Papa reabilita o cardeal Lercaro

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03 Outubro 2017

Ao fazer uma citação crucial do cardeal Lercaro sobre a paz – pela qual o então arcebispo de Bolonha foi demitido por Paulo VI – o Papa Francisco, peregrino nesse domingo àquela cidade, encerrou uma estação polêmica de 50 anos da Cúria Romana contra uma Igreja local decidida a encarnar concretamente a herança do Vaticano II.

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada no jornal Trentino, 02-10-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Giacomo Lercaro foi um dos protagonistas do Concílio, em que – ajudado pelo seu teólogo de confiança, o Pe. Giuseppe Dossetti – fez intervenções memoráveis para descrever melhor, em relação ao Evangelho, o “quem é?” da Igreja e a as vocação à paz.

Tendo chegado aos 75 anos, o arcebispo apresentou, como já havia sido estabelecido, a renúncia ao papa; mas Paulo VI pediu-lhe para continuar. No dia 1º de janeiro de 1968 (o primeiro “Dia da Paz” decidido pelo Papa Montini), o arcebispo de Bolonha, na homilia do do Ano Novo, denunciou fortemente os bombardeios estadunidenses contra o Vietnã do Norte, considerados devastadores para a paz. Ele defendeu ainda que a tarefa da Igreja – diante dos conflitos acesos no mundo – não era o da “neutralidade”, mas o da denúncia “profética”.

A Casa BrancaLyndon Johnson estava no poder naquela época – protestou, através de canais privados, com a Santa Sé, dada a autoridade do cardeal. De sua parte, Paulo VI se sentiu indiretamente acusado pelo purpurado de seguir a política da “equidistância” diplomática em relação à guerra em curso no Sudeste Asiático. O governo italiano também ficou embaraçado com as palavras de Lercaro.

Depois de semanas de polêmicas na mídia, em meados de fevereiro, chegou a inesperada decisão do pontífice: em essência, o arcebispo devia se demitir. Para suceder Lercaro, Paulo VI nomeou Dom Antonio Poma (então à frente da diocese de Mântua), um “conservador”, e, quando este também renunciou – já estamos no pontificado de João Paulo II –, foram escolhidos por Wojtyla uma fileira de arcebispos todos orientados a dar uma interpretação “restritiva” do Vaticano II: Dom Manfredini, que reinou por poucos meses; o cardeal Giacomo Biffi; o cardeal Carlo Caffarra (este, já aposentado, foi um dos purpurados que, há poucos meses, se posicionou publicamente contra Francisco, acusado de “laxismo”, por ter admitido, em certos casos, a possibilidade de admissão à Eucaristia para divorciados em segunda união).

Em suma, a Cúria Romana quis – o quanto pôde – dissolver a herança de Lercaro, que, contudo, foi mantida viva pela Fundação para as Ciências Religiosas, criada em Bolonha por uma equipe liderada pelo professor Giuseppe Alberigo.

Em 2015, Bergoglio ousou romper essa corrente, nomeando para Bolonha, no lugar de Caffarra, Dom Matteo Zuppi, um “conciliar”. E, depois dessa medida, com a citação de hoje – falando a alunos e professores da Universidade de Bolonha –, o pontífice colocou novamente sobre o candelabro eclesial uma grande personalidade que três papas (Montini, Wojtyla, Ratzinger) tinham tentado fazer esquecer.

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