Francisco diz a imigrantes e refugiados: “Eu quero carregar vossos olhos nos meus, vossos corações no meu”

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03 Outubro 2017

Em uma sessão com imigrantes na cidade de Bolonha, no norte da Itália, o Papa Francisco pediu por corredores humanitários a refugiados para evitar “esperas intoleráveis” e por apoio a programas privados e comunitários de acolhimento. Ele também disse aos imigrantes: “Eu quero carregar vossos olhos nos meus, vossos corações no meu”.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 01-10-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

É necessário que mais países adotem programas de apoio privado e comunitário ao acolhimento e abram corredores humanitários para refugiados em situação mais difícil

Já conhecido por sua compaixão e por seu acolhimento aos imigrantes, o Papa Francisco pediu neste domingo, 1º de outubro, por corredores humanitários a refugiados em situações difíceis ao redor do mundo para evitar “esperas insuportáveis e tempo perdido que possam iludir”.

O pontífice também convidou os países a adotarem programas de apoio privado e comunitário para o acolhimento destas pessoas, em um momento em que algumas nações ao redor do mundo parecem estar se movendo no sentido de impor maiores restrições a novas entradas.

O papa proferiu uma versão diferente deste seu apelo no domingo, dizendo a um grupo de aproximadamente mil imigrantes na cidade de Bolonha, no norte da Itália, de que ele queria começar a sua breve visita a Bolonha com eles porque muitos haviam chegado tendo feito “sacrifícios que vocês sequer estão em condições de falar a respeito”.

“Muitos dos que desconhecem temem vocês. Acham que têm o direito de julgá-los, e tratam com dureza e frieza porque pensam que estão vendo as coisas do jeito certo, mas não é assim”, disse Francisco.

“Só se vê corretamente com proximidade e misericórdia”, continuou o papa. “Sem a misericórdia, o outro é um estranho, até mesmo inimigo, e não pode ser meu próximo”.

Em um trecho proferido de improviso, falou: “Somente com a misericórdia podemos entender o sofrimento do outro, os seus problemas. Se não vemos o outro com misericórdia, então corremos o risco de Deus não olhar para nós com misericórdia. Eu estou aqui com vocês porque quero carregar vossos olhos nos meus, vossos corações no meu”.

“Quero levar comigo vossos rostos que pedem ser recordados, ajudados, diria ‘adotados’, porque, no fim, vocês estão em busca de alguém que aposte em vocês, que confie em vocês, que os ajude a encontrar, no futuro, a mesma esperança que os trouxeram até aqui”, disse Francisco.

O papa chamou os imigrantes de “lutadores de esperança”.

“Alguns de vocês não chegaram aqui porque foram engolidos pelo deserto ou pelo mar”, falou. “As pessoas não os recordam, mas Deus conhece seus nomes e os acolhe junto a Ele”.

Em seguida, o pontífice pediu que se fizessem alguns minutos de silêncio para lembrar todos os que morreram em situações semelhantes.

Disse aos imigrantes que “eu carrego em meu coração o vosso medo, as vossas dificuldades, os riscos, a incerteza”. Depois, provocou fortes aplausos quando pediu por ajuda aos novos imigrantes para que “tenham documentos”, isto é, para que possam obter vistos de residência.

O papa falou em um centro regional para imigrantes da grande Bolonha. Enquanto percorria o seu trajeto, aceitou, com um sorriso no rosto, uma pulseira de uma muçulmana que vestia um hijab, mesma pulseira que cada novo imigrante no local recebe para indicar que estão registrados. A pulseira veio com o nome do papa inscrito junto de um número de registro.

Dom Matteo Zuppi, arcebispo de Bologna, nomeado por Francisco, disse, sorridente, que a pulseira tornou a presença do papa ali “mais ou menos regular”.

Embora a fala do papa tenha sido um elemento-chave da visita, em certo sentido ela era um complemento para o evento principal, que foi passar 45 minutos pessoalmente cumprimentando cada um dos imigrantes e refugiados reunidos no pátio do prédio onde eles estavam concentrados.

Uma chuva leve na manhã de domingo não pareceu afetar a animação dos que estavam presentes, e Francisco aparentemente gostou da experiência, estando sorridente na maior parte do tempo, fazendo brincadeiras e dando risadas, além de se mostrar claramente despreocupado com o impacto de sua estadia ampliada com relação à programação inicial.

Um senegalês disse a Francisco enquanto tirava uma foto com ele: “Eu gosto do papa (...) o senhor é um bom homem!” Mais tarde, Francisco saudou um grupo de pessoas que há pouco havia chegado de Bangladesh, dizendo, em inglês: “Eu vou ir para Bangladesh”.

Francisco deverá visitar Bangladesh e Myanmar no fim de novembro e início de dezembro.

Em seus comentários, Francisco lembrou que Bolonha foi a primeira cidade da Europa, há aproximadamente 760 anos, a proibir a escravidão, libertando 5.855, dizendo que “a cidade não temeu acolher aqueles que, naquela época, eram considerados ‘não pessoas’ e a reconhecê-los como seres humanos”.

O papa notou que Bolonha registrou os nomes dos ex-escravos em um livro, e acrescentou aos imigrantes: “Eu gostaria de ver os vossos nomes anotados e lembrados a fim de encontrar, juntos, como aconteceu antes, um futuro em comum”.

A fala do papa no domingo sublinhou muitos dos pontos que ele já havia feito em sua mais recente mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, emitida em agosto.

Nesse documento, Francisco manifestou apoio no sentido de “oferecer a migrantes e refugiados possibilidades mais amplas de entrada segura e legal nos países de destino”. Ele também pediu por “um empenho concreto para se incrementar e simplificar a concessão de vistos humanitários e para a reunificação familiar”, completando: “espero que um número maior de países adote programas de patrocínio privado e comunitário e abra corredores humanitários para os refugiados mais vulneráveis”.

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