A mensagem do furacão Irma

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08 Setembro 2017

Existe uma mensagem para Trump que vem do oceano. Chama-se Irma. Ele viaja com ventos a 300 quilômetros por hora, empurra muralhas d’água de três metros de altura, estende-se por 500 quilômetros e, apenas duas semanas após a devastação do Harvey no Texas, promete um desastre ainda pior sobre a frágil Flórida. Ele diz ao presidente que a Terra, a atmosfera, os oceanos estão com raiva dele.

A reportagem é de Vittorio Zucconi, publicada no jornal La Repubblica, 07-09-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É apenas uma coincidência se o furacão mais feroz há pelo menos 100 anos – que fez de Houston uma Atlântida moderna – e, hoje, Irma, a Cruel – que está rolando rumo à Flórida com uma violência inédita, também naquela língua de pântanos e areias que viveu tantas tempestades –, caiam em tão curta distância um do outro sobre a presidência estadunidense que, mais do que qualquer outra, proclamou-se cética?

Aquela presidência que, depois de ter denunciado o acordo de Paris sobe o clima como um complô para prejudicar os Estados Unidos, sistematicamente atacou as agências governamentais de proteção ambiental, reduziu o controle sobre as refinarias, impulsionou o retorno ao pior dos combustíveis fósseis, o carvão, agora deve enfrentar a vingança da Terra.

O clima não vota nas eleições e não lê tratados ou regulamentos de construção, mas faz política, e as coincidências muitas vezes dizem a verdade, como sabem os leitores de romances de suspense e policiais. A catástrofe texana e o possível naufrágio da Flórida, que o Irma engoliria de costa a costa, subindo de Miami para o norte, não estão abalando apenas habitações, vidas, empresas. Estão descompaginando, com o vento de bilhões de dólares em danos, as contas feitas por Trump e pelos radicais republicanos que ainda o apoiam, em matéria de tributação, orçamento, dívida.

Primeiro o Harvey e agora o Irma, se não mudar de rota no último minuto, virando para o oceano, abrirão voragens nas contas públicas. Os falcões da austeridade à la americana, aqueles que não gostariam de aprovar um único dólar de novos gastos públicos sem cortar um dólar de outros programas, devem assinar cheques ciclópicos sem suspirar, porque tanto o Texas quanto a Flórida são bastiões eleitorais republicanos.

E 7,8 bilhões já foram separados com uma votação da Câmara nessa quarta-feira à noite. Esse terrível casal de imigrantes clandestinos brutais, Harvey e Irma, que nenhuma Grande Muralha poderia ter parado, está sacudindo os fundamentos do Trumpismo. Faz justiça ao antiambientalismo nacionalista, demonstrando que não há fronteiras diante dos grandes eventos climáticos que se abatem na sua indiferença contra bons e maus, contra brancos e negros, no seu globalismo climático.

Nega as ilusões de limitar ou reverter o endividamento federal, abrindo abismos que deverão ser preenchidos derramando dinheiro público. Põe em discussão a possibilidade de grandes cortes de impostos, enquanto as catástrofes produzem novas dívidas. E demonstra como são anacrônicas e anticientíficas tanto a indiferença quanto até mesmo a hostilidade diante da crescente evidência de mudanças climáticas que a poluição humana, se não provoca, alimenta.

O Trump que, nessa quarta-feira, enquanto Irma, a Cruel, marchava para a Flórida, voava para o lado oposto dos Estados Unidos, para o Far West, para pregar cortes de impostos às empresas, vendidos como ajudas à classe média, parecia completamente desnorteado, “out of touch”, distante do pesadelo do furacão que, muito mais real e imediato do que as alíquotas fiscais, ocupa há horas e ocupará aquelas telas de televisão para as quais ele vive.

Se Irma massacrar a Flórida com a mesma violência com que está se abatendo sobre o Caribe, de uma intensidade que ninguém jamais havia registrado, veremos novamente Trump e a primeira-dama visitar os abrigos, distribuir refeições, abraçar crianças para as câmeras, e será o roteiro costumeiro e inútil do “dia seguinte”.

Mas Irma, se algumas previsões estiverem corretas, poderia apontar diretamente para Palm Beach, na língua de areia onde Trump tem o seu próprio castelo disneyano, Mar-a-Lago.

Se ele se abater sobre o seu palácio, talvez Trump finalmente irá ouvir aquilo que a Mãe Terra está desesperadamente lhe mandando dizer.

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