Em Villavicencio, o Papa Francisco descreve "os caminhos para a reconciliação"

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11 Setembro 2017

"Todo esforço pela paz sem um compromisso sincero com a reconciliação está fadado ao fracasso", disse o Papa Francisco a 600 mil colombianos durante uma missa numa pista de pouso militar em Villavicencio, uma cidade cujas origens remontam a 1740, quando os jesuítas chegaram para evangelizar a tribo local Guayupe.

A reportagem é de Gerard O'Connell, publicada por Catholic News Service, 09-09-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Francisco é o primeiro papa a visitar esta cidade de meio milhão de habitantes, que se envolveu no conflito armado entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as FARC, por décadas. Ele veio para celebrar um dia de reconciliação para a nação e durante a missa beatificou dois mártires - um bispo e um sacerdote - que simbolizavam a reconciliação colombiana.

A nação permanece politicamente polarizada. Há muita raiva, ódio e ressentimento no coração de muitas pessoas, bem como a tentação da vingança em um país que já viu tanta morte e destruição. O papa está ciente disso e explicou ao povo colombiano "os verdadeiros caminhos para a reconciliação".

Papa Francisco se encontra com vítimas do conflito colombiano (Foto: Presidência da República da Colômbia - SIG)

Primeiro, disse: "reconciliar-se é abrir uma porta para todas as pessoas que vivenciaram a trágica realidade do conflito". Enfatizou que "quando as vítimas superam a tentação compreensível de vingança, tornam-se os protagonistas mais críveis do processo de construção da paz". Duas vítimas falariam à tarde, durante a oração.

Papa Francisco: "quando as vítimas superam a tentação compreensível de vingança, tornam-se os protagonistas mais críveis do processo de construção da paz".

Em sua aplaudida homilia, ele disse que "o que é necessário" para a reconciliação "é que alguns deem o primeiro passo nessa direção com coragem, sem esperar pelos outros".

Falando à nação de 49 milhões de pessoas, de maioria católica, o papa disse: "Basta uma pessoa boa ter esperança! E cada um de nós pode ser essa pessoa!"

No início da missa, beatificou dois exemplos disso: o bispo Jesús Emilio Jaramillo Monsalve, da Colômbia, e o padre Pedro María Ramírez Ramos. O bispo, que era membro da ordem missionária xaveriana, era um forte defensor dos direitos humanos e dos pobres; denunciou a violência no país e, por isso, foi assassinado pelo movimento guerrilheiro marxista em 1989. O padre Ramos foi morto no início da guerra civil colombiana em 1948. Quando Francisco os declarou beatificados, reconhecendo-os oficialmente como mártires cristãos modernos, a multidão deu uma forte salva de palmas; a beatificação demonstrou sua vida cristã e testemunho de reconciliação.

O papa afirmou que o caminho para a reconciliação "não significa ignorar ou esconder diferenças e conflitos" ou "legitimar injustiças pessoais e estruturais" e acrescentou que "recorrer à reconciliação não pode servir apenas para acomodar situações injustas".

Ele relembrou o que São João Paulo II disse sobre a reconciliação em sua carta aos bispos de El Salvador, em 1982: "A reconciliação é um encontro entre irmãos que estão dispostos a superar a tentação do egoísmo e a renunciar às tentativas de pseudo-justiça. É fruto de sentimentos fortes, nobres e generosos que levam a estabelecer uma coexistência baseada no respeito por cada indivíduo e nos valores que são próprios de cada sociedade civil."

Francisco disse aos colombianos que a reconciliação "se concretiza e consolida pela contribuição de todos, nos permite construir o futuro e faz crescer a esperança". Ele destacou que "todo esforço pela paz sem um compromisso sincero com a reconciliação está fadado ao fracasso".

O Evangelho lido na missa hoje recordou a genealogia de Jesus, assim como a pagã, e o papa lembrou o público que eles também "são o povo de Deus" e também têm genealogias "cheias de histórias, muitas de amor e luz; outros de desavenças, ofensas e até mesmo morte". São histórias de tristeza e exílio, disse o papa, e também falam sobre "muitas mulheres [que], em silêncio, perseveraram sozinhas" e "muitos homens de bem que procuraram deixar de lado o rancor e o ressentimento, na esperança de unir justiça e bondade".

Diante dessas trágicas histórias pessoais, perguntou: "Como permitir que a luz entre? Quais são os verdadeiros caminhos da reconciliação?" Disse que a Santíssima Virgem Maria, cuja festa se celebra hoje, José, seu marido, e Jesus mostram o caminho da reconciliação e que todos os colombianos podem segui-los nesse caminho. Francisco declarou que os colombianos podem fazer como Maria, "dizendo sim a toda a história, não apenas a uma parte dela", como José, "deixando de lado as paixões e o orgulho", e como Jesus Cristo, "cuidando, assumindo, abraçando essa história". Ele pediu que o público "dissesse sim para a verdade, para a bondade, para a reconciliação" e "preenchesse a história de pecado, violência e rejeição com a luz do Evangelho".

Também destacou o papel que mulheres como Maria podem desempenhar nesta busca pela reconciliação, mesmo que vivam em comunidades que "ainda são consideradas patriarcais e machistas".

O papa concluiu sua homilia dizendo: "cabe a nós dizer sim para a reconciliação". E acrescentou: "que nosso sim inclua também o ambiente natural". Também lembrou ao público que, assim como Deus "prometeu a nossos pais, Ele ajuda todas as nações e povos. Ele ajuda a Colômbia, que hoje deseja ser reconciliada". Ao terminar, a multidão deu uma calorosa salva de palmas.

No final da missa, Francisco pediu orações por todos aqueles que estão sofrendo devido ao terremoto no México.

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