Bispos deliberam se uma única regra vai se aplicar a todos os divorciados após 'Amoris Laetitia'

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09 Outubro 2017

Um padre jesuíta italiano conhecido por ser confidente do Papa Francisco diz que o pontífice acha que a Igreja Católica não pode mais emitir regras gerais que se apliquem a todo um grupo de pessoas.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 06-10-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O padre Jesuíta Antonio Spadaro, editor da revista italiana La Civiltà Cattolica, disse a uma conferência de bispos e teólogos que estão ponderando sobre a implementação da exortação apostólica de 2016 Amoris Laetitia , em 6 de outubro, que o documento reconhece que mesmo as pessoas que estão em situações familiares "irregulares", como as divorciadas e que se casaram novamente, "podem viver na graça de Deus, podem amar e também podem crescer em uma vida de graça".

"Devemos concluir que o papa percebe que não se pode mais falar de um grupo abstrato de pessoas e... [uma] práxis de integração a uma regra que deve ser seguida em absoluto em todas as circunstâncias", disse Antonio Spadaro, uma das primeiras pessoas a entrevistá-lo quando Francisco tornou-se papa, em 2013.

"Como o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos, as conseqüências ou os efeitos de uma regra não precisam necessariamente ser sempre os mesmos", afirmou.

A conferência de dois dias no Boston College é co-organizada pelo teólogo e padre jesuíta James Keenan e pelo Cardeal de Chicago, Blase Cupich. Durante o evento, dois cardeais, 12 bispos e outros 24 convidados estão discutindo o que os organizadores chamam de "novo impulso" de Amoris Laetitia a bispos locais para renovar suas práticas pastorais em relação às famílias.

Spadaro falou durante o quarto dos cinco painéis de discussão no evento. As considerações sobre o segundo dia enfatizaram o chamado de Francisco, na exortação apostólica, para bispos e pastores ouvirem os leigos e respeitarem as decisões que tomam sobre suas vidas depois de um processo de discernimento.

O padre referiu-se a um conjunto de orientações divulgado pelos bispos na Sicília, em junho, sobre a implementação de Amoris Laetitia em sua região da Itália.

"O documento siciliano conclui com clareza que, em relação aos divorciados e casados, em algumas circunstâncias, de acordo com a avaliação do confessor... é possível absolvê-los e admiti-los à Eucaristia", afirmou.

"Já não é possível julgar as pessoas com base em uma norma que está acima de todos", concluiu.

O bispo de São Diego, Robert McElroy, falou à conferência sobre sua experiência recente na organização de um sínodo em sua diocese que procurou colocar em prática os ensinamentos em Amoris Laetitia.

Ele detalhou as discussões do sínodo diocesano entre 142 delegados, incluindo um delegado leigo de cada uma das 99 paróquias da diocese. Segundo ele, passar por esse processo "ensina os bispos sobre a luta de homens e mulheres leigos com os problemas sobre os quais escrevemos, falamos e ensinamos".

"Eu era um aprendiz, e a coisa mais fascinante para mim era seu pensamento sobre as coisas, porque em algumas áreas era diferente do que eu pensaria", mencionou. "É um momento de a presença palpável de Deus tocar a Igreja."

‘Não podemos chegar com respostas de um livro.’

Richard Gaillardetz, teólogo do Boston College, falou na conferência, no dia 6 de outubro, sobre como o processo dos Sínodos dos Bispos de 2014 e 2015 no Vaticano, que levou a Amoris Laetitia , demonstra que Francisco tem uma compreensão horizontal, e não vertical, da autoridade na Igreja. Ele disse que o papa não vê a autoridade como apenas tomar decisões, mas "imagina um exercício de autoridade mais pluriforme e multidirecional".

"Francisco fez da escuta uma prática epistêmica central na Igreja", afirmou. "E convida a Igreja a ver a escuta atenta como... um processo privilegiado pelo qual acessamos a verdade que Deus deseja compartilhar conosco."

Ele disse que o papa quer criar amplos processos consultivos na Igreja, não quer ouvir apenas os que concordam com ele e não procura reunir "vozes seguras em uma câmara de eco eclesiológica".

"O papa insiste, com razão, que a autêntica consulta eclesial... deve atender um amplo espectro de vozes, bem como as que trazem críticas duras e discordâncias", disse. "Amoris Laetitia é tanto o fruto desse tipo de escuta como um convite para a continuidade dessa escuta, ao buscar implementar sua visão."

"Determinada tanto em acompanhar as pessoas... quanto em ouvir os insights, lamentos e preocupações das pessoas, Amoris Laetitia não é apenas o fruto de duas montagens sinodais", acrescentou, ainda. "É um reflexo adequado de e para uma Igreja sinodal."

"Este notável documento nos convida a ver a sabedoria de escutar antes de falar, aprender antes de ensinar, rezar antes de se pronunciar", observou. "Somente pela profunda humildade de uma Igreja verdadeiramente sinodal as boas novas de Jesus Cristo podem reverberar com clareza e poder diante de um mundo faminto por uma palavra de esperança e uma possibilidade de salvação."

Em suas observações no evento de 5 de outubro, o cardeal Kevin Farrell focou no pedido de Amoris Laetitia para que os pastores se envolvam com leigos em um processo de diálogo e discernimento para entender suas necessidades.

"Precisamos ter tempo para ouvir", disse o cardeal, que lidera o novo Dicastério do Vaticano para Leigos, Família e Vida.

"Precisamos ter tempo de qualidade para dar ao nosso povo se quisermos conversar com eles. Não podemos chegar lá, como muitas vezes infelizmente acontece, com todas as respostas prontas em um livro."

"Temos que desenvolver o hábito de dar importância à outra pessoa", declarou. "É o que o papa Francisco quer... Temos de fazê-lo. Precisamos demonstrar carinho e preocupação pelas outras pessoas por um diálogo que valha a pena."

"Não podemos dialogar com as pessoas se já sabemos todas as respostas aos seus problemas", disse.

Farrell também pensa que o trabalho de preparação ao matrimônio e de acompanhamento de casais nas paróquias deve ser conduzido principalmente por leigos.

"A preparação ao matrimônio e o acompanhamento matrimonial não devem ser feitos pelos sacerdotes", afirmou. "Acredito firmemente nisso. Os sacerdotes não têm credibilidade. Eles nunca viveram a realidade da situação e, por isso, é muito difícil para eles."

"Os leigos têm de ser treinados e fazer esse trabalho", disse ele. "São eles quem melhor pode acompanhar os casais em momentos difíceis e desafiadores".

Ele começou seu discurso refletindo sobre a atuação de Francisco como papa, em comparação a seus antecessores João Paulo II e Bento XVI. Ele chamou os três papas de "tríptico".

João Paulo II, segundo ele, concentrou-se em esclarecer os ensinamentos da Igreja de acordo com o Concílio Vaticano II de 1962-65. "Queria codificar tudo", disse. Bento XVI escreveu três encíclicas sobre as principais virtudes cristãs da fé, da esperança e da caridade e "queria descrever por que acreditamos no que acreditamos".

Francisco, disse ele, "trabalha incansavelmente todos os dias para não codificar, para não explicar o que acreditamos, mas sim como devemos viver o que acreditamos".

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