Bergoglio incentiva estudantes a irem contra o populismo

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • A “cristofobia” de Bolsonaro

    LER MAIS
  • “Maciel tinha uma capacidade incrível de manipular e enganar as pessoas”, revela ex-diretora vocacional dos Legionários de Cristo

    LER MAIS
  • A sabotagem social da prisão – Um olhar sobre o sistema carcerário

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


03 Outubro 2017

“Não se contentem com pequenos sonhos, mas sonhem grande. Eu também sonho, mas não só enquanto durmo, porque temos os verdadeiros sonhos de olhos abertos e os levamos em frente sob a luz do sol.” O Papa Francisco se dirige aos estudantes no encontro com os universitários na Praça San Domenico, em Bolonha, doa-lhes a coragem dos sonhos, incentiva-os, depois que o jovem Davide Leardini, 20 anos, matriculado em Medicina, fizera-lhe mais de uma pergunta: “O que significou para o senhor buscar a verdade? Que valor tem o nosso estudo?”.

A reportagem é de Ilaria Venturi, publicada no jornal La Repubblica, 02-10-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mais do que aos professores, Bergoglio, acolhido pelos celulares que tiram fotos e pelos aplausos, fala principalmente aos jovens, reivindicando para eles o direito de “não serem submergidos pelas frases prontas dos populismos e pela propagação inquietante e lucrativa de falsas notícias”, o direito a “crescer livres do medo”. É uma das passagens mais aplaudidas.

E, se Francisco tinha definido os refugiados, na sua chegada a Bolonha, como “lutadores da esperança”, aqui, na praça dos dominicanos e do studium, ele convida os acadêmicos a serem “artesãos da esperança”. Como seria bonito, disse o pontífice, “que as salas das universidades fossem canteiros de esperança”.

Há três mil pessoas ouvindo-o: professores, os responsáveis pelos órgãos acadêmicos e administrativos, todos de toga, e especialmente estudantes, também os requerentes de asilo que a universidade permite que estudem gratuitamente, uma iniciativa lembrada no seu discurso pelo reitor Francesco Ubertini.

Na sua chegada, o papa se detém para uma oração na basílica em frente ao túmulo de São Domingos. Depois desce, percorre o breve trajeto que o leva até o palco em um carrinho de golfe. Cumprimenta, abençoa. E, no seu discurso, propõe três direitos aos universitários: à esperança, à cultura e à paz.

Bergoglio exorta ao “sacrossanto direito para todos de ter acesso ao estudo – em tantas áreas do mundo, muitas jovens estão privados dele –, mas também ao fato de que o direito à cultura significa proteger um saber humano e humanizante”.

O estudo, acrescenta, “serve para se fazer perguntas, buscar o sentido da vida”, porque “o saber que se põe a serviço do melhor proponente, que chega a alimentar divisões e a justificar abusos não é cultura”.

Aos estudantes, ele confidencia uma tarefa: “Responder aos refrões paralisantes do consumismo cultural com escolhas fortes, com a pesquisa, o conhecimento, a partilha”. É necessária, diz, uma boa cultura, “precisamos de palavras que cheguem às mentes e disponham os corações, não gritos dirigidos ao estômago. Não nos contentemos em satisfazer a audiência, não sigamos os teatrinhos da indignação que muitas vezes escondem grandes egoísmos”.

Por fim, o grito do papa contra a guerra. E, nessa passagem, Bergoglio cita o cardeal Lercaro: “A Igreja não pode ser neutra contra o mal”. Portanto, o convite aos universitários é a não permanecerem neutros, “inclinar-se pela paz”, porque “a história ensina que a guerra é sempre e somente um inútil massacre”.

Assim, a invocação é pelo ius pacis. “É um desafio atual: afirmar os direitos das pessoas e dos povos, dos mais fracos, de quem é descartados e da criação, nossa casa comum”.

O reitor entregou ao papa o Sigillum Magnum que a universidade entregou, em 1988, ao Papa João Paulo II. No palco, subiu a ministra da Educação italiana, Valeria Fedeli. O papa subiu no papamóvel para se dirigir ao estádio, aos gritos dos jovens que ritmavam com as mãos: “Forza, Francesco” [Força, Francisco].

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Bergoglio incentiva estudantes a irem contra o populismo - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV