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20 Outubro 2017

O presidente, que era carinhosamente chamado de "Tio Xi", parece estar seguindo o plano de esmagar a dissidência interna e eliminar os ruídos nas fronteiras da China.

A reportagem é de Michael Sainsbury, publicada por La Croix International, 19-10-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O líder da China, Xi Jinping, está prestes a surgir do Congresso do Partido Comunista, neste mês, numa posição inatacável. Ele está se preparando para passar por cima de todos os inimigos imagináveis, principalmente os dissidentes e seus expoentes mais poderosos - os advogados das direitas e grupos religiosos.

Após cinco anos de mandato, o poder de Xi tem se consolidado a ponto de estar prestes a se tornar quase um único líder do Politburo. O 19º Congresso do partido comunista chinês, que acontece a cada cinco anos, começou na quarta-feira, dia 18 de outubro.

A religião sempre foi vista como uma ameaça existencial ao partido: um medo de redes rivais em todo o país e sistemas de crença destacou-se pela espetacular e trágica reação à ascensão do movimento Falun Gong, em grande parte espiritual, na década de 90.

Ainda no mandato do presidente Xi, o partido reorientou-se para as chamadas "religiões estrangeiras" do Islã, do Catolicismo Romano e do Protestantismo. As outras duas religiões locais reconhecidas são o Taoismo e o Budismo.

Essas duas, por sua natureza local, têm sido mais ou menos encorajadas, com exceção do budismo tibetano, cujos líderes e profissionais estão entre as pessoas mais perseguidas da China.

No ano passado, o próprio Xi posicionou-se contra uma reunião do partido sem precedentes sobre religião. Quase todos os sete principais quadros do partido comunista participaram, com exceção de um. Depois disso, foram promulgadas novas regras para reforçar o controle da religião.

Historicamente, o Islã tem sido a religião mais atingida. Desde 2009, quando revoltas sectárias mataram quase 200 pessoas no extremo-oeste do China, o partido procurou aniquilar a cultura do grupo étnico muçulmano uigur, que já foi maioria na pátria de Xinjiang.

Católicos e outros cristãos estão contendo-se enquanto o nível de perseguição continua baixo. Recentemente, o fato de haver algumas remoções forçadas de crucifixos despertou medo de que a ampla campanha que viu centenas de cruzes destruídas e igrejas demolidas na província altamente cristã de Zhejiang possa estar se alastrando para todo o país.

Dezenas de sacerdotes, bispos e pastores permanecem presos, mas os alvos são principalmente as chamadas igrejas subterrâneas (Católicas) ou em casas (protestantes) que não estão sob controle do governo.

O congresso quinquenal nomeia novos membros para o Comitê Central do Partido, que tem cerca de 200 membros e 100 suplentes. Por sua vez, "elege" 25 membros do Birô Político, o Politburo, que se torna o gabinete de fato.

Deste grupo advém a mais alta liderança do partido, o Comitê permanente do Politburo, que atualmente tem sete membros. Ele foi projetado por Deng Xiaoping para ser uma liderança coletiva e para que seu principal membro, o secretário do partido-geral, fosse o primeiro entre iguais.

Claro, todas as ofertas são feitas antes das conferências e o processo é de cima para baixo, e não de baixo para cima. Líderes apoiados por Xi, bem como antigos líderes que operam nos bastidores, também exercem alguma influência.

Mas é claro que Xi surgiu como mais do que o primeiro entre iguais. Ele colocou-se como chefe de grande parte dos mais importantes "pequenos" comitês ou comitês de "liderança", dos quais fazem parte as elites do Comitê Central, responsável por definir a política do país.

A temível máquina publicitária do partido, que controla rigidamente a mídia em todo o país, tem realizado várias campanhas promovendo Xi. Inicialmente, ele era uma figura carismática, que lembrava a presença de um tio, que poderia surgir em lanchonetes e cafeterias. Ele era Dada Xi — ou tio Xi — com muitas músicas para rimar.

Mais recentemente, está sendo endeusado como líder nacionalista destemido, um homem forte que pode trazer a China de volta para o seu "lugar" no mundo e principalmente na região.

Além de melhorar a imagem de Xi, houve o esmagamento de supostos inimigos. São geralmente grupos ou pessoas que simplesmente querem mudar o sistema para que seja mais inclusivo e cuide dos cidadãos e de seus direitos, nada mais.

Outro elemento do regime de Xi que tem cada vez mais preocupado os vizinhos da China é o processo de Sinização do sul, do sudeste e do centro da Ásia. A China está tomando uma abordagem dupla, por meio do colonialismo econômico apoiado por um militarismo cada vez mais modernizado.

O país tem investido com força na região e lançou seu primeiro porta-aviões, juntando-se às poucas nações que têm esse tipo de navio. Seu poder bélico de colonizar grandes extensões de mar da China Meridional, apesar das disputas marítimas com outros sete países, também abalou a região.

Enquanto isso, o contínuo colonialismo econômico do país foi um sucesso no Camboja. À medida que mais países no sudeste da Ásia, como a Tailândia, as Filipinas e possivelmente a Malásia, são dominados por regimes militares ou quase ditatoriais, o modelo da China continua ganhando força, resultando numa situação em que o partido não apenas tem controle sobre os seus cidadãos, mas também em toda a região.

Enquanto Xi surge, cada vez mais forte, após o 19º Congresso do partido, esse controle parece tornar-se mais forte do que nunca.

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