Para Francisco, uma temporada de ''venenos'' no Vaticano

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26 Setembro 2017

A estação dos venenos avança rapidamente, um pouco como o outono europeu, e no Vaticano, desta vez, promete tempestade. As reformas iniciadas com o Papa Bergoglio vão devagar, a transparência, pouco a pouco, parece ter ido se benzer (agora até mesmo se proíbe o uso de computadores aos jornalistas que acompanham o processo sobre o apartamento de Bertone por causa dos fundos desviados do Hospital Bambino Gesù), a reordenação econômica está subordinada ao remodelamento geral. Em suma, tempos dilatados.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada por Il Messaggero, 25-09-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Pelo que se percebe, a implacável couraça curial, desde sempre cristalizada e autorreferencial, parece ter levado a melhor, freando a inicial lufada de ar novo que Francisco havia trazido.

Nos últimos dias, surgiram novas denúncias pesadas de telefones sob controle, intercepções abusivas, computadores sabotados, ameaças de prisão por parte da Gendarmeria, que levaram, em junho passado, à demissão do auditor-geral das contas, Libero Milone, ex-Deloitte, que, depois de ter sido demitido pelo Vaticano – “de modo consensual”, afirmava o comunicado da Sala de Imprensa, sem que fosse divulgado o verdadeiro motivo do afastamento –, rompeu o silêncio para defender a sua integridade. Em entrevista à Reuters, Sky, Wall Street Journal e Corriere, Milone confessou que não esperava o adeus.

Naquele período, ele estava sendo completado o código interno das contratações interna e tentando uma verificação sobre os recursos fora de orçamento, alocados a diversos órgão: provavelmente por isso, abateu-se um raio contra ele.

Na Cúria, dizia-se que Milone avançava como um carneiro e queria enfiar o nariz em coisas que não lhe diziam respeito. Em poucas palavras, ele tinha feito inimigos demais.

À reconstrução dos fatos, o Vaticano reagiu forte. “O papel do auditor não incluía atividades ilícitas. Infelizmente, ultrapassando as suas competências, ele contratou ilegalmente uma empresa externa para realizar atividades de investigação sobre a vida privada de expoentes da Santa Sé.”

Em suma, acusações de espionagem, assim como nos tempos do Vatileaks. Ainda não há corvos no horizonte. Parece ser um confronto entre poderes, mas não está claro se a atividade investigativa do escritório de Milone foi feita em violação às suas tarefas ou não, já que o regulamento ao qual ele se referia estabelece que o auditor-geral goza de “plena autonomia e independência” e pode “receber e investigar sobre qualquer atividade anômala relatada”.

Chamam a atenção os tempos. Em junho, Milone foi forçado a renunciar pela Gendarmeria, justamente alguns dias depois da saída de cena do cardeal George Pell, prefeito da Economia (um dos apoiadores de Milone), que teve que partir para a Austrália para se defender das acusações de pedofilia e enfrentar um longo processo.

A momentânea ausência desse cardeal poderia ter acelerado os tempos. Além disso, Pell sempre foi um obstáculo para a Cúria. Tanto a Secretaria de Estado quanto a Apsa tiveram fortes confrontos com ele. O seu trabalho, depois, entrelaçou-se com a reforma da administração, um capítulo conturbado.

Depois de quatro anos, o projeto ainda está suspenso. As 21 reuniões feitas até agora pelo Conselho dos nove cardeais serviram para uma revisão da Carta constitucional e para definir algumas fusões, que, como as coisas estão, não levaram à racionalização das estruturas exigida pelos cardeais eleitores no momento do conclave.

Como o descontentamento paira no ar, também por causa disso, a Cúria está dividida, enquanto crescem as dificuldades para Francisco, que parece cada vez mais concentrado em olhar para além do horizonte próximo, concentrado nas grandes batalhas éticas e humanitárias, nos desafios epocais que o planeta deverá enfrentar, mais do que lidando com orçamentos, contas pendentes e falhas administrativas. Talvez ele ainda pense que pode abrir mão da Cúria.

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