“A Europa deve colocar em marcha um Plano Marshall que integre as classes marginalizadas e excluídas”, afirma Sami Naïr

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24 Outubro 2017

A União Europeia mantém um dos PIB mais elevados do planeta, mas os padrões sociais se degradaram. São padrões que falam de altas taxas de desemprego, com um pico que chegou aos 22 milhões de desempregados, “e gerações inteiras de jovens que não encontram trabalho”. Ao passo que aqueles que o encontram, optam por salários-lixo e passam a fazer parte do ‘precariado’.

A reportagem é de Jesús Conde, publicada por El Diario, 22-10-2017. A tradução é do Cepat.

É a reflexão de Sami Naïr, político e pensador francês, que neste final de semana passou por Mérida (Espanha) como conferencista do XIII Congresso Estatal e I Congresso Ibero-americano de Trabalho Social. Defende uma construção europeia muito mais social, frente à construção econômica.

Seu diagnóstico lhe permite vislumbrar uma classe trabalhadora cada vez mais pobre. “Um processo de empobrecimento não só desta classe trabalhadora, mas também das camadas médias baixas. Eles sofreram a crise muito mais que o restante”.

“Também não se deve esquecer os jovens, aqueles que têm entre 18 e 30 anos. São uma geração sacrificada. Em minha geração, eu conseguia planejar meu futuro, de modo que se queria ser professor de universidade, era possível. Agora é impossível planejar ter um salário fixo”.

Reivindica, diante de tudo isto, um grande plano de integração de emprego, “um grande Plano Marshall para a integração social das classes marginalizadas e excluídas na Europa”. “Isso seria uma Europa que poderia dar esperança às pessoas”.

“Caso se trate de construir uma Europa para o mercado precário, isso não me interessa. Prefiro ficar em minha nação. Mas, caso se trate de construir um projeto comum e social, integrando todas as populações europeias e fazendo um trabalho para defender as sociedades, como as classes humildes, os jovens, os operários... Sob este prisma, de proteção e políticas sociais da União Europeia, sim, eu a apoio”.

Uma Europa em crise

Pensa que Europa está em crise, em “uma crise profunda na qual, provavelmente, caso não se reoriente, pode desaparecer”. Sustenta que a ameaça são as forças de extrema-direita, “que estão aumentando em toda parte”. “Se a União Europeia não for capaz de, nos próximos anos, solucionar os problemas que tem em torno do emprego, a integração social e o euro, pode explodir”.

A pergunta diante de uma hipotética desaparição: o que pode acontecer?. Pensa que pode surgir um novo sistema, no qual os países mais ricos estariam juntos, e os menos ricos, excluídos. “Algo que muitos já pedem neste momento: uma Europa de duas velocidades. E a saída do Reino Unido é um tema enorme, que não se destaca o suficiente nos meios de comunicação, porque representam 20% do PIB, do orçamento da União Europeia. Quando saírem definitivamente, haverá 20% a menos”.

Outro Plano Marshall diante da migração

Sami Naïr, doutor em Letras e Ciências Humanas e Filosofia, também é especialista em questões de imigração. Aponta que os desafios da União Europeia nesta matéria são complexos, e defende “organizar” a mobilidade.

“Não podemos abrir totalmente as fronteiras, porque poderia surgir muitos problemas, mas, sim, podemos aumentar o nível de imigrantes ilegais e organizar a mobilidade. Criar regulamentos de permanência na Europa para períodos determinados. Para trabalhadores ou estudantes e, ao mesmo tempo, colocar em marcha uma grande política de ajuda aos países de origem. E isso é o fundamental, o mais importante”.

“Precisamos de um grande Plano Marshall para estabilizar as populações em seus países. Uma política de sustentabilidade econômica e ambiental para ajudar as pessoas. Isso a União Europeia pode fazer. Refiro-me aos países do outro lado do Mediterrâneo. Devemos ajudar os países de origem, os países de saída. Aí reside o problema central”.

Também reivindica uma política da paz diante dos conflitos armados que, de maneira reiterada, açoitam estes territórios, “embora, infelizmente, isso não dependa exclusivamente da Europa, mas, ao contrário, da correlação de forças e da organização das potências em escala mundial, internacional”.

Deste modo, defende um grande Plano Marshall de ajuda econômica para criar empregos nos países de origem das migrações, para colocar em marcha políticas ambientais, contra as secas. Também, políticas de educação, ajuda às universidades e fomento à pesquisa.

“Precisamos de uma grande política macroeconômica que não se baseie exclusivamente na cooperação comercial, mas em ajuda real ao desenvolvimento. Necessitamos de investimento, de 2 a 3% do orçamento para os países de onde saem os imigrantes”.

O que ocorre com os refugiados?

Denuncia que a União Europeia “se mostrou incapaz de colocar em marcha uma política de solidariedade, respeitando seus próprios valores”. “Efetivamente, não acolheu o que tinha que acolher e, após dois anos, das 160.000 pessoas prometidas, acolheu não mais de 44.000 pessoas”.

Para Sami Naïr, existe uma contradição entre o sistema econômico que olha de lado para as políticas sociais, ao mesmo tempo em que está mais centrado em seu próprio enriquecimento.

A pergunta do milhão: A União Europeia merece o prêmio Princesa das Astúrias da Concórdia 2017?: “(Silêncio...) Eu pertenço ao jurado Princesa das Astúrias para o prêmio de Ciências Sociais. Eu teria refletido muitíssimo antes de dar este prêmio à União Europeia. Não digo que não o mereça, e acredito que o prêmio não foi dado pelos méritos em políticas concretas, mas pela frente comum mantida pela União Europeia diante da saída dos britânicos. Diante do Brexit”.

“Não participei como jurado neste prêmio concretamente, mas entendo que foi assim. Que quiseram dar um apoio à construção europeia. E, neste sentido, sim, lhes apoio, parece-me que é muito positivo. Os britânicos decidiram sair, mas nós temos que continuar”.

A respeito do rumo que deve ser dado à gestão das pessoas refugiadas, aponta que esta crise deve, simplesmente, cumprir a Convenção de Genebra dos direitos humanos, porque seu descumprimento “é um grande problema para o direito internacional. É necessário acolhê-los e integrá-los”.

A culpa é da União Europeia ou dos estados-membros?

“Desde o início, a Comissão Europeia foi muito mais generosa que os governos, e é o Conselho Europeu, com os chefes de estado, o que adota os três critérios (em matéria de acolhida): o PIB, o desemprego e crescimento demográfico. Entraram em acordo para impor estes três critérios à Comissão Europeia, que tentou acolher mais. Efetivamente, é a verdade, ao passo que os governos se mostraram muito frios e, inclusive, não acolheram o número ao qual se comprometeram até a data.

O que é possível fazer? “Não se pode fazer nada, porque a Comissão não tem peso político, é estritamente econômico. E a União Europeia não é uma federação. Existe como força econômica”.

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