Francisco, um Papa "pop" de grande "poder semiótico"

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09 Novembro 2017

O Papa Francisco é um "Papa pop", um "Papa líder" que "produz sentido", que comunica "simplicidade", revelando um grande "poder semiótico". Jorge Mario Bergoglio, quase cinco anos depois da eleição ao trono de Pedro, foi capaz de "redefinir algumas áreas do sentido da cristandade e talvez do ato mais genérico do viver juntos". Isso é o que enfatiza o livro que acaba de ser publicado pela Luiss University Press "Il racconto di Francesco. La comunicazione del Papa nell’era della connessione globale" (A história de Francisco. A comunicação do Papa na era da conexão global, em tradução livre), que será apresentado pela primeira vez à imprensa na quinta-feira 9 de novembro, na sede romana da Rai, com a presença de sua presidente Monica Maggioni, e do prefeito da Secretaria para a comunicação da Santa Sé, Mons. Dario Edoardo Viganò.

A entrevista é de Sergio Perugini, publicada por Servizio Informazione Religiosa - SIR, 08-11-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

O SIR realizou uma entrevista com os dois editores da obra, os semiólogos Paolo Peverini (Universidade Luiss "Guido Carli", consultor da Secretaria para a Comunicação) e Anna Maria Lorusso (Universidade de Bolonha) que, envolvendo outros estudiosos renomados – entre os quais Ruggero Eugeni, Isabella Pezzini e Maria Pia Pozzato -, realizaram uma análise detalhada da comunicação do Papa Francisco, oferecendo uma perspectiva inédita de indagação graças aos instrumentos da Semiótica.

Entre as novidades dessa publicação há uma informação exclusiva: em seu ensaio Peverini, ao aprofundar a comunicação do Pontífice, ressalta alguns aspectos do novo portal midiático único da Santa Sé, que está sendo finalizado com a reforma, tendo tido a oportunidade de visualizar o projeto graças à Secretaria para a comunicação.


Eis a entrevista.

Primeiramente o livro, "Il racconto di Francesco". No texto é destacado como o Papa Francisco represente um evento bastante valioso para a semiótica.

O Papa Francisco é, do nosso ponto de vista, um tipo de poderosa "máquina semiótica". Todos nós, como seres humanos, somos máquinas semióticas, no sentido que produzimos continuamente sentido, inevitavelmente, às vezes inconscientemente, com todo o nosso fazer (e não apenas quando falamos, mas quando nos vestimos, gesticulamos, fotografamos, etc.). No Papa Francisco, no entanto, é como se as diversas dimensões da comunicação assumissem plena visibilidade; a sua capacidade de restaurar significância e atenção a modos de ser, muitas vezes não marcados, percebidos como casuais (onde se mora, como se telefona, quais sapatos se usam ...), é realmente extraordinária e a forma com que consegue conjugar espontaneidade e coerência (quase programática) poderia ser uma lição para todos aqueles que se perguntam, em seus gabinetes, como realizar uma comunicação estratégica.

De fato, a sua maneira de comunicar renova os códigos da comunicação institucional e ritual quase a cada passo; o seu modo de permanecer em equilíbrio entre renovação contínua e reconhecimento, entre imediatismo e caráter carismático, é em nossa opinião um caso realmente único da comunicação pública.

É muito interessante, na verdade única, a perspectiva que vocês oferecem ao delinear a comunicação de Francisco, focalizando como o Papa redefine algumas das áreas de sentido da cristandade.

A pergunta com a qual partimos, na reflexão sobre o Papa Francisco, estava essencialmente vinculada com o seu "sucesso", ou seja, com o fato de que ele tivesse conseguido, em um curto período de tempo, restaurar a credibilidade da Igreja, conquistar o consenso de setores inclusive não-católicos da população, que tivesse conseguido estabelecer uma relação "direta" com as pessoas.

Tudo isso certamente tem a ver com a sua maneira de se comunicar, mas em um sentido muito mais radical e extenso do que a expressão "comunicação pública" possa dar a entender. Para nós tratou-se de investigar a sua maneira de ser tout court, mesmo quando, aparentemente, não comunica (algumas escolhas pragmáticas, por exemplo, como usar um determinado relógio ou um específico crucifixo) ou mesmo quando não é ele diretamente o responsável por um discurso sobre a Igreja (como na gestão dos filmes sobre ele) ou quando confia em sua rede midiática do Vaticano. Através dessa reflexão a 360 graus percebemos que a grandeza semiótica do Papa Francisco consiste precisamente em um aspecto recorrente, que redefine certos espaços, certos ritos e certas práticas da cristandade. O Papa Francisco consegue renovar a Igreja estando dentro dela; respeita os seus ritos, mas os reinterpreta (por exemplo, iniciando o seu primeiro discurso com o famoso "Boa noite!"), respeita seus espaços, mas prefere percursos marginais (Santa Marta ...), escolhe misturar-se às pessoas, mas conserva e, aliás, aumenta o seu carisma. A sua maneira de renovar o papel papal tem a ver com a síntese dos opostos, não com a exclusão e a ruptura.

Por que o Papa Francisco é considerado "pop"?

Existem muitas razões pelas quais podemos definir o Papa Francisco "pop". É pop porque recorre a uma linguagem irritual, porque tem condições de arranjar conteúdos complexos em formas breves (basta pensar ao grande sucesso de suas mensagens no Twitter), mostra curiosidade sobre as formas atuais de autorrepresentação como as selfies. Privilegia o contato direto com o interlocutor através do telefone; valoriza expressões diretas e ações da vida cotidiana, como ir às lojas. Ao mesmo tempo, no entanto, o Papa Francisco consegue apresentar a sua mensagem dentro de grandes eventos midiáticos, como o discurso em língua espanhola no Super Bowl, focado nos valores da paz, da amizade e da solidariedade.

É pop porque à sacralidade que cria distâncias prefere modos de expressão que não só reduzem as distâncias, mas visam à inclusão. É pop porque é amado pelas pessoas, porque as pessoas o sentem próximo, o povo sente que é "um deles", uma estranha mistura de carisma e normalidade.

Finalmente, vocês tiveram uma tremenda oportunidade, a possibilidade de ver e estudar em primeira mão o novo portal de informação do Vaticano (SpC), que será lançado nos próximos meses. O que nos podem revelar?

Graças à disponibilidade da Secretaria para comunicação e principalmente do prefeito, Mons. Dario Edoardo Viganò, tivemos a oportunidade única de conhecer a primeira versão (ainda em fase de elaboração) do novo portal de informação. Como estudiosos, o que nos interessava era principalmente examinar a correlação entre os valores básicos do pontificado de Francisco e a estreia do novo portal, uma operação de âmbito estratégico direcionado pela primeira vez a unir todas as mídias da Santa Sé em uma única estrutura fundada na lógica da eficiência e da convergência midiática. De acordo com essa perspectiva, o aspecto que nos parece mais significativo é que o novo portal é baseado na tentativa de operar uma síntese entre a dimensão "apostólica" e a "informativa".

Na sua base, portanto, haveria uma estratégia de comunicação direcionada para reduzir a distância com o destinatário, reiterando a necessidade da proximidade com o outro, do diálogo intercultural e interreligioso. O convite para a inclusão, para o encontro, temas centrais na ideia da Igreja incentivada e prefigurada por Francisco desde a sua eleição ao trono de Pedro, são apresentados explicitamente no novo portal, assumindo um valor simbólico que transcende a dimensão da usabilidade (cujos critérios no plano técnico foram, de qualquer forma, amplamente respeitados).

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