Henrique da Luz

 

Lucas Henrique da Luz (Foto: João Vitor Santos/IHU)

Formado em Administração, possui mestrado em Ciências Sociais Aplicadas, ambos pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos. É doutor em Administração pela mesma universidade, com estágio doutoral na Université de Poitiers, da França. Vinculou-se à Unisinos em 2005, onde é Professor Assistente, dedicando-se a projetos de pesquisa e ao ensino em nível de Graduação e Pós-Graduação, em cursos da Escola de Gestão e Negócios da Unisinos, nas áreas de estratégia, administração de Recursos Humanos, empreendedorismo e gestão social. É integrante do Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

Assista a íntegra da conferência

 

 

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